Denúncia e posição

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O senador Almeida Lima (PDT) criou um certo suspense sobre o discurso que proferiu, ontem, denunciando possíveis irregularidades na administração municipal de Aracaju. Passou a semana montando um clima de expectativa e conseguiu chamar a atenção para o pronunciamento que mostraria “corrupção na Prefeitura da Capital, que atinge diretamente o prefeito Marcelo Déda”. Reconheça-se que não foram acusações que desmereçam atenção. Elas, realmente, maculam um trabalho que, até então, vinha sendo realizado sem qualquer indício de vícios e desvio de atitudes. A questão do superfaturamento para capinação e jardinagem de postos de saúde e do dinheiro gasto com obras que não foram executadas, precisa ser muito bem explicada para não atingir a imagem de um prefeito que não tem vocação para atos dessa natureza. Almeida chegou a montar um clima cinematográfico, ao solicitar um aparelho de slider para mostrar fotografias daquilo que estava denunciando. Houve protesto de senadores, mas prevaleceu a decisão da Mesa, que permitiu a utilização de recursos para exibição do material. Evidente que o pronunciamento será manchete nos jornais de Aracaju e, durante o resto da semana, servirá de comentários políticos na Assembléia Legislativa e Câmara Municipal, além de alimentar programas escandalosos em rádios de Aracaju e do interior, tudo com o objetivo natural de mostrar à população que a administração petista não está imune à corrupção. Mesmo com tudo isso, o prefeito Marcelo Déda surpreendeu: determinou imediatamente a abertura de uma sindicância para que fossem apuradas, com rigor, todas as denuncias do senador José Almeida Lima. Déda não pode deixar rastros, porque sabe que será alvo principal de ataques e tentativas de enlamear sua administração. Caso a sindicância determinada comprovar que houve irregularidades nos trabalhos da Emsurb junto à Secretaria Municipal de Saúde, os culpados serão punidos com o afastamento do cargo. Aliás, a atitude do prefeito Marcelo Déda foi diferente, porque tem sido comum os chefes de executivos não apurar denuncias que envolvam seus auxiliares. A determinação do prefeito talvez tenha surpreendido o próprio senador Almeida Lima, que, certamente, ansiava por um desmentido, para que continuasse batendo forte na questão denunciada. Agora, terá que esperar pela sindicância instalada, para continuar com as denuncias, já que não pode negar que o prefeito adotou medidas imediatas para apurar tudo o que foi dito no discurso. ALMEIDA O senador José Almeida Lima (PDT) denunciou, ontem, da tribuna do Senado, convênio firmado entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Emsurb, no valor de R$ 770 mil. Este montante seria para realização de serviços de capinação, podação e jardinagem em postos de saúde de Aracaju. CAPINAÇÃO Almeida Lima mostrou que a área externa de um dos postos de saúde, que teria sido capinado, serviço que consumiu R$ 50 mil, é de paralelepípedo. O senador anunciou que vai encaminhar representação contra o prefeito Marcelo Déda (PT) ao Ministério Público da União, ao Tribunal de Contas da União e à Controladoria Geral da União. POLÊMICA O discurso de Almeida Lima gerou polêmica por causa do uso de audiovisual em plenário, que fora contestado pelos senadores. Almeida comemorou a decisão da mesa em permitir o vídeo, dizendo que “prevaleceu o bom senso e o Estado Democrático de Direito”. PROVIDÊNCIA Em Aracaju, o prefeito Marcelo Déda fez o que poucos políticos do Executivo fariam: determinou uma auditoria para apurar as denuncias do senador Almeida Lima. “Vou apurar tudo, mesmo sabendo as intenções dele, que é jogar lama contra mim”, disse Marcelo Déda. POLÍTICO Marcelo Déda reconheceu que Almeida Lima tentou atingir sua imagem e viu as denuncias como uma ação absolutamente política. O prefeito lembrou que não é ordenador de despesas: “apenas assino o convênio, mas quem executa projetos e programas são os secretários”. BOSCO O presidente da CPI da pistolagem no Nordeste, deputado federal Bosco Costa (PSDB), diz que a Comissão vai dar muito que falar. Várias pessoas já foram ouvidas e relatam fatos que envolvem gente pesada da elite política, econômica e social da região. SERGIPE Bosco Costa revela que membros da CPI da pistolagem devem ouvir pessoas em Pernambuco e Paraíba, onde tem se registrado vários crimes de mando. O deputado estadual Gilmar Carvalho e o secretário de Segurança, Luiz Mendonça, serão convidados para prestar esclarecimentos à CPI. CANINDÉ Pesquisas realizadas em Canindé do São Francisco demonstram que o possível candidato Paulo de Deus está apenas com 6% abaixo da prefeita Rosa Feitosa. A assessoria de Paulo acredita que dentro de mais dois ou três meses, as novas pesquisas já começarão a dar empates técnicos. ALBANO O ex-governador Albano Franco (PSDB) vai voltar a participar, em novembro, da reunião do Conselho Deliberativo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Como vice-presidente, ele tem direito a participar das reuniões do conselho. Quanto à política, o governador diz que ainda está conversando muito pouco. CONTRA A deputada Ana Lúcia (PT) vai trabalhar para tentar sensibilizar os deputados a não aprovarem lei de autoria do Governo, que emprega, de forma vitalícia, os ex-vice-governadores no Estado. Ana Lúcia considera o projeto um absurdo e que prejudica a imagem de Sergipe. Classifica a matéria como casuística. Notas INTERVENÇÃO O membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Se, advogado Elito Vasconcelos, defende a intervenção federal na Secretaria de Segurança Pública de Sergipe e faz uma denuncia grave: policiais se utilizam de um veículo Santana para raptar pessoas e as executar na periferia de Aracaju e no interior. Elito diz que existem casos comprovados desse tipo de ação, que deve ser atribuída a um grupo de extermínio. Garantiu que a OAB já preparou um completo dossiê sobre os crimes cometidos por policiais. MAIS POBRE O ex-deputado Nicodemos Falcão (PFL) diz que parlamentar com três ou quatro legislaturas empobrece: “eu mesmo perdi cinco casas”. Deputado de muitos mandatos sai pobre e vai ter que viver da pensão parlamentar, como os ex-deputados Rosendo Ribeiro Filho, de Lagarto, e Oséas Batista, de Itabaianinha. Nicodemos lembrou que Rosendo e Oséas eram homens ricos e hoje dependem da pensão parlamentar. Em certo ponto o deputado tem razão, mas existem casos de deputado enriquecer só com um mandato. É fogo A sociedade não aceitou o resultado do inquérito apresentado pelo corregedor da Polícia Civil, advogado Abelardo Inácio, sobre a fuga de Floro Calheiros. Uma coincidência forte, os veículos adquiridos pela Secretaria da Segurança são da francesa Renault, que, por coincidência, pertence a familiares do presidente do Tribunal de Contas, Heráclito Rollemberg. O fugitivo Floro Calheiros tomou conhecimento, imediatamente, do resultado do inquérito sobre a sua fuga. O governador João Alves Filho (PFL) concedeu uma entrevista à revista Veja, falando sobre as dificuldades de Sergipe. Deve sair na próxima edição. A Gazeta de Sergipe volta a circular neste próximo domingo, com o mesmo número de páginas e todas as colunas que existiam no jornal. O editor geral da Gazeta, jornalista Gilvan Manoel, está fazendo algumas mudanças na feição gráfica do jornal. A ausência da Gazeta de Sergipe provocou um vazio na imprensa sergipana e uma reação dos leitores, habituados com a linha de independência exercia pelo jornal. O Governo Federal deixou Sergipe mais pobre em R$ 170 milhões, este ano, com a redução do Fundo de Participação Estadual. Com isso a queda do FPE, os recursos foram restringidos e algumas obras deixarão de ser iniciada em Sergipe até dezembro. Um parlamentar disse, ontem, que é melhor ser prefeito de Cedro do São João ou Pedra Mole, do que assumir um mandato na Assembléia Legislativa. Segundo o deputado, os prefeitos têm recursos para atender aos cidadãos e os parlamentares têm que meter a mão no bolso para ajudar ao eleitorado. O ex-deputado federal Bosco França não pensa mais em retornar à política. Dedica-se exclusivamente às suas indústrias. Os sucos de frutas servidos nos aviões das mais importantes empresas áreas do Brasil são fabricados em Sergipe. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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