DESIGUALDADE RACIAL

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O mês de maio, na História do Brasil, é marcado pela abolição da escravatura. Foi no dia 13 de maio, de 1888, que a princesa Isabel promulgou a Lei Áurea. Mais de cem anos se passaram e ainda não vemos no país uma igualdade de tratamento entre brancos e negros. Pesquisas indicam que a população negra recebe salários menores e que no mercado de trabalho, os negros são mais excluídos do que os brancos.


É notório para qualquer um de nós, que nos cargos que exigem mais qualificação, a presença do negro é ínfima. Não é preciso pesquisa alguma para confirmar esta afirmação. No Governo Lula, presidente eleito pelo Partido dos Trabalhadores, quantos são os ministros negros? Nos ministérios e nas empresas estatais quantos negros ocupam cargos de chefias?


O Brasil é um país em que predomina a religião católica. Quantos bispos, arcebispos e cardeais são negros? Quaisquer que sejam os cargos superiores, em qualquer segmento de nossa sociedade de nossa sociedade, a quase totalidade de seus ocupantes é da raça branca.


Um dos pontos capitais para a reversão deste quadro é o negro valorizar a sua raça, pois é muito comum vermos negros ao alcançarem sucesso e glória desprezarem a sua raça. Outro ponto capital é levar-lhes educação. Somente com a educação é que será possível ver amanhã os negros ocupando cargos, que hoje são exclusivos dos brancos.


A ONG ActionAid, que internacionalmente atua na redução das desigualdades raciais, identificou 150 iniciativas governamentais e não-governamentais desenvolvidas no Brasil para amenizar as diferenças sociais entre negros e brancos.


A maioria dessas ações, segundo a coordenadora geral de Programa da ONG no Brasil, Rosana Hinger, é concentrada nas áreas de educação e de trabalho. “No Brasil, muito recentemente essas políticas começaram a ser implementadas e nós precisamos dar visibilidade para essas ações e precisamos acompanhar de perto a execução delas, para que a gente possa, daqui a alguns anos, fazer um balanço do que está acontecendo”.


2005 – Ano Nacional de Igualdade Racial, fato importante para a conscientização contra o racismo e para o fim das desigualdades raciais. Para a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, é a partir de afirmativas e compartilhadas com os diversos segmentos sociais que a igualdade será cada vez maior no país.

 

O Ano Nacional da Igualdade Racial está dividido em quatro áreas: Integração, elaboração de políticas; premiação de experiências bem sucedidas e valorização da história e da cultura dos grupos étnicos discriminados.


O incentivo ao ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas instituições de ensino e a promoção de programas que divulguem a diversidade racial nas empresas também fazem parte das ações afirmativas do ano da igualdade racial.


Como vimos, muitas ações estão sendo desenvolvidas, mas somente com persistência é que poderemos ver daqui a alguns anos a igualdade racial ser uma realidade em nosso país.

 

Edmir Pelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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