Despedida na primeira pessoa

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Esta coluna está sendo escrita pela primeira vez na primeira pessoa. Nesses cinco anos de coluna dominical, sempre escrevi na terceira pessoa, porque acho que qualquer texto jornalístico deve guardar o máximo de impessoalidade, mesmo quando em formato fixo assinado. Este espaço nasceu exatamente em agosto de 2004 e será suspenso a partir desta edição, daí a primeira pessoa, afinal despedidas são sempre emotivas, pessoais.

Nesta segunda-feira, 10 de agosto, às 10 horas, eu serei empossado secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju e, por uma questão ética, não poderei assinar uma coluna em jornal ou em qualquer outro veículo. Pelo menos não esta coluna, que, a despeito da proposta de caráter variado, tornou-se bastante política.

Depois de 14 anos de dedicação ao Jornal da Cidade e de pelo menos 25 anos de atividade profissional voltada para a mídia — TV e, principalmente, jornal — agora experimento trilhar um caminho diferente, no poder público. Como alguns colegas gostam de brincar, estou mudando de lado do balcão: deixo de ser consumidor de notícia e passo a ser fornecedor.

 

COMECEI ESSA VIDA DE JORNALISTA na Folha da Praia, ainda estudante da quarta turma de Jornalismo das Faculdades Integradas Tiradentes, hoje Unit. O ano era 1982 ou 83 e os profissionais com quem iniciei o fazer do jornalismo prático não poderiam ser mais qualificados: Amaral Cavalcante, Fernando Sávio, Ilma Fontes, Luciano Correia, dentre outros bons.

Ainda antes de me formar, como era funcionário público estadual (técnico em edificações lotado no antigo DEP), fui requisitado para trabalhar numa televisão estatal que acabava de nascer, a TV Aperipê, onde conheci Cleomar Brandi, Eduardo Almeida e Cristina Almeida, mestres no trato com a palavra. E, logo em seguida, em 1986, recém-formado, a descoberta do jornal diário num projeto novo e inovador, quando a Tribuna de Aracaju mudou de donos e passou a se chamar Jornal da Manhã. Novas lições de jornalismo com Célio Nunes, Luiz Melo, Valdomiro Júnior, Adiberto Souza e Eugênio Nascimento. Depois veio a “escola” da TV Sergipe, com o “professor” Ivan Renato Rodrigues, outro mestre em jornalismo e decência. Pronto, esta foi a minha base profissional.

Sou reconhecido a todos, guardo para eles um sincero carinho e, à exceção de Fernando Sávio, que já se foi, e na medida dos encontros e desencontros da vida, dedico-lhes grande amizade.

 

EM TRÊS OPORTUNIDADES passei pelo Jornal da Cidade. Em 1989, o saudoso Roberto Batista, diretor de redação, convidou-me para fazer alguns trabalhos free-lance e logo me contratou. Fiquei cerca de dois anos. Saí para trabalhar no Jornal de Sergipe e Cinform, onde também tive uma experiência marcante e enriquecedora, e A Tarde, da Bahia. Retornei de Salvador para assumir o Jornal da Manhã e a Rede Jornal de Comunicação, uma experiência frustrante, porque o diálogo era impossível. Mas a volta a Aracaju me permitiu reingressar no Jornal da Cidade, a convite do agora diretor de redação José Araújo, quando assumi a função de chefe de reportagem. Antes, ainda mantive uma pequena relação com este jornal, na bonita aventura da revista Agenda, criada e editada por mim, Augusto Aranha e Cláudio Silveira e que circulava encartada neste matutino.

Abro um parêntese para a academia. Fui professor do curso de Jornalismo da Unit, no começo dos anos 90, quando tive a sorte de ensinar a uma turma que tinham Osmário Santos, Dílson Ramos, Rosângela Dória, Jason Neto, Glice Rosa, Célia Silva, dentre outros que depois se tornaram meus colegas. Em 1993, ingressei por concurso na Universidade Federal de Sergipe, onde contribui na criação do Centro Editorial e Audiovisual e fundei o boletim semanal Informe UFS. Ali, no velho prédio da Praça Camerino, capitaneados por Jorge Aragão, formamos uma turma boa, com Cleomar Brandi, Adiberto Souza, Eugênio Nascimento e Mônica Dantas. Quando transferido para a Universidade Federal da Bahia, voltei ao convívio com os estudantes de jornalismo como coordenador do laboratório Ciência Press, de divulgação de notícias científicas. E depois, já em Aracaju, cursei na UFS a pós-graduação em Ciências Sociais e um curso de Letras que jamais conclui.

 

MAS O CAPÍTULO MAIS IMPORTANTE da minha experiência profissional foi o Jornal da Cidade, para onde regressei no primeiro dia de 1997. Dois anos depois, a convite de Antonio Carlos Franco, um apaixonado por este jornal, passei a diretor de redação. Durante exatos seis meses de 2001, de janeiro a junho, passei fora, na assessoria de comunicação da Energipe, mas não deu para ficar mais tempo longe e novamente retornei… a convite de Antonio Carlos.

Em 2001, quando o prefeito Marcelo Déda me chamou para ser secretário de Comunicação eu disse não justamente porque tinha um compromisso com o projeto do Jornal da Cidade. Não podia abandonar um trabalho que estava sendo executado, o jornal passando por uma fase extraordinária de evolução, em termos tecnológicos e profissionais. Aqui, além de aprender muito, pude aplicar o que há de mais necessário à nossa profissão, que é o exercício da liberdade da informação, garantindo o direito de expressão a todos. Não é à toa que o Jornal da Cidade abriga hoje um leque tão vasto e variado de colaboradores. Todos querem escrever para este jornal.

E aqui, administrando com paciência, ouvindo a todos diretamente, fiz mais do que colegas. Entre os que permanecem, os que saíram e os que já morreram, são ou foram todos meus amigos: Acácia Trindade, Eugênio Nascimento, Luiz Melo, Thaís Bezerra, Ivan Valença, Osmário Santos, Marcos Franco, Osvaldo Franco, Augusto Lobão, Hugo Costa, Adiberto Souza, Evando Ferreira, Ademir da Conceição, Arnildo Ricardo, Pedro Amarante, Cleomar Brandi, Luiz Eduardo Costa, Kitéria Cordeiro, Bruna Carvalho, Fernanda Acioli, Dílson Ramos, Joset Mendonça, Jurandir Cavalcante, João de Barros, João Barreto Neto, Jácome Góes, Andréa Moura, Andréa Cardoso, Andréa Vaz, Célia Silva, Janaína Cruz, Ailton Souza, Antônio Carlos Garcia, Edjane Oliveira, Kátia Santana, Max Araújo, Joedson Teles, Rosa Vasconcelos, Gilvan Manoel, Conceição Soares, Leonardo Zanelli, Cristine Britto, Márcia Pacheco, Ednalva Mendonça, José Araújo, Roberto Batista, Paulo Serra, Fábio Carneiro, Kleber Santos, Paulo Roberto, Isabelle Araújo, Lara Aguiar, Helber Andrade, Kátia Marinho, Alexandra Brito, Lidiane das Neves, Suyene Correia, Karina Mendes, Verônica Moura, Estácio Guimarães, Lucy Simões, Lucílio Freitas, Wagner Melo, Wagner Conceição, José Euclides, Igor Bento, Adilma Menezes, Guga Oliveira, Cristiane Miná, Pedro Dantas, Roberto Silva, Álvaro Castro, Edidelson, Viviane Paixão, Cícero Mendes, Tarcísio Dantas, Alberto Dutra, Maria Odília, Jadilson Simões, Edson Araújo, Heribaldo Martins, Silvio Rocha, Fernando Silva, Geraldo Santos, Manuel Ferreira, Neuton Nunes, Gasparoni, Karine Zambrana, César de Oliveira, Noel Lino, Jorge Henrique, o inesquecível Sidney Leite… Iolanda, Léo, Leão, Pedro, Moacir, Robson, Marotinha, Xavier, Rogério, Wladimir, Lis, Ninha, Edênia, Sandra, Rivânia, Caboge, Dete, Ana Celi, Walter, Flaviany, Francisco, Valtízia, Maxwel, Jucilene, Sandro, Fábio, Pablo, Rodrigo, Janaína, Kariny, Paulinho, Sulis, Silvio, Wolney, Henrique, Hélio, Norma, Márcia, Marcelino, Carlos, Luizinho, Geraldo, Paulo “Mudo”, Adelson, Bigi… São tantos que, certamente, estarei cometendo algum esquecimento, mas não poderia deixar de citá-los. Acima de tudo, obrigado.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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