DICIONÁRIO HISTÓRICO BIOGRÁFICO DOS MÉDICOS DE SERGIPE

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Enjolras   Vampré

A idéia foi do colega e acadêmico Samarone. O Núcleo de História da Medicina achou que era uma boa idéia. A plenária da Academia Sergipana de Medicina aprovou.

Está em fase de preparação, o DICIONÁRIO HISTÓRICO BIOGRÁFICO DOS MÉDICOS DE SERGIPE, cuja publicação, pela Internet, deverá acontecer muito brevemente. Trata-se de mais uma extraordinária ação da nossa Academia, talvez a maior em todos os tempos.

Não é tarefa fácil, mas aceitamos o desafio.

Tendo como ponto de partida o Dicionário Bio-Bibliográfico de  Armindo Guaraná, publicado na década de 20 e os dados históricos já levantados pelo Ac.Antonio Samarone e Petrônio Gomes (este possuidor de uma rica e extraordinária biblioteca), arregaçamos as mangas, juntamente com o Ac.William Soares e iniciamos o trabalho.

Em recente reunião com um ex-assessor da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro Luiz Eduardo Conde, que achou a iniciativa muito relevante, definimos o título, o período de abrangência e os critérios de inclusão na referida obra. Assim, todos os médicos nascidos em terras sergipanas ou que  desenvolveram suas atividades médico-profissionais em nosso Estado, contribuindo para o desenvolvimento da nossa Medicina nos séculos XIX e XX, estarão incluídos no Dicionário. Ou seja, os médicos graduados de 1801 ao ano 2000.

Já a partir do início do século XX os médicos de Sergipe tentam se organizar em entidades de classe, primeiramente sob a liderança de Augusto Leite, Helvécio de Andrade, Pimentel Franco, Aristides Fontes, entre outros e os farmacêuticos Xavier do Monte e Francisco Travassos, fundando em 1910 a Sociedade de Medicina de Sergipe e que teve Rodrigues Dória como presidente honorário e Daniel Dantas, presidente efetivo. Esta entidade teve vida efêmera.

Em 1919 é criada a “Sociedade de Medicina e Cirurgia de Sergipe”, tendo como primeiro Presidente o Dr. Francisco Fonseca e que representou importante força política no final da década de 1920 com papel decisivo na definição das políticas de saúde no Governo Graccho Cardoso, sobretudo na construção do Hospital de Cirurgia. Nesse momento, estava na Presidência da entidade o Dr. Augusto Leite, que consegue reunir sob sua liderança quase a totalidade dos médicos de Sergipe. Essa segunda tentativa, apesar de mais duradoura do que a primeira, também não teve continuidade.

 

Em 1937, é enfim fundada a “Sociedade Médica de Sergipe”. A sessão foi presidida pelo Dr. Octaviano de Melo e secretariada pelos doutores Lourival Bomfim e Lacerda Filho. O Dr. Garcia Moreno foi o principal orador da solenidade, justificando e esclarecendo os presentes sobre os motivos para a fundação da Sociedade, sendo Augusto Leite o primeiro presidente.  

A adesão dos médicos a estas entidades no entanto não era obrigatória.

Somente a partir do final da década de 50, com a criação do Conselho Regional de Medicina, o registro do médico passou a ser obrigatório, até mesmo como uma exigência legal para o exercício da profissão. Depois, em 1961, com o primeiro vestibular da recém criada Faculdade de Medicina de Sergipe, passamos a formar médicos nestas paragens, com a colação da primeira turma em 1966.

Dessa forma, todos os médicos registrados no CRM desde a sua fundação e aqueles formados pela nossa faculdade também terão seus nomes registrados no “panteão dos heróis de curar”, na visão de Júlio Sanderson, memorialista da medicina nacional, de saudosa lembrança.

É evidente que o nível de contribuição trazido por cada um deles para o desenvolvimento da Medicina é o mais variado possível. Alguns apenas receberam o “canudo”, passando a desenvolver outras atividades, políticas, intelectuais, comerciais, industriais, como Gonçalo de Faro Rollemberg (1860-1927), Augusto Franco (1912-3003), ou simplesmente não quiseram exercer a profissão. Por sua vez, um número expressivo de médicos nascidos em Sergipe, como bem observou o Ac.Antonio Samarone de Santana, deslocou-se para outras plagas, notadamente para o Estado de São Paulo na década de 10 e 20, alguns deles com enorme projeção. Médicos como Ascendino Ângelo dos Reis (1852-1926), nascido em Divina Pastora e Enjolras Vampré (1885-1938), filho de Laranjeiras, fizeram história na Medicina de São Paulo e são reverenciados pelo mundo médico paulista. Outros se destacaram na política nacional como Felisbello Freire (1858-1916), nascido em Itaporanga d’Ajuda e que foi Ministro da Fazenda no Governo de Floriano Peixoto. Ou Mário Machado de Lemos (1920), nascido em Brejo Grande, que foi Secretário de Saúde de São Paulo por duas vezes e Ministro da Saúde do Governo Médici.

Por sua vez, inúmeros médicos não nascidos em Sergipe trouxeram o seu saber e labor para o desenvolvimento científico, político e cultural de nossa terra, uns com curta passagem como foi o caso de Parreiras Horta , outros aqui se radicando definitivamente, constituindo família e construindo uma história de realizações, como foi o caso de Benjamin Carvalho (1904-1995), Juliano Simões (1904-1984), Renato Mazze Lucas (1919-1985), Carlos de Menezes (1888-1944) e Gileno Lima (1920-2006), nascidos na Bahia, Gérson Pinto, em Alagoas, os irmãos Hugo e Hyder Gurgel, no Ceará, José Pereira Carrera, na Espanha, Cleovansóstenes Aguiar e Alexandre Menezes, em Pernambuco, entre outros.

 

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