Dignidade no calor

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Os termômetros marcavam 29º, mas no ônibus o calor beirava os limites do insuportável. Vez ou outra, como não poderia deixar de ser, alguém reclamava da temperatura e tentava em vão abrir ainda mais a janela que já estava completamente aberta. Nesse cenário extremo e adverso uma mulher aguardava a sua vez de descer usando vestido clássico, saltos e meia-calça preta, dessas opacas. Naquela hora, e por muitas depois, eu só conseguia pensar numa coisa: “Como ela consegue?”.

Tecidos naturais são mais confortáveis (foto: divulgação)

Provavelmente, ela estava vestida de acordo com as normas de alguma empresa. Mas é preciso admitir que aqui, em Aracaju, muita gente lida de uma forma bem improvável com o calor. Nas ruas do Centro, por exemplo, não é difícil passar por um homem usando terno e gravata em pleno meio-dia. Já as mulheres adotaram tendências como as peças em couro, mas pouco se explorou o comprimento da saia mídi indiscutivelmente mais adequada ao clima. As calças do tipo pijama, bem mais confortáveis que as jeans, também não tiveram muita vez. Chapéus só na praia. E quando alguém, com menos de 40 anos, de dispõe a armar uma sombrinha para se proteger do sol, corre o risco de ser alvo de piadas.

Talvez estejamos tão acostumados com o sol forte e o calor escaldante que nem tentamos mais amenizar a situação. Damos o caso por encerrado. Abstraímos. Eu mesma continuo usando tênis, roupas pretas, calça jeans e tudo o mais mesmo em tempos de calor. Mas, dia desses, como que por inspiração divina, tirei a sombrinha da bolsa e segui um pouco mais confortável. E por falar em conforto, aprendi que roupa confortável para o calor não é necessariamente a que menos cobre o corpo. O que me foi bem conveniente, afinal, bermuda e camiseta não vão a todos os lugares.

Camisa de seda é uma boa opção para ambientes formais (foto: divulgação)

Consultores de estilo afirmam que tecidos compostos por materiais naturais como a seda ou o algodão dão uma sensação térmica muito mais confortável que os feitos com materiais sintéticos como, por exemplo, o poliéster. Então, na hora da compra, vale conferir aquela etiqueta que vem por dentro da peça e que registra a composição exata do tecido. Outro conselho recorrente é optar por peças com uma modelagem mais solta, aquela que mesmo acompanhando a silhueta, não gruda no corpo, sabe? Tudo para deixar o ar circular. Soa engraçado, não é? Mas funciona. Também se aconselha a usar roupas de cores claras, mas essa eu, geralmente, não levo muito a sério.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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