Discurso na celebração do 31 aniversário do MAC

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         Ilustríssimo Senhor Presidente da Academia Sergipana de Letras Dr. José Anderson Nascimento e ilustres acadêmicos.

Ilustríssimo Senhor Presidente da Academia Sergipana de Medicina Dr. Paulo Amado Oliveira
Ilustríssimo Senhora  Coordenadora Executiva do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho, professora Jane Nascimento e ilustres membros do MAC.
Ilustríssimas autoridades aqui presentes ou representadas.
Estimados confrades, colegas e amigos,

  Recebi com manifesto prazer o honroso convite para falar sobre o Movimento Cultural “Antônio Garcia Filho”, uma instituição idealizada e finalmente concretizada em 25 de agosto de 1984, pelo saudoso ex-presidente desta Casa, numa de suas mais brilhantes realizações ao longo de seu mandato.
  Há exatamente um ano, em 4 de agosto de 2014, adentrei neste recinto para ser empossado na Cadeira 20 do MAC, recebendo a gentil saudação da confreira Jane Nascimento, hoje nossa Coordenadora. Na oportunidade, ressaltei que o momento era glorioso para mim, por um aspecto fundamental:  começar o convívio fraterno com todos vocês justamente pelo MAC, cuja altiva trajetória demonstra de forma inequívoca os nobres propósitos a que se destina: dinamizar e fortalecer as atividades culturais e literárias prestadas na Academia Sergipana de Letras, o que vem de fato acontecendo.
   Mas por que pelo MAC? Para homenagear justamente o seu fundador, o saudoso médico, professor, escritor e poeta Antonio Garcia Filho.
   Fui testemunha dos momentos iniciais de criação da entidade, em 1984, por conviver bem próximo a Garcia, como genro, colega e amigo. Tomei conhecimento da resistência e da oposição que encontrou para a concretização desse desiderato. Foram tempos difíceis, de incompreensões e críticas. Mas, como tudo que fez na vida, Garcia foi intrépido, corajoso, determinado e pleno de ideal. Foi assim na fundação da primeira escola médica de Sergipe – a Faculdade de Medicina –  em janeiro de 1961, na criação do primeiro museu público do estado, hoje Museu Histórico de Sergipe, em 5 de março de 1960, com a colaboração de Jenner Augusto e de seu irmão Junot  Silveira, foi assim na criação do Centro de Reabilitação Ninota Garcia, em 24 de junho de 1962, um dos primeiros do país, entre outras realizações.
  O fundador do MAC destacou-se na medicina, na política e na área cultural, nas suas múltiplas vertentes. Foi um homem que viveu permanente e intensamente o seu tempo, muitas vezes até se antecipando a ele, realizando coisas absolutamente fantásticas, típicas dos visionários.
  Esse introito foi necessário, permitam-me os estimados presentes desfilar por esse rosário de gratas lembranças, para demonstrar quão importante pra mim é pertencer à Casa de Garcia, denominação carinhosa que atribuo ao sodalício. 
  Volto ao ano de 2008, na companhia de Luiz Antonio Barreto, em um dos encontros que tivemos no Café Kopenhagen, local que ele gostava de frequentar, nos finais das tardes, em um shopping da cidade. Dessa vez, tive o privilégio de levá-lo pra casa, após passarmos na Casa da Cópia onde ele me presenteou com um trabalho sobre Cândido Aragonez de Faria, o eminente ilustrador sergipano que fez sucesso em Paris no começo do século XXX.
   Nascido em Laranjeiras em 1849 e morto em Paris, em 1911, com 62 anos, Cândido Aragonez foi chargista, cartazista, artista plástico completo ( fez mais de trezentos cartazes de filmes produzidos pela Casa Pathé.
   Mas por que esse nosso interesse por este notável artista sergipano? Luiz descobriu que o pai dele foi médico em Laranjeiras –  José Cândido Faria – formado em Montpelier, na França, com especialização em Cólera. Ao lado do célebre Dr. Bragança, seu conhecido do tempo de estudante, fundou o Hospital de Caridade de Laranjeiras, fixando residência e casando-se com a espanhola Josefa Aragonez, com quem teve quatro filhos: Cândido, Júlio, Adolfo e Henrique (falecido ainda jovem). Em 1855 irrompeu em Sergipe um surto de cólera, que mobilizou médicos e recursos terapêuticos. O Dr. José Cândido foi um deles, mas infelizmente, também uma vítima.
   Esta constatação valeu a inclusão do verbete do Cândido Faria no nosso Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe, cujo lançamento da segunda edição, revisada e ampliada, se aproxima.
   Toda essa história foi pra contar, que no trajeto até a casa dele, Luiz tentou convencer-me a aceitar a indicação do meu nome para a Academia Sergipana de Letras, pensamento que foi compartilhado à época também pelos Acadêmicos Gilton Garcia e Anderson Nascimento, naquela mesma oportunidade. Recusei sensibilizado o convite e afirmei o meu desejo de antes pertencer ao MAC. E assim foi feito.
   A Cadeira 20 do MAC, que tem como Patrono o Dr. Augusto  Leite, foi ocupada pelos confrades e amigos ilustres Marlene Alves Calumby e Marcos Almeida Santos. Quem não ficaria orgulhoso de suceder a tão notáveis personalidades? Esses dois imortais, portanto, trilharam os caminhos do Movimento Cultural Antonio Garcia.
   O momento também é oportuno para homenagear ( in memoriam) o primeiro coordenador do MAC, o poeta José Ferreira Lima, falecido no início deste ano, cujo panegírico será feito pela confreira Cléa Brandão, que também conduziu o MAC com dedicação e zelo.
   Peço permissão aos confrades para abrir uma pausa, nesta oração, para reverenciar a memória da professora Gizelda Morais, recentemente falecida, e que nos deixou um legado cultural extraordinário. Para ela, o poema Destinação, do escritor sergipano Mário Cabral:

Deu-me o Senhor, de vez, o tempo e a vida
e mãos para doar e proteger;

deu-me a visão de pássaros e flores
e a glória de criar e conceber;

deu-me o dom de colher a luz da aurora
e a lição de errar e refazer;

deu-me o Senhor, enfim, o gesto e a voz
e a graça de sonhar e de saber…

Mas veio a dor…O longo anoitecer…
A mudez…A tristeza….O desamor…
E o absurdo desejo de não-ser…

  Meu ilustre Presidente José Anderson Nascimento.

  O Movimento de Apoio Cultural  da Academia de Letras, ao longo dos seus 31 anos de existência, comemorados no dia de hoje, vem cumprindo fielmente o papel que lhe foi destinado, participando ativamente dos trabalhos da Academia Sergipana de Letras. Esse importante núcleo de difusão cultural reúne hoje escritores, poetas, memorialistas, jornalistas e agentes culturais, que vêm atuando de forma intensa e consistente, preservando e divulgando a Literatura e outras manifestações correlatas. Lançamento de livros, palestras, feiras de livros, cursos e seminários, artigos em jornais, são eventos com participação ativa de membros do MAC. A importância desse movimento cultural, no cenário acadêmico, foi confirmada, de forma unânime, com a eleição e posse de alguns de seus antigos integrantes, para cadeiras acadêmicas, dentre eles, Marcos Almeida e Marlene Calumby, já referidos, José Lima Santana, Acelino Guimarães, Domingos Pascoal, Luzia Nascimento, Benvindo Sales e Ligia Pena, os dois últimos de saudosa memória.
  Gostaria de dizer, ilustre Presidente, que a existência do Movimento Cultural Antonio Garcia, seu crescimento e consolidação, ou seja, de um MAC tão pujante, deve-se em grande parte ao apoio irrestrito que Vossa Senhoria sempre dispensou à confraria.
  A homenagem prestada ao Dr. Antonio Garcia, com a colocação do seu nome no MAC,  após o seu falecimento em 1999, foi gesto de grandeza e reconhecimento pela atuação do médico e professor à frente da Academia nos seus 15 anos de mandato.
  Professora Jane Nascimento, nossa atual coordenadora, agradeço o convite para participar dessa solenidade, seguramente o menos qualificado para fazer uso da palavra. E peço permissão, de novo,  para encerrar minha participação,  recitando o poema Perfil Sereno da Humanidade.
   “ Não te conheço nas guerras, / quero sempre ver a paz, / sinto-me muda, sem fala, / quando assim não satisfaz, / quero senti-la perfeita / num folguedo de abraços, / de seres irradiantes / em um verdadeiro entrelaço.
  Oh! Humanidade vibrante, / não deixes em ti me enganar, / se és talvez diferente, / esconde de mim teu semblante / e faze-me conformar. / Acaso outra face tens? / Transforma o pranto de dor / em águas claras do bem”.

Vida longa ao MAC!

Muito obrigado!

Discurso que pronunciei na Academia Sergipana de Letras, em sessão solene comemorativa dos 31 anos do MAC, ocorrida nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2015.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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