Discussão turística

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Ainda hoje Sergipe não descobriu a formula mágica para atrair turista. A presença de pessoas de outros Estados ou paises em Aracaju e cidades do interior, que têm algum atrativo para mostrar é praticamente zero. Uma pesquisa realizada, recentemente, por uma empresa do Recife, para todo o Nordeste, com o objetivo de servir para avaliação ao trade nacional, mostrou que, de janeiro até abril, nenhum hóspede de hotel em Aracaju estava na cidade como turista. Todos vieram a negócios. Evidente que isso não é culpa de ninguém, mas a política do setor para Sergipe não teve uma estrutura de base, para preparar os habitantes das cidades a conviver com pessoas que buscam atrativos fora de seu habitat natural. Sergipe não tem vocação para o turismo. Tanto que não existe um receptivo atraente. Tudo é um pouco acanhado. As praias não mereceram o toque mágico da natureza e a culinária não passa de um caranguejo sem variações. Além disso, não se dá valor às suas tradições e nem à cultura nativa, para promover uma corrida de pessoas, atraídas pela belezas dos seus prédios coloniais, igrejas antigas ou pela riqueza do seu folclore. Ninguém, mas absolutamente ninguém, virá da Europa, ou mesmo de Alagoas, ou se quiser, de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, para se deleitar com as orlinhas de Poço Redondo ou de Gararu. É possível que a miséria da região atraia mais curiosos e o local onde Lampeão e seu bando foram mortos, na localidade de Angicos, seja um ponto de maior visitação, desde que se faça uma divulgação dessa chacina que ainda hoje serve de discussão para estudiosos. Temos o São João. E daí? O Nordeste todo tem. Mesmo assim, Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, no agreste pernambucano, são as duas cidades que mais atraem turistas neste período, merecendo, inclusive, uma ampla cobertura das mais importantes emissoras de televisão. Os festejos juninos de Campina Grande e Caruaru estão para o turista nas mesmas proporções do carnaval que se brinca na Bahia, Olinda e Rio de Janeiro. Ou mesmo na pequena Parentins (PA) onde os bois Caprichoso e Garantido atraem milhares de turistas. Tantos que superam a própria população da cidade. E por que o São João de Sergipe trás uma multidão de turistas, como faz Campina Grande e Caruaru? Simples: esses festejos, em que se armam palanques para cantores nacionais e conjuntos importados do Ceará exibirem os mesmos espetáculos que fazem várias vezes ao ano, em todos os pontos do país, não atraem mais ninguém. Por duas razões: a chuva permanente no período e por não existir nenhuma outra atração que ocupe o turista. Quem vem a festa quer festa, e um ilustre cidadão que vem de Santa Catarina para um festejo junino, em qualquer cidade do Nordeste, não pensa em encontrar shows de artistas que costumeiramente assiste na televisão ou em sua própria cidade. O turista quer 24 horas de atração. Quer novidades. Quer ver como se faz o São João no interior. Mas não é nos centros urbanos de cidades bem estruturadas. Seria em pequenos lugarejos, com casas de farinha, forró de pé-de-serra, comidas típicas feitas na hora, bebidas regionais, casamentos matutos, quadrilhas, arte popular relacionada com a época, carne-do-sol, pamonha, frutas da região, enfim, toda essa fartura de folguedos e culinária que é desconhecida de quem mora em outras regiões. Vir a Sergipe tomar uísque, cerveja, comer filé, assistir Elba Ramalho e tomar banho de chuva, sinceramente, é programa de índio. Por que não estilizar uma grande área, com todos esses atrativos, e fazer um São João tal e qual o turista imagina, com funcionamento 24 horas? É preciso repensar o turismo sergipano. Repensar na base. De forma estrutural. Qual o atrativo do verão? Nesta estação, a mais atraente para o turista vir ao Nordeste, é preciso oferecer algo mais do que nada. Em Fortaleza, só para dar um exemplo, tem gente que ganha dinheiro com um jegue de óculos escuro, chapéu, lenço no pescoço e sapato. Uma fotografia ao lado do animal custa R$ 5,00, uma voltinha em seu lombo o sujeito paga R$ 10,00. É fila de gringo para essa atração que, se fosse aqui, o dono do jegue seria taxado de idiota e, talvez, preso por exploração ao turista. Um passeio de jangada ao alto mar, com quatro pessoas, custa R$ 15 reais por cabeça. Já andar montado na carroceria de um caminhão, tipo pau-de-arara, o turista paga R$ 5,00. O que tem de gente do Brasil inteiro para usar todas essas coisas que a nós consideramos ridícula, não está no gibi. Andar de bugre, então, é uma doideira. O sujeito escolhe descer as dunas com ou sem emoção. A segunda opção é uma espécie de esporte radical livre, onde o veículo sobe e desce, em parafuso, as mais profundas ondas. O estômago sai pela boca, na mais pura adrenalina. Em tudo isso corre muito dinheiro e atrai muita gente a Fortaleza, além das casas de forró que dobram a noite com diversas atrações e a culinária bem ao gosto de quem está cheio de comer filé a parmegiana ou pizza. Sergipe ainda não descobriu os seus valores turísticos e está na hora de abrir as portas para essa discussão, porque no ranking nacional já estamos perdendo para o Piauí, que descobriu o delta do Parnaíba e faz um razoável sucesso no mês de julho. MACHADO Em discurso proferido, ontem, na Câmara Federal, o deputado José Carlos Machado critica o que ele considera uma “discrepância brutal”, a reforma tributária no que se refere à cobrança do ICMS. A reforma determina que, para os produtos industrializados, “caberá ao Estado de origem o imposto correspondente à aplicação da alíquota interestadual”. ENERGIA Entretanto, nas operações com energia e petróleo, a reforma delibera que o “imposto devido caberá integralmente ao Estado de localização do destinatário”. Como Sergipe produz energia e petróleo, pela reforma estará preterido de acelerar seu desenvolvimento, porque não pode se beneficiar do imposto daquilo que produz melhor. AMARGAS O deputado José Carlos Machado também considerou amargas as palavras do presidente Lula, quando esteve em Aracaju, que colocou a culpa do atraso do Nordeste às elites da região. Machado lembrou que a seca no Nordeste é eterna como a neve no Canadá e se a região ainda hoje se apresenta viável é pelo trabalho integrado, realizado pela junção de forças de todas as classes atuantes na região, sejam de quais elites forem. ALBANO Em contato informal com Plenário, o ex-governador Albano Franco disse que está participando muito pouco de qualquer ação política no Estado. Revelou que tem se dedicado mais com membros de sua família, que merecem atenção especial neste momento. Por enquanto, está apenas observando em silêncio. CARLOS BRITO O jurista Carlos Britto, indicado pelo presidente Lula para ministro do STF, visitou ontem vários senadores, acompanhado da bancada de Sergipe em Brasília. Às 18, Carlos Brito ao lado da bancada e do governador João Alves Filho conversou com o presidente do Congresso, senador José Sarney. O encontro foi agendado por João. TODOS Carlos Brito reconheceu, ontem, que os políticos sergipanos se integraram em sua indicação, independente de partidos, mas em defesa de um nome do Estado para o STF. O jurista sergipano será sabatinado hoje e acha que as perguntas devem vir sobre a reforma do judiciário e dívidas sobre a própria constituição. AFINADO O Partido Liberal em Sergipe está afinado com o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT) e aposta firme em sua administração. Segunda-feira passada, no programa de televisão do PL, Déda utilizou alguns minutos para falar sobre o seu trabalho à frente da Prefeitura de Aracaju. GRUPO O deputado federal Heleno Silva admite que a composição para as eleições municipais de 2004 já está formada. Será com PT, PCdoB, PL, PTB e PSB. Heleno diz que não sabe até onde o PSDB pode integrar o grupo, em razão da verticalização. Por enquanto os tucanos ficam de fora. TV-CIDADE O empresário Adierson Monteiro disse, ontem, que estão em fase final as negociações para compra da TV-Cidade. Faltam documentações e acertos para pagamento. Ele não revela preço. Adierson nega qualquer participação do empresário José Amorim, genro do governador João Alves Filho. Até ironiza: “estou mais para maçã do que para laranja”. INVEJOSOS Adierson diz que os boatos da parceria partem de alguns “invejosos que não sabem trabalhar” e volta a ironizar: “notícia ruim não dá em terras improdutivas. Como sou produtivo”. O empresário revela que gostaria da parceria com Amorim, inclusive na Progresso, desde a sua fundação, há 40 anos, em Alagoas. FLORO Até o momento a Justiça não conseguiu arrancar absolutamente nada de Floro Calheiros sobre o assassinato do deputado estadual Joaldo Barbosa. Ele nega absolutamente tudo… Uma bem avisada fonte policial disse que podem pegar Floro em outros crimes, menos neste de Joaldo. Nos telefones, inclusive, não existe uma única ligação para ele. LAVAGEM Floro Calheiros, inclusive, mexia com altas quantias e pode-se chegar a lavagem de dinheiro. Só de empréstimo ele tinha R$ 7 milhões em circulação, através de Factory. Em sua casa, foi encontrado um grande número de cheques de Prefeituras do interior da Bahia. Só da cidade de Mucuri tinha um no valor de R$ 1 milhão. COMPUTADOR A Polícia não sabe se existem cheques de Prefeituras de Sergipe. O programa do seu computado só foi aberto de 2001 para cá. Dos anos anteriores não se sabe nada… Um detalhe interessante: o programa do computador dele não abre em outro aparelho. Ficava travado. Há utilização de várias senhas. BANESE A agência do Banese em Propriá tem uma nova gerente, Tânia Garcia de Araújo, que assumiu no sábado em solenidade que contou com a presença do presidente Jair Araújo. Durante o seu discurso, Jair Araújo disse que a agência de Propriá teria um bom desempenho, porque “as mulheres são mais criativas que os homens, inclusive para vencer dificuldades”. Notas BOSCO O deputado federal Bosco Costa (PSDB) disse ontem que embora o trabalhador rural mereça o descanso com remuneração, depois de certa idade, tem que se entender que ele não contribui com a Previdência Social, para ter o direito à aposentadoria, por isso tem que se encontrar meios para garantir a aposentadoria desse segmento. Bosco Costa, que é um homem do agreste sergipano, sugere que essas aposentadorias, que são merecidas em razão do trabalho incansável desenvolvido e precisam ser realidade, saia da união, através do programa voltado para esse setor. FOME ZERO No discurso que fez ontem, o deputado federal José Carlos Machado deu sugestão ao presidente Lula sobre o Fome Zero: “mande-nos indústria, estabeleça-se política diferenciada para o setor agrícola nordestino – tal como faz a União Européia – fortaleça-se o comércio e o setor de serviços e teremos onde trabalhar o que comer, onde morar e viver com decência”. Machado pede uma campanha agressiva de marketing solicitando empresas para o Nordeste, que se restabeleça a Sudene, depurada dos vícios, sem teorias, sem propostas, mas a prática de ações que promovam o desenvolvimento do Nordeste. SUCESSÃO Embora as lideranças políticas estejam vendo como muito cedo para tratar sobre sucessão municipal, todos podem ter certeza que nas cidades do interior esse é o assunto predominante. Já tem gente trabalhando intensamente para isso e, em função de candidaturas, já ocorreram até trocas de tiros. O interior já ferve em relação a candidaturas. O próprio governador João Alves Filho já está começando a identificar os melhores nomes que possam ganhar as eleições em cidades importantes do interior, principalmente aquelas que asseguram bom número de votos. É fogo O governador João Alves Filho viajou, ontem, as 14 horas, para acompanha o jurista Carlos Brito na audiência com o presidente do Congresso, José Sarney. Os deputados federais por Sergipe também estão trabalhando, junto aos seus partidos, para que aprovem o nome de Carlos Brito para o Supremo. Ontem, pela manhã, o jurista Carlos Britto disse que só vai se imaginar ministro depois da sabatina no Congresso Nacional. O chefe da Casa Civil, Flávio Conceição, está fazendo tratamento intensivo de hérnia de disco, se não suportar deve fazer cirurgia. Já o governador João Alves Filho vem mantendo sessões de fisioterapia para hérnia de disco, mas não sente dores que o impeçam de trabalhar. O deputado federal Jackson Barreto deve reunir a cúpula do PTB, na próxima semana, para iniciar o trabalho de formação de Diretórios em vários municípios. A deputado Ana Lúcia (PT) foi quem enviou requerimento à Comissão de Ética, para que seja apurado o episódio do seu colega João da Graça, que foi autor de disparos de revolver contra um adversário. Segundo um dos parlamentares, a ação de Ana Lúcia teria sido porque o deputado João da Graça se recusou a votar em um documento de sua autoria. O Conselho Estadual de Saúde promoverá uma reunião em Japoatã, para um debate amplo sobre os problemas naquela região. O deputado Bosco Costa (PSDB) diz que não pode atribuir aos Governo João Alves Filho os problemas de Sergipe, porque algumas questões se arrastam de administrações passadas. Pedro Barbosa, irmão do ex-deputado estadual Joaldo Barbosa (PL) esteve, segunda-feira, na Assembléia Legislativa, assistindo à sessão. O deputado federal Heleno Silva (PL), que participou da sessão especial de discussão da reforma da Previdência Social, segunda-feira, na Assembléia Legislativa, saudou Pedro Barbosa. O ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, visitará Sergipe amanhã. Será levado à cidade de Porto da Folha. brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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