Do fisiologismo ao isolamento de JAF

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Ninguém duvida da liderança do ex-governador João Alves Filho em Sergipe. Mesmo com as últimas declarações dele, que causaram polêmica na imprensa e na classe política, João Alves é o único político da oposição hoje em Sergipe, capaz de reunir condições de vencer uma disputa contra Marcelo Déda em 2010. O resto é conversa para boi dormir.

Com três mandatos como governador de Sergipe, João Alves elegeu a esposa, Maria do Carmo, duas vezes para o Senado Federal e tem serviços prestados aos sergipanos. Se o tempo dele já passou, essa é outra história que caberá ao eleitorado decidir em 2010. Nesta data, daqui há um ano, alguns estarão de ressaca pela vitória e outros com dor de cabeça pela derrota.

Como bem escreveu o mestre Ivan Valença no último final de semana no JC, o que se viu nos últimos dias foi um troca-troca de partido por conta do prazo eleitoral, cujo o principal objetivo foram os interesses particulares. Ninguém pensa em um projeto maior de governo. Até mesmo os aliados de Déda não pensam no macro, na consolidação do projeto, vide, por exemplo, o bloco formado pelo empresário Amorim, que seguirá as orientações dele, independente se ficar com Déda ou João. O negócio é resolver os problemas particulares e até empresariais. E ponto final.

E do lado da oposição o que se vê é o fisiologismo político enraizado com a cultura da rejeição e do isolamento daquele que não está no poder. A entrada de Fábio Reis no PMDB, para viabilizar sua eleição a Câmara dos Deputados, mostra que a seriedade e até mesmo a gratidão passa por longe no dicionário de alguns políticos.

  João Alves Filho deve meditar muito, e ao ver os “neo-aliados” do bloco governista começa a ter razão em chamar parte da classe política de “mamateira”. João, que foi governador por três vezes deve ter nos seus arquivos as nomeações de políticos e parentes que hoje são “companheiros” do bloco governista.

 E o pior de tudo que a culpa maior não é da classe política, que nada de acordo com a maré do poder. É de fatia significativa do eleitorado que critica, briga, mas quando pode dar o troco, em 2010, troca seu voto por qualquer coisa. E depois passa três anos e meio chorando…

Se for para o Senado, JAF terá voto dos  “neo-dedistas”

Estas dezenas de lideranças políticas que votaram em João Alves e hoje estão apoiando o governo estadual torcem para que o ex-governador seja candidato ao Senado Federal. Aí vão mostrar “gratidão” e votarão nele para Senador. Ou seja, o inchaço do governo de coalizão causará sérios problemas nas eleições 2010.  

 

Déda pode perder em Lagarto

Não se engane, parece que o governador Marcelo Déda não aprendeu em 2006. Antes das eleições, Déda disparava nas pesquisas em Lagarto, mesmo sem o apoio dos Ribeiros e dos Reis. Tinha apenas o apoio do PT e pequenas lideranças, mas venceu tranquilamente. João, com o apoio de todos perdeu. Agora é o contrário. Ninguém duvide se Déda perder em Lagarto, lá a política não tem meio termo…

 

Nova operação derivada da Navalha I

Nos bastidores da política de Sergipe comenta-se o release enviado a imprensa pela assessoria do MPF de Sergipe na semana passada, sobre um processo contra André Moura, no seguinte parágrafo: “O relator do processo no TRE/SE é o juiz Juvenal Francisco da Rocha Neto, a quem coube a análise mais detalhada do processo. O procurador lembra ainda que algumas conversas interceptadas na Operação Navalha mostraram Flávio Conceição e José Edvan do Amorim tentando influenciar no julgamento do TRE. “Isso é crime, não podemos tolerar esse tipo de ingerência”, declarou o membro do Ministério Público Federal”.

 

Nova operação derivada da Navalha II

O comentário é que antes das eleições de 2010 poderá ser deflagrada uma nova operação da PF em Sergipe, que mostrará graves ligações e influencias de políticos com autoridades importantes.  Este jornalista está novamente ouvindo todas as gravações da Operação Navalha e vai publicar para os leitores algumas delas que dizem respeito aos bastidores da política em Sergipe.

 

Hércules, Clóvis e a batalha dos sergipanos I

Na Mitologia Grega, no Mito de Hércules, a sua luta com a Hidra de Lerna – um de seus trabalhos – representa fielmente a luta do ser humano com as energias mais profundas (plutônicas) que há dentro si e, como o próprio Hércules, quando ocorre o enfrentamento com o monstro, no final, recebe sua recompensa.Hércules ao lutar com a Hidra – monstro imerso no Pântano de Lerna – monstro de três cabeças – recebeu a orientação que precisava trazer à tona cada uma delas, mas no desespero da batalha começou a decepá-las, porém a cada cabeça que cortava, ali nasciam outras três e, assim, iam se multiplicando as cabeças e, conseqüentemente, a força do monstro, até que, num dado momento, Hércules lembrou-se da orientação recebida e começou a trazer à luz cada uma das cabeças e, uma a uma, foram murchando, até que, por fim, ao trazer a última à luz surgiu dali uma grande pedra preciosa, sua recompensa.

 

Hércules, Clóvis e a batalha dos sergipanos II

Desde a última quinta-feira, 01, o conselheiro do Tribunal de Contas, Clóvis Barbosa, resolveu seguir a orientação dos amigos, e assim como Hércules, cansou de ver o monstro emergir das sombras, como se fosse o senhor da razão. Disse Clóvis em entrevista ao JC: “Não verifiquei nenhuma irregularidade insanável, e ouvir dizer que o processo as tinha. Por conta disso, resolvi continuar exercendo a minha atividade como conselheiro, aguardando a decisão judicial. Vamos ficar até o final”, garantiu. E Clóvis Barbosa resolveu enfrentar a fera Flávio Conceição de frente, lembrando o episódio que o conselheiro afastado foi preso acusado de integrar um esquema de corrupção investigado pela Operação Navalha e que feriu a imagem do TCE: “Flávio quis causar tumulto e chegou a ser agressivo contra o presidente do TCE, Heráclito Rolemberg”, disse Clóvis ainda na entrevista ao JC.

Hércules, Clóvis e a batalha dos sergipanos III

Assim como Hércules, esta luta para se manter no Tribunal de Contas, demonstra que Clóvis Barbosa não tem medo do embate. Aliás, a sociedade sergipana deve refletir o que está em jogo neste momento: é analisar cada um e cobrar de seus deputados uma posição clara. A luta de Clóvis é a luta em defesa da moralidade e da ética. E ao final desta luta, espera-se que estes atributos sejam vitoriosos, para o bem, não só do TCE, mas principalmente da sociedade sergipana.

Praça do Mini-golfe

O blog recebeu a informação de que a reforma da praça Getúlio Vargas, conhecida como Mini-golfe, na rua da frente, está sendo adaptada para abrir dezenas de vagas de estacionamento a pedido da OAB, que funcionará numa casa histórica, ao lado da praça. O blog não acredita que a Prefeitura vai tirar o espaço da praça para criar estacionamentos. Vai tentar acessar o projeto junto a Emurb.

 

Projeto Águas de Sergipe

O Governo do Estado de Sergipe, estará recendo no próximo período de 05 a 09 de outubro mais uma missão do Banco Mundial para preparação do Projeto Águas de Sergipe. Acordo de empréstimo com assinatura prevista para junho de 2010, aonde serão investidos cerca de U$117,125 milhões de dólares em ações voltadas para o fortalecimento institucional da gestão de recursos hídricos, irrigação e saneamento ambiental, principalmente na bacia hidrográfica do rio Sergipe . Este trabalho esta sendo coordenado pela SEMARH/SRH (ADEMA,SQS,SBF) em parceria com a SEPLAN, SEAGRI (COHIDRO e EMDAGRO), SEINFRA(DESO) e SEDETEC(ITPS).

 

 

Justiça do Trabalho terá novo horário a partir de janeiro

O Tribunal do Trabalho de Sergipe terá novo horário de funcionamento a partir de janeiro de 2010. As mudanças foram aprovadas durante sessão administrativa realiza pelo Tribunal Pleno. A decisão tem entre seus objetivos a melhoria da segurança dos usuários da instituição, a redução de gastos com energia elétrica, a compatibilidade com o horário de funcionamento das Varas do Trabalho do interior e o agendamento das pautas de julgamento uniformemente para o turno da manhã.

 

Resolução aprovada I

A resolução aprovada estabelece que os órgãos jurisdicionais e demais unidades localizados na capital funcionarão de segunda-feira à quinta-feira, das 7h30 às 15h30, e na sexta-feira, das 7h30 às 13h30. O atendimento de protocolo integrado desenvolvido pela Coordenadoria de Cadastramento e Distribuição de Aracaju (CCD1) e pela Coordenadoria de Cadastramento e Distribuição do Tribunal (CCD2) será realizado, em regime de prontidão, a partir das 15h30 até 17h, de segunda-feira à quinta-feira.  As varas localizadas no interior funcionarão de segunda-feira à sexta-feira, das 7h30 às 14h30.

 

Resolução aprovada II

Além dos desembargadores do TRT Maria das Graças Monteiro Melo (presidente), João Bosco Santana de Moraes, Carlos Alberto Pedreira Cardoso, Josenildo dos Santos Carvalho, Augusto César Leite de Carvalho e Jorge Antônio Andrade Cardoso (vice-presidente), participaram da sessão administrativa a procuradora Vilma Leite Machado Amorim, da PRT/20, o presidente da OAB, Henry Clay Andrade, o juiz Antônio Francisco de Andrade, representante da AMATRAXX e os servidores José Cleonâncio Macêdo, presidente da ASTRAXX e Evandro da Silva Barbosa. O desembargador Carlos de Menezes Faro Filho, na época em período de férias, enviou seu voto ao Tribunal.

 

Lula dá redução de imposto para 4.000 rádios no interior

Depois de aumentar de 499 para 5.297 o número de veículos de comunicação que recebem verbas de publicidade estatal federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agora resolveu conceder uma redução de imposto para cerca de 4.000 emissoras de rádio no interior.A decisão faz parte da lei eleitoral sancionada por Lula na última terça-feira. O benefício fiscal será dado na forma de ressarcimento a essas pequenas rádios como compensação pelo tempo que cada uma cede para propagandas partidárias e eleitorais. Hoje, esse tipo de dispositivo só é facultado a empresas de radiodifusão -rádio e TV- de grande porte.Embora a lei tenha sido elaborada no Congresso, Lula autorizou explicitamente essa iniciativa. (FSP).

 

ORSSE apresenta “As Quatro Estações”, de Vivaldi

Na quinta-feira, 08 de outubro, a Orquestra Sinfônica de Sergipe, sob a batuta do maestro Guilherme Mannis no Teatro Tobias Barreto, recebe dois grandes mestres da música: o violinista Daniel Guedes e o violoncelista Antonio Lauro Del Claro. Mantida pelo Governo do Estado através da Secretaria de Cultura, a ORSSE desempenha papel fundamental de aproximação do público com a música de qualidade e a descoberta de um novo e rico lazer na cidade de Aracaju e outras cidades. Todos os concertos tem o patrocínio do Instituto Banese.

 

Seis concertos em outubro

No mês de outubro a agenda da ORSSE está movimentada como explica o Maestro Guilherme Mannis: “Neste mês de outubro teremos ao todo seis concertos dos quais dois no interior do estado através do projeto Orquestra na Estrada, um em homenagem aos professores no Espaço Unit e três no Teatro Tobias Barreto para o grande público. Os aplausos e elogios que recebemos constantemente demonstram que a música compensa qualquer sacrifício. Os músicos se esforçam bastante para dar o melhor de si e gostaríamos de que nossas apresentações fossem sempre bem assistidas pela nossa comunidade. É a garantia de uma satisfação ímpar para ambos os lados: orquestra e ouvintes são como uma fórmula mágica que se completam; precisamos deles e eles precisam de nós, e estamos aqui para isso”, completa o Maestro.

 

DO LEITOR

21 anos da Carta Magna. Uma comemoração tímida, mas livre

Do leitor Luis Felipe Araujo: “Hoje, 05/10/2009, a Carta Magna brasileira comemora 21 anos, sem muito a comemorar. Decerto que a “Constituição Cidadã”, assim chamada pelo grande Ulysses Guimarães, trouxe enormes avanços para um país que saía de um regime de Tutela Militar. No texto, tudo quase perfeito. Mas, na prática, assistimos diariamente a um festival de desrespeitos para com a nossa constituição. Faz-se questão de ressaltar o princípio da isonomia, presente no Art. 5, que garante a igualdade de todos perante a lei, mas ao mesmo tempo deixamos correr frouxa determinadas prerrogativas dadas aos “detentores” do poder. Foro privilegiado, regalias apenas luxuosas e status de não ser um “cidadão comum” são algumas das formas de discriminação permitidas por lei. Sem objetivar tirar a importância daqueles que nos representam, é incontestável que haja benefício para a classe da elite. Não podemos ficar resumidos a apenas um artigo, embora ele seja a base de todos os outros.O que falta no Brasil é um judiciário competente a ponto de julgar, com a exigida força e imparcialidade, todos de forma igual. Não podemos admitir que continuem havendo regalias excessivas em pleno período democrático no Brasil.Apesar das disparidades, agradeço à Constituição por poder manifestar livremente minha opinião aqui. Parabenizo mais uma vez nossa Carta Magna pelos seus 21 anos em garantia de direitos para os cidadãos brasileiros”.

 

Som alto

De um leitor devidamente identificado: “Sábado, 03.10.09, aproximadamente às 19 horas, na praça próxima a igreja da Luzia existiam dois veículos com os sons ligados na maior altura, perturbando a tranquilidade das pessoas que moram nos arredores. Liguei diversas vezes para o 190, fui muito bem tratado pelos funcionários, contudo sempre perguntavam se eu estava disposto a ir até uma delegacia junto com os policiais prestar queixa por se tratar de um crime, como se fosse pré-requisito para rapidez no atendimento,  imediatamente sempre respondia que não pois era só enviar a viatura que a própria polícia constataria o fato e não iria colocar minha integridade em risco, afinal polícia já atirou em polícia por causa de som alto”.

 

Capela: população consciente e indignada

E-mail recebido: “O prefeito municipal de Capela, Manoel Messias Sukita Santos (PSB), estará embarcando nas primeiras horas desta segunda-feira, 05, em companhia da primeira dama, Silvany Yanina Mamlak, rumo à São Paulo/SP, para visitar o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), que se recupera de uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pâncreas .O socialista, que suspendeu todos os compromissos de agenda, seguirá direto para o Hospital Sírio Libanês, onde está Déda. Em Capela, Sukita deixa uma população consciente e indignada com a já anunciada greve de alguns professores que compõem a rede municipal de ensino.No último sábado, 03, Sukita realizou ato público, numa das praças da cidade, no qual expôs à população, resumo da aplicação do FUNDEB 2009, dentre outras informações relacionadas à Educação no município”.

 

Êta Lagarto !!!   Ufaaa!!!

Comentário de Luiz Santos Silva: “Lagarto hoje volta aos velhos tempos da péssima administração pública; Cabo Zé Ribeiro  X  Valmir, brigam que só, um querendo ser mais que o outro, e lá vai desgraças políticas na cidade que já foi respeitada há 12 anos. Lagarto vive numa estrangulada Saúde pública, como nos tempos do Cabo Zé Ribeiro; Educação municipal uma nulidade, sem merenda, sem materiais escolares, diretores de escolas sem a mínina educação para educar, etc.; Segurança mais pra lá do que pra cá, Lagarto precisa e muito de segurança, policiais nas ruas e não de carros pra cima e pra baixo, gastando gasolina do Governo Estadual e Federal, precisamos é de polícia nos bairros e comunidades; E para completar vêm lá o que “estar Prefeito”, Valmir falando em uma emissora de seu próprio aliado, dizendo: “Esses eleitores porque votaram em mim, querem emprego, esses “Filhos da Puta”; verdade que falou, sim! Agora com o desrespeito a Cabo Zé Ribeiro, porque foi em sua emissora e muito mais ainda a toda família lagartense que votaram nele para mudança. Que mudança ? Mudança da falta de educação, falta de saúde, de segurança e agora difamando as famílias. Tenho certeza que o Governador Déda se arrepende de não ter apoiado um homem de família, de caráter(LILA FRAGA), sei que sua Excia. está arrependido de ter apoiado um candidato destrambelhado, que tem que fazer um tratamento urgente “psiquiátrico”. Eu acho, que o Valmir só pensa em carros da formula 1, oh! seus filhos e ele próprio só usam carros importados “caríssimos”. Tribunal de Justiça aqui em Lagarto o NEPOTISMO é muito mais do que na outra cidade de Sergipe, aqui são irmãs, filhos, primos, cunhados, concunhados, e haja parentes, por isso não sobra dinheiro para fazer obras, tapar buracos. Sabem o que o prefeito faz? Pintar, pintar e pintar paredes, meios fios, aqui é conhecido como “O PINTOR”, parece até aqueles filmes: O Traidor, O Justiceiro, O Pugilista, etc.  Chega de tanta ignorância, o povo tem que sair às ruas, denunciar na Justiça, pedir cassação desse Prefeito, não tem condições, basta os seus aliados de outras cidades ajudando a administrar, ou seja, atrapalhando, e agora diz que vai demitir cerca de 250 funcionários públicos. Será que é para pagar a conta do DESO que está devendo de sua casa na Rua Presidente Kennedy e fundos para Rua Major Misael Mendonça que entrou em Leilão e já foi arrematada?  É, Lagarto vive numa situação deplorável, pois, quem vive de promessa é Santo.  Falar em santo outro dia escreverei do Pe. Raimundo que trocou com o Valmir um terreno para pintar a parte externa da Igreja matriz e suas tendências políticas, tá!!!”

 

Homenagem a Mercedes Sosa – artigo do cantor Fagner

Mercedes era mais que “voz do protesto”

Artigo do cantor Raimundo Fagner publicado na FSP de hoje, 05: Nenhum outro artista argentino, a não ser Astor Piazzolla, conseguiu fazer uma agenda mundial, um nome internacional como Mercedes Sosa. Era uma cantora extraordinária. Quando se engajou politicamente, acabou entrando em um beco sem saída. Não podia mais ficar em seu país, foi exilada, e isso prejudicou demais sua carreira por lá. Muitos dos artistas que militaram com ela voltaram atrás quando as coisas apertaram.

Ela foi embora sozinha. Começava ali uma fase de grande sofrimento. Mais ainda por ela ser mulher e estar já em idade avançada. Mercedes entrou bonito no Brasil, ainda nos anos 70, quando fez gravações emblemáticas com Chico Buarque e Milton Nascimento. O símbolo de resistência contra o regime que ela trazia da Argentina coincidia exatamente com o tipo de música que vínhamos fazendo. Virou um lamento só, o nosso e o deles.

Conheci Mercedes em 1981. Gravamos a música “Años” para um disco meu. E foi ali que ela alcançou o povão. Escolhi essa justamente por ser uma canção de amor. Queria que ela saísse do estereótipo de “cantora de protesto”. Ela, no começo, não entendeu bem. Eu brincava, dizendo que sua voz era a mais linda do mundo, que tinha que cantar como Ângela Maria.

Àquela altura, eu já cantava muito mais para o povão e, para tê-la comigo, ela teria que vir com uma mensagem mais leve. As questões da América Latina já não nos interessavam mais. Como as coisas estavam se esvaziando muito politicamente, as pessoas não a procuravam mais. E ela se ressentia disso. Sofreu muito pela bandeira que levantou e, depois, teve que carregar sozinha. Ficamos muito tempo juntos em Madri, durante seu exílio. Ela sofria demais com aquilo tudo, tinha crises de depressão.

Como gostava muito de música brasileira, tentamos produzir um disco seu aqui. Mas acabou não acontecendo. De todo modo, Mercedes creditava a mim a forma como foi recebida de volta à Argentina. Dizia que, por conta de “Años”, pôde voltar a seu país -e à parada de sucessos no rádio- com uma canção que não era de protesto. Era uma música de amor. Agora, sua obra de resistência pode voltar a ter uma visibilidade maior. Raimundo Fagner, é cantor e compositor.

 

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Frase do Dia

“Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergonha, que ao verem a chance de chegar ao poder esquecem os compromissos com o povo”. Leonel Brizola.

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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