Doenças reumáticas: grandes desconhecidas de parte da população

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Um cavaleiro jura bravura;

seu coração só tem virtudes;

sua espada defende os oprimidos;

seu poder apóia os fracos;

sua palavra só fala a verdade;

sua fúria destrói a maldade! (anônimo)

Calcula-se que as doenças reumáticas já afetam 6% da população ou aproximadamente 12 milhões de brasileiros, elas  afetam homens e mulheres, jovens e idosos, mas o público ‘preferido’ é formado por mulheres entre 20 e 60 anos, sendo as mais comuns a lúpus, osteoporose, fibromialgia e artrite reumatóide, além do que as principais estatísticas indicam que as doenças reumáticas são a principal causa de afastamento do trabalho em nosso País.

Outros dados importantes  com relação às mulheres é que podemos inferir que por exemplo: A artrite reumatóide é pelo menos duas a três mulheres para cada homem, além disso no caso da osteoporose,  a cada fratura que ocorre em 1 homem aparecem 13 em mulheres, e de cada dez pessoas com fibromialgia ou lúpus, nove são mulheres, por isso  as mulheres devem ficar atentas a alguns fatores de riscos entre os quais história familiar de doença reumática, idade avançada, obesidade, tabagismo, traumatismos, entre outros, e observar que percebidos os primeiros sintomas de doenças reumáticas (dor, inchaço e rigidez nas juntas),o individuo deve procurar o serviço médico o quanto antes

A diferença das doenças reumáticas, diferentes de algumas silenciosas como a hipertensão e diabetes, por exemplo, devem ser sinalizadas pelo próprio paciente que pode identificar os primeiros sinais como dor e rigidez ao fechar os dedos das mãos, elevar os braços ou levantar-se de uma cadeira, por isso se a doença for descoberta logo no início e o paciente tiver tratamento adequado, ele pode seguir com uma vida normal e diminuir assim os riscos de incapacidade física.

Osteoporose

É uma doença que pode atingir todos os ossos do corpo, fazendo com que fiquem fracos e com possibilidades de quebradura ao mínimo esforço, sendo que os principais tipos são: osteoporose pós-menopausa, osteoporose senil, osteoporose secundária.

É uma doença sorrateira, insidiosa e sem sintomas específicos, devemos observar que há um conjunto de fatores que influenciam e favorecem o desenvolvimento da osteoporose, que são: menopausa, envelhecimento, hereditariedade, dieta pobre em cálcio, excesso de fumo e álcool, imobilização prolongada e até medicamentos.

O exame mais adequado para o diagnóstico da Osteoporose é a densitometria óssea, que permite avaliar o estágio da doença e serve como método de acompanhamento do tratamento, trata-se de um exame indolor que mede a massa óssea na coluna e no fêmur.

Lupus Eritematoso Sistêmico ( LES ou simplesmente Lupus )

Trata-se de  uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão, sendo que são reconhecidos dois tipos principais de lúpus: cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos.

Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. Ocorre principalmente entre 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente em pessoas mestiças e nos afro-descentes.

Pelo fato de ser uma doença do sistema imunológico, que é responsável pela produção de anticorpos e organização dos mecanismos de inflamação em todos os órgãos, quando a pessoa tem LES ela pode ter diferentes sintomas em vários locais do corpo, sendo que alguns são gerais como febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo, enquanto que outros são específicos de cada órgão como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação na pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

O tratamento depende do tipo de manifestação apresentada e deve ser individualizado, por isso o individuo pode necessitar de um, dois ou mais medicamentos em uma fase (ativa da doença) e, poucos ou nenhum medicamento em outras fases (não ativas ou em remissão).

Osteoartrite

É  uma doença que afeta as articulações da maioria das pessoas acima de 50 anos de idade, há algum tempo era conhecida na Medicina como artrose, osteoartrite ou osteoartrose, porém no momento o nome universalizado pelos especialistas, é Osteoartrite, o principal motivo, é de que não se trata de uma doença causada apenas pelo envelhecimento, por isso  não se pode dizer que se tem Osteoartrite porque se está velho.

A osteoartrite é um processo de alteração da articulação que tem múltiplas causas e apresenta inflamação, que não é muito intensa, mas contribui para os sintomas que a pessoa apresenta e também para a deterioração da articulação acometida, em sua grande  maioria são as mulheres as que mais sofrem com a Osteoartrite, embora homens também possam apresentar a doença, importante referir que a grande  maioria dos pacientes acometidos por Osteoartrite tem acima de 50 anos de idade.

Fibromialgia

É  uma síndrome clínica que se manifesta, principalmente, com dor no corpo todo, sendo que muitas vezes fica difícil definir se a dor é nos músculos ou nas articulações, sendo que junto com a dor surgem sintomas como cansaço, sono não reparador e outras alterações como problemas de memória e concentração, ansiedade, formigamentos/dormências, depressão, dores de cabeça, tontura e alterações intestinais, é interessante salientar que uma característica do individuo com a doença é a grande sensibilidade ao toque e à compressão de pontos no corpo.

Em nosso País ela é bastante freqüente, ocorrendo em cerca de  2% a 3% da nossa população, acometendo  mais mulheres do que homens, surgindo entre os 30 e 55 anos, apesar de ser  uma condição clinica crônica, e que tem cura ainda conhecida, não é uma doença progressiva, ou seja diferentemente de outras doenças reumáticas, como a Artrite Reumatoide e a Artrose, a Fibromialgia não causa deformidades ou incapacidades físicas graves.

LER

LER é a sigla para “Lesões por Esforços Repetitivos” e representa um grupo de afecções do sistema musculoesquelético, são diversas afecções que apresentam manifestações clínicas distintas e que variam em intensidade. Os distúrbios osteomusculares ocupacionais mais frequentes são as tendinites (particularmente do ombro, cotovelo e punho), as lombalgias (dores na região lombar) e as mialgias (dores musculares) em diversos locais do corpo.É muito importante desmistificar o prognóstico dessas enfermidades, por que ao contrário do que alguns declaram, todos esses distúrbios têm tratamento e, felizmente, os casos mais graves ou que não respondem ao tratamento clínico, podem ser beneficiados por procedimentos cirúrgicos e reabilitação específica.

O tratamento depende sempre do diagnóstico preciso, de corrigir as causas no ambiente de trabalho e de instituir um plano terapêutico adequado, podemos citar que existem diversas modalidades terapêuticas: fisioterapia (eletroterapia e cinesioterapia), medicamentos, infiltrações, órteses (acessórios para fins terapêuticos tais como talas, protetores, cintas, coletes, etc) e reabilitação.

Dor na coluna

Existem várias estruturas que podem causar dor (ossos, articulações, ligamentos, músculos, medula espinhal, nervos) (Ilustração 2) e mais de 70 doenças que podem se manifestar com dor na coluna, como infecções, tumores, traumas súbitos ou de repetição, contusões, luxações e fraturas, erros posturais e sobrecargas, inflamações no local ou sistêmicas.

A gravidade da dor na coluna depende da sua causa,mas sabemos que a sua ocorrência é muito freqüente, ou seja mais de 60% das pessoas sentirão dor na região cervical e mais de 80% sentirão dor na região lombar em algum momento da vida, mas a maior parte é benigna, de resolução em poucos dias, mesmo de forma espontânea (sem tratamento).

Grande parte está associada a posturas inadequadas por tempo prolongado, falta de condicionamento físico, problemas psicoafetivos que levam a contraturas musculares dolorosas, convém salientar que os problemas da coluna costumam dar sintomas na parte de trás do pescoço, a chamada cervicalgia, porém é muito importante frisar que pelas informações de história e exame físico, habitualmente é possível descobrir se a dor deve-se a um problema nas estruturas da coluna ou se há necessidade de investigar outras doenças.

Devemos chamar a atenção que uma parte importante do tratamento é a orientação do paciente em relação às atividades cotidianas, explicando noções de postura e ergonomia e solicitando que evite carregar peso, além da redução do peso corpóreo, pois o emagrecimento auxilia a diminuir a carga sobre a região lombar.

Lembrando também que durante a fase aguda, na presença de dor intensa, o repouso pode ser indicado, mas não é obrigatório e nem interfere sobre o resultado final. Anti-inflamatórios comuns, miorrelaxantes, manutenção da atividade física e reabilitação têm efeitos comprovados na fase aguda.

Febre reumática 

É uma reação a uma infecção de garganta por uma bactéria conhecida como estreptococo, que é caracterizada clinicamente por febre, dor de garganta, caroços no pescoço (gânglios aumentados) e vermelhidão intensa, pontos vermelhos ou placas de pus na garganta, é interessante referir que ocorre principalmente  em crianças geralmente maior de 3 anos de idade,que  poderão apresentar a infecção de garganta como qualquer outra criança e, geralmente, uma a duas semanas depois começa a apresentar as queixas da Febre Reumática.

A manifestação mais frequente é a artrite que se caracteriza por dor intensa, que dificulta o caminhar, e por inchaço e calor discreto, sendo que as articulações mais acometidas são os joelhos e tornozelos, sendo que é muito comum a dor e as outras alterações passarem de uma articulação para outra permanecendo de 2 a 3 dias em cada uma, mas convém lembrar que a simples presença de dor em uma ou mais articulações ou nas pernas e sem as outras alterações (inchaço e calor), não é um sinal da doença.

O  primeiro passo logo que se suspeita desta doença é tratar a infecção de garganta mesmo que ela tenha acontecido 2 ou 3 semanas atrás e isto deve ser feito com a penicilina benzatina em uma única aplicação na dose de 600.000 unidades para crianças com menos de 25 kg e 1.200.000 unidades para aquelas com 25 kg ou mais.

O segundo passo é tratar a artrite com anti-inflamatório não hormonal como o ácido acetil salicílico (AAS) na dose de 80 a 100 mg/kg/dia por 4 a 6 semanas, enquanto que para o tratamento do comprometimento do coração (  que ocorre em alguns pacientes acometidos de FR ) se utiliza em geral o corticóide.

Enfim, é um pequeno passeio panorâmico sobre as doenças reumáticas mais freqüentes no Brasil,portanto  ao primeiro sinal delas procure o seu Clinico ou vá diretamente ao Reumatologista, chamando atenção de que a Osteoporose é uma patologia Endócrina e deve ser preferencialmente acompanhado pelo Endocrinologista.

Uma boa semana com muitas alegrias e muitas Felicidades!!!!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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