Drogas lícitas e alucinógenas.

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Estamos às vésperas de uma nova eleição e o cenário se repete; um desânimo nos invade em total desencanto. Nada nos agrada. Estamos descontentes com tudo; infelizes.

Muita gente saiu às ruas em passeatas febris gritando protesto “contra tudo que está aí”.

Houve até quebra-quebra com glorificação da anarquia anônima e criminosa, em que ônibus foram queimados e automóveis de luxo destruídos na paulada.

Louvou-se a exaustão este ódio coletivo, sobrando para a polícia o ônus da tentativa de manter a ordem, e para um pobre cinegrafista que filmava errado o que não devia ser gravado.

O protesto era contra um aumento de dez por cento na passagem de ônibus e se estendeu contra os gastos na construção dos campos de futebol.

“Não vai ter copa!” – Gritavam os mais afoitos. E parecia que não ia acontecer a Copa do Mundo que o Brasil quisera tanto.

Felizmente nada disso e a anarquia morreu nas vésperas.

Como todo mundo sabe, o protesto de junho de 2013 restou marola em julho de 2014. A “copa das copas” aconteceu, admiravelmente, é bom que se frise; inclusive com a nossa memorável e inesquecível derrota de 7 a 1 para a Alemanha.

Um revés que assisti via TV em Londres, tendo inclusive recebido uma estrepitosa vaia, enquanto brasileiro, em “mineirasso” massacrado; um assunto não importante agora.

Porque agora, o importante é que se aproxima uma nova eleição presidencial e estou a receber bombardeios via internet ou WhatsApp em campanha contra a reeleição da Presidente Dilma, tudo dentro da linha do protesto Blackbloc.

À parte isso, conclui a leitura do terceiro tomo de Lira Neto, descrevendo como Getúlio Vargas sofrera idêntica oposição no seu ocaso de vida.

Getúlio, o suicida, que sessenta anos passados, saiu da Presidência da República e entrou na história, com uma bala no peito, é um fato raro na história universal.

Se a história sempre se repete em erros ao gorgolejo, ao receber tantos recados contra a Presidente Dilma em minha correspondência pessoal, parece-me advir uma reverberação farsesca da peroração do “corvo” Carlos Lacerda, que nas vésperas da eleição de 1950 vomitava seu apreço à democracia: “O Sr. Getúlio Vargas não deve ser candidato. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

Como em terra de Tiririca sempre pior pode ficar, estamos contemplando uma nova encruzilhada.

A próxima eleição enseja um impasse com três candidatos, cada um com sua fatia minoritária do eleitorado: a Presidente Dilma Rousseff, que caminha como Getúlio Vargas em bom ritmo para a vitória, o ex-governador Aécio Neves, menos solteiro que o brigadeiro Eduardo Gomes, e a ex-ministra Marina Silva, que tenta se cristalizar como herdeira do infausto acontecido com Eduardo Campos, espatifado em mil pedaços, em desfecho tão terrível quão imerecido.

Afora isso, há também um novo sonho, verdadeiro pesadelo, com funestas possibilidades.

Eis que voltou senão o mote das rebeliões centenárias que entendiam as eleições viciadas pela corrupção e coronelismo, algo igual ou parecido contestando a democracia representativa.

Antes como agora, querem, em nome do novo, afastar o povo do processo decisório, entronizando uma democracia tão direta e participativa, quão veloz e oscilante em apuração e resultados.

Como deve ser este novo contrato social? Ninguém o sabe, muito menos qualquer Ghost-writer de Montesquieu ou até mesmo novo barbudo Bakunin. Mas, neste campo de desordem nunca faltarão Blackblocs e Rasputins, ensandecidos ou iluminados, para externar modelos revolucionários em experimentação de ensaio e erro.

Eis então as drogas expostas em uma dezena de candidatos, com direito a exposição na mídia e debate na televisão.

De concreto, sabe-se apenas que a eleição se fará em dois turnos e o presidente será eleito em maioria absoluta dos votos.

Aguarda-lhe um Congresso voraz e funesto, ansioso por lhe dilacerar o poder e o resto.

Sobrarão crises, muitas crises, escândalos, muitos escândalos. E haja vândalos! Macerando tudo. Degradando muito mais!

Enfim é assim que vem funcionando a República Brasileira.

Se o povão, enquanto massa verdadeiramente decisiva, ainda é acusado de não saber votar, em pior estado está a “tchurma” mais abastada, aqueles bem letrados e nutridos, sempre reclamando de tudo, infelizes com a literatura de sua escolha e a dejecção da própria colha.

Assim, indóceis com a possibilidade de novas derrotas, restam atrapalhados quanto à pior alternativa, em tantas drogas, ilícitas e até alucinógenas disponíveis. Bom proveito, Senhores!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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