Duas datas cívicas de Sergipe

D João VI (site: monarquia.org)

A sociedade sergipana, ao seu modo, celebrou 2 datas cívicas, representativas de capítulos da história, que no curso do temo têm alimentado a consciência, a coragem, a disposição, a fibra, e a sensibilidade da população. 8 de julho e 13 de julho não esgotam o calendário de eventos marcantes, por mais significativas que tenha sido a participação de Augusto Maynard Gomes no cenário das décadas de 1920 e 1930. Uma terceira data, do ano de 1949, completa o brio tenentista e, sob o ponto de vista da cidade de Aracaju, colabora para a modernização urbana, produzida pelos fatos políticos.

O 8 de julho, festejado por força constitucional, representa a data da Carta Régia de Dom João VI, que isenta o território sergipano da submissão à Bahia. Não se trata, porém, de uma dádiva, um gesto magnânimo do Regente, mas de uma tomada de consciência política, calcada na defesa da liberdade e na disposição de levar adiante um projeto alicerçado pela economia – o açúcar e o gado, que eram os mais avantajados produtos. A liberdade, com sua chama atrativa, lastreou-se no tempo, construindo a via preferencial para o futuro da terra e da gente sergipana.

A formalidade do 8 de julho manteve uma espécie de fossilização oficial, enquanto o povo celebraria o dia 24 de outubro, como o verdadeiro Dia de Sergipe, com todas as pompas e circunstâncias. A refrega na Bahia não convivia com a aceitação do 24 de outubro, que segundo Cândido Mendes, no Álbum do Império do Brasil, ilustrado pelo Barão Homem de Melo. Fortalecida pelo apoio que deu à Revolução do Porto, a Bahia cedeu parte de sua luta pela liberdade. A Independência corrigia as divergências, validava a Carta Régia de 8 de julho e elevava, novamente, São Cristóvão à categoria de cidade.

Em 1824, com a Constituição do Império, Sergipe passa a figurar como Província, com direitos de ter seus Conselhos, Juntas e autoridades outras. Em 1834, com o Ato Adicional, Sergipe garantia sua Assembléia Provincial, o que representou o arranque, permanente e definitivo, que rompia com a hegemonia baiana. Dono do seu próprio destino, ciente de suas responsabilidades, os sergipanos afirmaram os traços da sua formação, caráter, disposição para o trabalho e criatividade para extrair de um território ínfimo, a riqueza material que precisava. Depois do 24 de outubro, quer o Estado não comemora, Sergipe fez aflorar sua capacidade para vencer obstáculos, realimentando um civismo sempre conciliado com as atividades culturais, que refletiram sobre o conhecimento e são, ainda hoje, fundamentos da vida nacional.

O 13 de julho é a primeira das grandes datas republicanas. Oficiais do Quartel  de Aracaju, em solidariedade aos tenentes de São Paulo, que depuseram o Presidente Carlos de Campos, em 5 de julho de 1924, apearam do Poder o Presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, no dia 13 de julho. Foram dias tensos, de confrontos armados, que representavam o sentimento revolucionário, aflorado depois, com a Revolução de outubro de 1930. Augusto Maynard Gomes, o mais conhecido e conceituado dos tenentes sergipanos, e que estava a frente na revolta de 13 de julho de 1924, foi designado Interventor Federal em 1930, iniciando um ciclo que durou 15 anos, alternando no comando administrativo estadual Maynard e Eronídes Ferreira de Carvalho, também militar, mas que não teve participação nos episódios de 1924.

Finalmente vencido, Maynard foi fazer política nos partidos, servir ao Brasil getulista do Estado Novo,   retornando ao Poder. Com ele, na segunda Interventoria, o 13 de julho ganhou o lustro da exaltação, de alguma forma diluído no retorno à democ racia. Aracaju crescia e ocupava, com rapidez, os terrenos da Fundição, dilatava as ruas no sentido da Praia Formosa, instalava, na região do Carvão ou Carvãozinho, onde hoje seria hoje o Iate Clube. O 13 de julho passava a ser mais que uma referência e suas façanhas eram imortalizadas, com a elevação da data a um feriado, e, em 1949, a venda de terrenos de um loteamento que recebia o nome de 13 de julho. O tempo se encarregou de modernizar e fazer crescer a velha Praia Formosa, transformada em bairro, a princípio de veraneio, promovendo aterros e agenciamentos que ligassem aquela zona ao centro da capital sergipana.

A população aracajuana tem o dia 13 de julho como um símbolo de sua maturidade política, evoca os fatos e festeja o dia como capítulo de uma luta cuja vitória pertence a todos, desde 8 de julho de 1820, como o fez, antes, com o 24 de outubro, eufemisticamente chamado Dia da Sergipanidade.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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