E AGORA NILDO?

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O caseiro Francenildo dos Santos Costa está pagando muito caro pela ousadia de denunciar o ministro da Fazenda, Antônio Palloci, que está sob suspeita, mas tem o apoio do governo. A Polícia Federal o transformou em investigado, porque o Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeira (Coaf), órgão subordinado ao próprio Palloci, quer que apure o envolvimento do caseiro em crime de lavagem de dinheiro. Tudo isso pela movimentação minguada de uma caderneta de poupança já vasculhada pela Caixa Econômica Federal (CEF), onde a conta foi aberta. No fundo o objetivo é intimidar e calar uma voz humilde que revelou visitas do ministro em uma casa de lobby, em Brasília. Ontem, ao deixar a Polícia Federal, o caseiro Francenildo dos Santos falou sobre a quebra ilegal do seu sigilo bancário. Disse que votou em Lula nas eleições de 2002 e sugeriu: “seria bom que eles investigassem o meu sigilo eleitoral, para ver que o simples caseiro votou em quem: se foi no simples operário que está lá em cima”. E continuou: “olha o troco que estou recebendo hoje”. Ele responsabiliza o presidente pelos dissabores que vem enfrentando e deixou nas entrelinhas que Lula estaria protegendo Palocci: “Se é ele que está escondendo o “chefe” (Palocci)…”

O presidente Lula da Silva – com toda sua equipe de auxiliares e o bloco aliado – não tem o mesmo comportamento do ex-presidente Fernando Collor de Mele, que sofreu um processo de impeachment, do qual participou corretamente o PT, partido do atual presidente. O Brasil sabe que o motorista Francisco Eriberto se tornou o herói do momento porque, ao depor na CPI que apurava os escândalos de corrupção, no dia 1º de julho de 1992, reafirmou declarações feitas à revista IstoÉ dias antes, de que as empresas de Paulo César Farias (o PC, já falecido, ex-tesoureiro de campanha de Collor) pagavam as despesas familiares do presidente por meio de depósitos na conta de sua secretária, Ana Acióli. O Brasil também sabe que o ex-presidente Collor não usou a força do poder para aniquilar com o motorista, assim como o governo petista está fazendo com o caseiro Francenildo dos Santos, por ter denunciado a presença do ministro Antônio Palloci (imagina se fosse o presidente Lula?) em uma mansão própria para diversões e lobby.

Aliás, há algo semelhante entre o depoimento do motorista Francisco Eriberto, que culminou com o impeachment de Collor, com o que se fala de Paulo Okamotto, o amigo de Lula, que pagou despesas do presidente e seus familiares e continua blindado para se evitar a quebra do seu sigilo bancário e telefônico. Essa proteção a Okamotto seria receio de se chegar a esse precedente?

A pressão contra Francenildo não oferece nenhuma vantagem ao governo e não modificará a crença que a sociedade deu ao depoimento do caseiro. Quando o poder lança todas suas garras para aniquilar um cidadão humilde, sem nenhuma condição de enfrentar o Planalto, mas que teve coragem de fazer uma denuncia contra o ministro que comanda a economia do país, a população se revolta. Naturalmente lembra da velha e superada piada do “elefante que transportou uma formiguinha para o outro lado do rio e não aceitou os agradecimento: queria fazer sexo com a coitadinha”. É um comparativo meio maluco, mas nessa hora, diante do gigantismo do governo, o caseiro está se sentido uma formiguinha. Só que nesse caso “a coitada” tem o apoio do que ele é: povo. E com essa dimensão pode derrotar gigantes corruptos, seja por intermédio de um levantamento criterioso dos crimes praticados por membros desse poder ou através de um simples teclar de urna.

Vive-se um momento de indignação, quando se vê no noticiário que há uma proteção ao acusado. Ao invés de tentar aniquilar com o caseiro, vulnerável a um sopro, o governo deveria afastar Palloci, apurar todas as denuncias e puni-lo com severidade. A demonstração de absoluta confiança em quem está sob suspeita e o sentimento de vingança contra o acusador, põe o governo em xeque.

 

 

ENTREVISTA

Irritado, o governador João Alves Filho (PFL) acusou o governo do presidente Lula de cometer mais um ato criminoso contra “o povo sergipano”.

“Instigado pelo prefeito Marcelo Déda (PT), o Governo Federal nega a liberação de certidão negativa de endividamento do estado, para contrair empréstimo junto ao BID”, disse João.

 

INVIABILIZA

Sem liberar a certidão, João Alves diz que ficam inviabilizados as construções da barragem do rio Poxim, a segunda etapa do Projete Nordeste e a ponte Mosqueiro/Caueira.

Segundo o governador, a única forma de defende os interesses dos sergipanos é ingressando na justiça contra “essa arbitrariedade do governo Lula”.

 

EXIGÊNCIA

João Alves garantiu que as exigências referentes à Lei de Responsabilidade Fiscal foram cumpridas, com a Assembléia e o Tribunal de Contas reduzindo suas despesas em 40%.

Com o cumprimento dessa exigência, “ficamos eufóricos porque acreditamos na liberação da certidão, mas o Ministério da Fazenda continua a negar, mesmo com tudo equacionado”.

 

REVERTER

João Alves Filho disse que vai atuar no Congresso Nacional para reverter essa situação, porque se trata de uma pressão de caráter pessoal.

Contou que o deputado Jorge Alberto, aliado do governo federal, esteve presente à reunião no Ministério da Fazendo e declarou que estava “envergonhado com tudo isso”.

 

MACHADO

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) diz que a posição do presidente do Tesouro da União trará conseqüências graves a obras que estão em andamento.

Para Machado tudo “é uma má vontade clara com Sergipe”. O deputado faz uma pergunta: “porque não levantaram essa irregularidade antes”.

 

DÉDA

O prefeito Marcelo Déda também concedeu entrevista ontem à tarde e negou as acusações feitas pelo governador João Alves Filho, quanto sua interferência para boicotar obras do estado.

Disse que jamais manteve qualquer contato com o presidente do Tesouro da União, Murilo Portugal, e nenhum dos membros da equipe econômica.

 

CAMPANHA

Para Marcelo Déda a impressão é que se entrou em clima de campanha e considerou que o tom não deve ser de acusações.

“João Alves Filho não pode jogar em minhas costas tudo o que acontecer dentro do Governo Federal que impeça ou prejudique a sua administração”, disse Déda.

 

PONTE

Marcelo Déda disse, ainda, que jamais se envolveu na construção da ponte que liga Aracaju a Barra dos Coqueiros, embora a obra tenha atingido áreas próximas pela sua extensão.

A única intervenção da Prefeitura em relação à ponte foi “uma carta enviada por mim ao governador, há sete meses, para que sejam feitas as obras de entorno”, disse.

 

LUCIANO

O empresário Luciano Barreto é o novo presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon). Toma posse hoje, às 20 horas, com toda a diretoria.

Luciano diz que vai lutar pela valorização da construção civil e por uma relação com o poder público cada vez mais saudável.

 

VALORIZAÇÃO

O Sindicato vai lutar para que o poder público pague cada vez mais regularmente o trabalho que foi contratado. Caso não seja possível adote critérios para remuneração da inadimplência.

Luciano Barreto diz que aceitou disputar a presidência do Sinduscon por convite da grande maioria dos associados

 

COMITÊ

O deputado Susana Azevedo (PSC) está sugerindo a criação de um Comitê Geográfico das Bacias de Sergipe e a elaboração de um Plano Diretor da Bacia do rio Sergipe.

Preocupada com a questão da água e meio ambiente, a deputada acha que essas duas ações são fundamentais para salvar o rio Sergipe, que vem sofrendo com uma elevada poluição.

 

ALBANO

Durante a entrevista, o governador João Alves Filho (PFL) isentou o governador Albano Franco de responsabilidade sobre a questão da dívida.

Isso abriu o comentário de que seria uma sinalização de que os dois estão se aproximando, para uma aliança.

 

D. MARIA

A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) declarou que quem decide as possíveis coligações e acerto para as eleições de outubro é a direção do partido.

Ela disse que é candidata natural à reeleição, mas que não deverá contrariar uma decisão partidária, que será tomada pela cúpula ouvindo os membros da legenda.

 

 

Notas

 

FRANCENILDO

O senador Almeida Lima (PMDB) estranhou a notícia de que o presidente Renan Calheiros teria acatado requerimento da líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), para que as fitas do circuito interno possam ser analisadas visando descobrir em quais gabinetes e com quais senadores o caseiro Francenildo manteve contato.

Almeida antecipou que irá requerer que o caseiro seja convidado a explicar, em audiência pública na Corregedoria do Senado, por onde andou, com quem conversou, o que ouviu e falou quando visitou as dependências do Senado.

 

SINDICÂNCIA

O senador José Almeida Lima (PMDB) enviou, ontem, ofício ao Corregedor do Senado, senador Romeu Tuma (PFL-SP), pedindo que seja aberta sindicância para apurar se o caseiro Francenildo se reuniu com senadores da oposição e se foi orientado por eles quando depôs na CPI dos Bingos na quinta-feira da semana passada..

Romeu Tuma acatou o ofício e abrirá a sindicância pedida por Almeida Lima. E que ouvirá Francenildo em breve e poderá relatar tudo o que foi proibido de contar na semana passada por decisão do Supremo Tribunal Federal.

 

CONVERSA

O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, deverá ouvir o governador João Alves Filho, nas próximas semanas, sobre a coligação do partido com o PSDB. Segundo Bornhausen, as consultas preliminares com lideranças do PFL indicam que essa aliança é a melhor saída para a legenda. Agora depende de Alckmin (PSDB)

A verticalização aumenta as chances da eleição ser resolvida no primeiro turno. “Faremos o que for melhor para nos vermos livres desse segundo mandato do presidente Lula, que vai ser uma desgraça nacional”, disse Bornhausen.

 

É fogo

 

O médico Raimundo Sotero toma posse na Academia Sergipana de Medicina na próxima quinta-feira (30). Na ocasião será lançado seu novo livro, cuja renda no tratamento de diabéticos.

 

Muita reclamação de usuários do Velox sobre quedas constantes dos serviços. Algumas empresas estão sendo prejudicadas.

 

O ex-governador Albano Franco (PSDB) vai reunir correligionários para decidir os rumos do partido depois da verticalização.

 

O deputado federal Marcos Freire (PPS) pode ser candidato a presidente da República em coligação com o PDT.

 

Um cidadão comum aperta o botão “mute” do seu controle remoto, quando o presidente Lula fala na TV. Tomou horror à sua voz.

 

Alguns tucanos acham difícil que os eleitores petistas votem em Albano para o Senado, mas garantem que os tucanos votariam em Déda para governador.

 

O PMDB que apóia o governo federal vai trabalhar para que Antony Garotinho não seja candidato a presidente da República.

 

O presidente regional do PMDB, Benedito Figueiredo, está agendando uma visita ao prefeito Marcelo Déda, para retribuir a que ele lhe fez.

 

O crescimento do volume de crédito para pessoa física e a expansão da renda impulsionaram a queda da inadimplência dos consumidores em fevereiro.

 

A falta de segurança é o maior perigo para o turismo nacional, avalia o presidente do grupo espanhol de turismo Iberostar, Miguel Fluxá.

 

O pacote de ajuda do governo ao setor agrícola, em crise desde o ano passado, teria um impacto de R$ 6 bilhões nos cofres públicos entre renuncias fiscais e aporte de recursos.

 

O deputado federal suplente Ivan Paixão (PPS) trabalha sua candidatura em todo o estado. Pretende retornar como titular.

 

brayner@infonet.com.br

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