É difícil convencer as pessoas a usarem a camisinha

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Estima-se que são 33 milhões de pessoas vivendo com AIDS no mundo. Dos cerca de 630 mil que vivem com HIV no Brasil, 255 mil não sabem que estão infectados. A AIDS continua sendo um grande problema social e de saúde pública. A epidemia de AIDS já vai completar 31 anos e muita gente ainda acha que não precisa usar camisinha nas relações sexuais.
Muitos jovens de 15 a 24 anos afirmam possuírem grande número de parceiros casuais e alguns revelam que não usam o PRESERVATIVO em todas as relações sexuais. Por quê? Alguns especialistas acreditam que a CAMISINHA não é aceita nessa faixa etária porque os jovens acham que a AIDS é um problema menor, uma doença que se tornou crônica e administrável. Essa geração não perdeu amigos pouco tempo depois da infecção, como ocorria na época que não existia o “coquetel” de medicamentos. Felizmente hoje é possível viver com o HIV e ter qualidade de vida. Mas o tratamento impõe desafios emocionais e físicos. É preciso cuidar da alimentação e tomar vários comprimidos por dia, na hora certa. Muitas drogas têm importantes efeitos colaterais, como distúrbios cardiovasculares e até a distribuição irregular da gordura corporal, efeito denominado de LIPODISTROFIA.
Muita gente simplesmente diz que não gosta de usar CAMISINHA. Existe uma grande diversidade de camisinhas, para todos os gostos: camisinhas aromáticas, anatômicas, ultrassensíveis, com efeito, retardante, de tamanhos diferentes e até com saliências “que prometem aumentar o prazer” e “esquentar a relação sexual”. Mesmo assim, a camisinha é rejeitada por uma parte da população. Algumas informações erradas também contribuem para a rejeição à camisinha: existem profissionais de saúde dizendo que a “camisinha resseca o útero”; professores e também profissionais de saúde, por questões religiosas, não recomendam o uso da camisinha, alegando que “ela incentiva os jovens ao sexo”.
Outros fatores dificultam o uso da camisinha: homens casados que fizeram vasectomia, dificilmente vão usar camisinha nas relações extraconjugais; mulheres que “ligaram as trompas” deixam de se preocupar com a camisinha; mulheres que usam as pílulas ou outro método anticoncepcional esquecem de que não estão protegidas de uma infecção pelo HIV ou outra DST – Doença Sexualmente Transmissível, como as Hepatites Virais, Sífilis, HPV e outras; pessoas, perdidamente apaixonadas, abandonam a camisinha; relacionamentos amorosos duradouros, por acreditar na fidelidade, também abandonam o preservativo; a existência de gestores públicos que dificultam e/ou não priorizam as ações de prevenção às DST/AIDS.
Fazer o jovem e/ou adulto aceitar a CAMISINHA com naturalidade ainda é um grande desafio na luta contra a AIDS. Reduzir o preconceito é outro. O preconceito dificulta as ações de saúde. Recentemente, na campanha do carnaval dirigida aos jovens gays, profissionais de algumas unidades de saúde de Aracaju “arrancaram os cartazes da campanha, alegando que era um incentivo à homossexualidade”. Provavelmente esses profissionais de saúde não estão bem com a sua própria sexualidade.
A AIDS é uma doença grave, que impõe limitações às pessoas e grandes gastos à sociedade e aos governos. As pessoas precisam entender a extensão do risco para que possam se proteger.

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