É lamentável ou tem que ser assim?

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Continuo sem me empolgar com o julgamento do mensalão. Aliás, o verbo não se coaduna com o elogio. Em verdade, o julgamento do mensalão me decepciona, enquanto cidadão comum.

Não o compreendo em meio a tantas discussões surgidas entre os juízes, e logo os maiores julgadores, aqueles que, em tese, deveriam se exemplificar perante seus menores, como pais a filhos, ou bons padrastos a desamados enteados.

Desarmados e desmamados parecem assim confirmados os que no Supremo procuram inspiração para o seu oficiar e proceder.

Mas o procedimento da Suprema Corte só está a receber aplauso dos que partilham a vingança política. Creem estes que o desabaste do inimigo merece o uso de todos os meios disponíveis, afinal “feio é perder” e a meta é “vencer ou vencer”.

A que custo? Pergunto eu. Qualquer custo?

Perguntas que não interessam à corte suprema, porque além dela nem o céu irá resolver.

Pelo menos é assim que eu entendo e compreendo a onisciência divina; Deus, no amplo conhecimento de tantos infiéis, não lhes ousaria julgamentos mais cruéis, com os homens em suas cortes de becas negras.

Estarei eu sendo injusto com o alto ponderar, em suprema negritude talar? Posso eu me desapontar, eu cidadão mirim, mignon, tupiniquim por “piquininin”?

Eu, um quase bobo, ou tolo repleto, sem ser especialista nem jurista? Eu, já um quase carente de cuidado gerontologista, e que por tal ou qual, não deveria nem falar como generalista?

Pois é! Na ausência de uma preocupação maior que cuidar de netos, estou a me desiludir com a Suprema Corte Federal, o órgão máximo jurisprudencial de nosso país, que muitos o querem vitalício, sem a salutar aposentadoria expulsória aos “saudáveis setentanos”, degola republicana impoluta e necessária, sobretudo para a oxigenação dos defeitos.

Defeito que podia ser desfeito só com a provisoriedade dos mandatos, a ensejar a humildade e a necessidade de eficiência, com o povo erigindo e derrogando, republicana e democraticamente, em espelho de sua mediana escolha, para o bem de algumas cotas, ou para o nada dos carentes de rotas.

Perdido em esfarrapadas rotas, vejo um Supremo sem regras. Onde os procedimentos ensejam dúvidas, com discursos vazios, espaços para elucubrações juvenis, a parecer senis, por uma assembleia norteada pelo que surgir ou ocorrer, como um testemunhar de gozo de convescote ou sodalício.

E neste solstício a luz brilha cada dia menos, como se fôssemos mergulhar nas trevas em desespero, em desafio de um povo pacífico, sem história de revolta e violência, e bem amante da passividade e leniência.

Dito assim com tal displicência, seria compreensível o proceder do tribunal supremo. Ali se estaria a cumprir a complacência nossa, do diuturno cotidiano, com o erro lamentado, para uso exterior, mas aplaudido, no abrigo interior. Afinal, quantos de nós em reflexão sacana, não nos dizemos em conversão de ego próprio: “quem trabalhando com mel não degusta os próprios dedos”!?

Mas, se tal questionamento bem representa a avaliação do julgamento do mensalão como um sequenciar decisório de um linchamento público e midiático, não estaria a sua morosidade, em trancos e barrancos, e empurrado a solavancos, testando o teor febril da imprensa, de modo a arrefecê-la por desistência de leitores?

Por acaso não é assim com agora a introdução de uma Rosemary, que sem bebê ou incubação demoníaca, é retratada no jornal, como a charmosa e gostosa assessora de Lula, o Presidente que bem será lembrado até por isso?

E bote isso, e tire aquilo, porque nesse bote e tira, todos o sabemos como se inicia, bem como a ejaculação desejada.

Pois bem! Neste conjunto de manchetes, o escandaloso país continua a nivelar os entes e os parentes, não só os da Rosemary bem fornida, de quem se deseja uma CPI, só para ouvir-lhe a voz se é rouca e doce ou terna e canora, e a de tantos delinquentes que bem mereciam um bota-fora, sem saudades nem demora.

E é por ser assim em morosidade doentia que vejo o exemplificar se alongar para além do terceiro pilar do poder nacional. Está a revelar uma falência do pensar de Montesquieu, que útil em responsabilidades menos repartidas, não resiste às legislações detalhistas de terra pátria e mãe gentil.

É muito fácil dissertar gentilezas do “Checks and Balances” dos outros, sem lhes evocar o respeito e a ordem, sem os quais a letra é morta e tudo vale para a infertilidade do agir.

Um dia, quem o sabe, alguém ousará gritar nas ruas que a nossa Constituição Cidadão, mais do que felicitar, funciona como alcaloide alienante, espécie de crack desagregador de esperança, a requerer novo lanho de relho ou sopesado arranho no estalo de mangual. Tudo aquilo que o Supremo Tribunal já bem viu e melhor serviu no seu passado cediço.

Seria bom que o povo reunido soubesse bem usar o seu mangual. As eleições não lhes são suficientes. É verdade! Há muitas capitanias e excesso de vilanias. Com palavras em rebusco a esconder patifarias. Tudo aquilo que o bom cego finge não ver.

E o judiciário, de quem não se pode censurar sem temer, seja por velado aviso ou real desaviso, por consequência de sua incoercível violência, se revela em tal agir de apodo, não só gracejador e cambaleante, como um poder claudicante, no seu decidir julgador.

Uma constatação decepcionante a ponto de merecer a contestação e a reprovação do cidadão mucuim e sem espadim, que o observa, vendo-lhe em atuação mirim; um exemplo descaído desde o alto topo a estender ao baixio e ao tropo.

Tropeços à parte, a verdade, que é filha da dúvida, não pode padecer da indecisão e da procrastinação do julgamento, sobretudo norteado por tantos procedimentos de chicana, onde todos se igualam, na obstrução e no seu consentimento.

Chega! Tá faltando um cartão vermelho, aquilo que não vem do juiz mais surge do árbitro, que ousa receber o desapreço à própria mãe, nem teme o “pega pra capar” da torcida adversária.

Se a indecisão na condenação de tantos “anjos descaídos” é norteada pela vontade de remir, que seja ousado o pedido de absolvição, inclusive pecuniária, para refestelo de fundo perdido nacional.

Ou não é assim que transparece o livre pensar dos julgadores a querer requerer um dito por não dito do Ministério Público, que correto, preciso e insubmisso, no silêncio concluso de seu ofício e em exemplar dignidade viril, permanece e não falece num cenário que fenece?

E nesse saco sem fundo, quem sabe não nos falta por supremo lavor constitucional um “Coup de Grace”, aquele perdão concedido via decreto, que poderia até vir por Medida Provisória, para bem suscitar o debate de relevância e necessidade, algo que os Estados mais sangrados (Pétain, na França, e Richard Nixon no gigante americano), utilizam para a cura das suas próprias chagas?

Eu até preferiria assim. Um golpe ousado e decidido a despertar ouriços sem temer tantos bulícios de pusilanimidade.

Por isso e por conta disso, bem vejo no agir do Supremo, gaguejante e titubeante, um vacilante desserviço à seriedade de nosso país. É lamentável ou tem que ser assim?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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