Efeitos da picadura

 

 Lisboa, 18 de maio de 2008

 

Caros amigos de Sergipe:

 

Segunda feira da semana passada, amanheci todo dolorido e sem coragem para levantar da cama. É que, na falta de coisa melhor para fazer, um mosquito do tipo aedes aegypti achou de me picar. E olhe que a picadura do tal antrópodo não é moleza. Deixa a gente sorumbático e capiongo. Sulamita pensou até em me largar, só porque eu não compareci por duas semanas, pasmem os senhores.

Pensei que aqui, a quilômetros das terras de João Moamba, estaria à salvo desse tipo de doença tropical. Mas qual nada. o tal bichicho já andou apontando o seu ferrão para as mais branquelas carnes portuguesas à exceção da bunda de Zenóbia, minha patroa sexagenária. Penso em montar um criatório.

Mas apesar da leseira que dá, ter dengue tem lá suas vantagens. Além de ser paparicado com frutinhas e café na cama, você tem todo o tempo do mundo  pra assistir tudo quanto é  DVD, enquanto todo mundo está se matando de trabalhar. É uma beleza!

Como Zenóbia cancelou o canal Sex Hot na operadora de tv a cabo, acabei vendo um documentário sobre o Rock Hudson.
O documentário sobre o abichanado ator intrigou-me pela capacidade que o referido gay teve de esconder a sua bicheza até ao fim. É triste que os homossexuais se vejam forçados a encapotar o seu transviadismo.

Aliás, faço aqui um apelo: Revelai-vos sem medo. Por duas razões. Primeiro porque diminui a concorrência e segundo, porque vocês são os meus cavalos de Tróia para as raparigas que não gostam de saliências na derrière. Quanto mais as monas se revelam, tanto mais se pode argumentar numa discussão pré-sexual como exemplo de que levar no porta-malas não deforma o andar.

Por falar nisso, lembro-me que Zenóbia tem um sobrinho com tendências homoeróticas. O gajo é chegado numa bergamota desde a mais tenra infância. Por causa dele a minha patroa sexagenária fez várias promessas pra tudo quanto é santo. Mas o menino é um vocacionado. Desde que era coroinha já adorava levantar a batina do padre antes e depois da missa.  

Aliás, falando em missa, devo lembrar que aquele é um ótimo local de engate. Quando o padre diz “saudai-vos uns aos outros”, está dada a licença divina para beijar qualquer desconhecida que nos aprouver. Quanta beata caridosa e com mofo, quanta virgem piedosa e impaciente, não foi sacada pelo Pipi durante esta parte da liturgia? Antes dos fiéis dizerem “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada”, já a devota me estava a dar autorização para entrar na morada dela. Normalmente, pelo porta-malas. Até porque do outro jeito seria complicado. Sexo sem ser para reprodução é pecado e estamos falando de gente muito religiosa.

 

  

Até semana que vem.

 

Um braço do

 

Apolônio Lisboa

  

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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