Eleições na Assembléia

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É tempo de tudo. No período de transição abre-se o campo da especulação. Fala-se da equipe de governo em formação. Do grupo que prepara o projeto de governo e analisa o estado. Antecipam-se nomes para disputar Prefeituras Municipais e, com mais profundidade e lógica, a formação da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. Não há segredo nisso, mas o legislativo geralmente acompanha a indicação do executivo. O governador eleito Marcelo Déda (PT) neste momento está empenhado na campanha de reeleição do presidente Lula (segundo turno) e sequer teve tempo de fazer contatos sobre a formação da equipe de Governo. Para a Assembléia Legislativa não precisa nenhuma pressa. Afinal a escolha da Mesa acontece em fevereiro, com a posse dos novos e reeleitos parlamentares.

A Assembléia Legislativa tem partidos novos e há uma mudança significativa dos seus parlamentares. A maior bancada é do PSC (6), seguido do PFL e PT (4 cada). PSDB e PTdoB têm dois deputados cada um e o restante – PSB, PL, PMDB, PTB, PV e PP – são representados por apenas um parlamentar cada. A posição política dos eleitos para o próximo quatriênio mostra que o governador eleito Marcelo Déda fez apenas dez deputados e o grupo que lhe fará oposição soma 14. Para fazer o presidente da Casa, Déda terá que conquistar, no mínimo, quatro nomes vinculados ao governador João Alves Filho (PFL). Mesmo assim, é preciso saber como vai se comportar pelo menos um parlamentar que estava na oposição, mas não fazia campanha para o então candidato petista.

Dentro de uma lógica, mesmo que especulativa, Marcelo Déda só deve levar nomes do PSC – ou todo o partido – para apoiá-lo. Se isso acontecer, o futuro governo terá os dois terços da Assembléia, o que lhe dará uma certa garantia na aprovação de projetos.

Embora até o momento ninguém tenha se pronunciado publicamente sobre a formação da Mesa, os deputados da nova legislatura já estão conversando nos bastidores para prováveis candidaturas. Geralmente o parlamentar de primeiro mandato não é escolhido para presidente, mas isso não é regra e o hábito pode mudar em razão de um novo pensamento que assume o poder. De qualquer forma, nomes como o de Ulices Andrade (PSDB), Venâncio Fonseca (PP) e do próprio Antônio Passos (PFL) que, apesar de ser o atual presidente, pode disputar por se tratar de um novo período, sempre são citados. Entretanto o PSC, que tem deputadas experientes como Susana Azevedo, ou um dos eleitos pela primeira vez como André Moura e César Mandarino, também podem reivindicar. Os dois últimos porque já foram prefeitos por oito anos, o que lhes deram tarimba administrativa.

Com essa bancada forte, o PSC não vai ceder fácil. Se fizer a fusão com o Partido Liberal, como está praticamente fechado, terá sete deputados – quase um terço – para negociar, com um lado ou outro, até mesmo a presidência da Assembléia, ou apoiar um outro nome desde que indique o primeiro secretário, sem as amarras à presidência. Um comentário forte, de conhecimento do colunista, pelo menos um deputado cristão já está com um pé no PSB. Aliás, a legenda comandada em Sergipe pelo senador Antônio Carlos Valadares pode engrossar suas fileiras e criar condições de igualdade para a disputa. Uma fonte do PSC antecipou, entretanto, que o comando do partido em Sergipe, que tem à frente o empresário José Amorim, está atento a essa possibilidade de troca de pedras dentro do tabuleiro partidário que forma a Assembléia Legislativa. A mesma fonte garantiu que o grupo está coeso e manterá a unidade que demonstrou durante a campanha. Pela divisão das bancadas, não há dúvida que a eleição para presidente do legislativo terá uma movimentação intensa e precisará de muita conversa para a formação de uma mesa que seja oposição ou situação.

Apesar de faltar um pouco mais de quatro meses para tratar do assunto, os candidatos estão aparecendo e agindo de forma sutil. Pode haver disputa, mas é cedo para visualizar isso. Afinal, um consenso sobre o novo presidente tradicionalmente acontece minutos antes da votação.

 

 

Boa notícia

O governador João Alves Filho (PFL) deu ontem uma boa notícia aos servidores sergipanos ao anunciar o pagamento do décimo terceiro salário.

Já corria boato de que ele não faria isso este ano, em razão do final do mandato. A confirmação apaga notícias contrárias.

 

Transição

Ontem, no programa de George Magalhães, na FM-Atalaia, João Alves disse que a transição só será tratada em dezembro.

“Este mês estamos em campanha para Geraldo Alckmin e em novembro vamos arrumar a Casa para entregar ao novo governador”, disse João.

 

Votos

Em conversa reservada, João Alves Filho considerou que não justifica que dois ou três candidatos proporcionais tenham mais votos que os majoritários.

Quanto à atuação política no próximo ano João declarou: “não preciso de cargo para continuar trabalhando”.

 

Albano

O deputado federal eleito Albano Franco (PSDB) está em Brasília. A partir de agora vai participar mais ativamente inclusive da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Amanhã, na Fiesp, Albano Franco vai almoçar com o líder empresarial Paulo Skaf e tratar sobre interesses da política empresarial.

 

Prefeito

O deputado federal Heleno Silva (PL) vai transferir seu título de eleitor para uma das cidades do alto sertão, não disse qual, mas pensa em disputar uma prefeitura.

Nossa Senhora da Glória é o município mais cotado. Lá seu candidato a deputado federal, Marco Jony, obteve segunda maior votação, perdendo apenas para Albano Franco.

 

Fusão-1

O Partido Liberal (PL) e o Partido Social Cristão (PSC) vão se fundir para ultrapassarem a clausula de barreira. A decisão é da direção nacional dos dois partidos.

Os Diretórios Regionais dos dois partidos em Sergipe vão se reunir no Estado para ver como vai ficar a fusão e qual posição será adotada.

 

Fusão-2

A fusão dos dois partidos vai criar a legenda mais forte da Assembléia Legislativa com sete parlamentes (seis do PSC e um dos PL), quase um terço da Casa.

Caso haja unidade, deve participar das decisões da Mesa Diretora, influenciando para eleição do novo presidente.

 

Manobra

A Coordenação da campanha de Lula denunciou ontem uma manobra da oposição que coloca em risco as instituições democráticas brasileiras.

A denuncia foi feita pelo coordenador-geral da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, e pelos governadores eleitos Jaques Wagner (Bahia) e Marcelo Déda (Sergipe).

 

Choque

Para Marcelo Déda, a oposição está envolvendo a OAB não para colaborar com o processo democrático, mas para colocá-la em rota de choque com a PF, sem nenhum dado ou prova.

Déda insistiu que a oposição está sofrendo de “pesquisite aguda” – uma síndrome que às vezes acomete os políticos que estão diante de pesquisas que lhe são desfavoráveis.

 

PDT

O deputado federal João Fontes (PDT) vai fazer uma reunião com o Diretório Regional para decidir os rumos da legenda neste segundo turno e mudanças no partido.

O PDT liberou os seus membros para o segundo turno, mas o deputado João Fontes, numa escolha de caráter pessoal, vota em Geraldo Alckmin, “como fará a maioria da sigla”.

 

Posição

João Fontes disse que o PDT vai tomar uma posição importante em Sergipe, juntando-se com o PPS. Já conversou com o ex-deputado Ivan Paixão sobre isso.

Segundo Fontes, “nós vamos montar uma trincheira de oposição ao governo de Marcelo Déda (PT), a partir do momento que ele assumir”.

 

Queimação

A especulação sobre secretariado, na maioria das vezes, serve exclusivamente para queimar alguém ou criar intrigas dentro de um bloco político.

Diariamente são enviados e-mails a Plenário atribuindo indicações de cargos por determinado político só para ver o circo pegar fogo.

 

Glória

Ontem chegou um e-mail do tipo: “a cogitação nos bastidores é que os quatro principais cargos estaduais em Glória, serão indicados pelo prefeito Zico (PFL)”.

O e-mail cita: “DER, DER9, Detran e Deso”. E provoca: “os prefeitos de cidades vizinhas que apoiaram Déda podem ficar insatisfeitos com este centralismo”.

 

Notas

 

Almeida

O senador Almeida Lima (PMDB) disse, ontem, que a campanha de reeleição do presidente Lula vem tentando confundir a opinião do eleitorado a respeito das denúncias de corrupção contra integrantes do PT. “O governo está embaralhando as peças e trocando as bolas no processo criminal do qual é protagonista”, disse

“Lula está tentando justificar a política do rouba mas faz, só que ele não fez coisa alguma. Mentiu tanto que passou a acreditar na própria mentira. Nos enganou a todos. Eu votei em Lula no segundo turno da eleição de 2002” – lembrou.

 

Comparação

Almeida Lima disse ainda que a campanha de Lula tenta, a todo custo, vincular a imagem do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, objetivando desqualificar um possível governo de Alckmin ante o eleitorado com a suposta ameaça de futuras privatizações.

“Podem até comparar Alckmin a Fernando Henrique Cardoso, mas a Lula nunca. Lula mentiu, enganou. Disse que iria criar dez milhões de empregos. Ele agora está no desespero porque não ganhou no primeiro turno” – finalizou.

 

Refis

A Câmara deve votar terça-feira a MP 303/06, do Refis 3, que autoriza o parcelamento em até 130 prestações mensais das dívidas das pessoas jurídicas com a Receita Federal, com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que venceram até 28 de fevereiro de 2003.
A MP 303/06 tem de ser votada pelas duas Casas até 27 de outubro para não perder a validade. Ela já havia sido aprovada pela Câmara em setembro, mas precisará voltar porque passou por mudanças no Senado.

 

 

É fogo

 

O governador João Alves Filho viaja hoje a Brasília para reunião e tentará trazer material de campanha para Sergipe. O deputado Fabiano Oliveira é o coordenador de campanha de Geraldo Alckmin em Aracaju.

 

O deputado Mardoqueu Bodano (reeleito pelo PL) terá encontro com o promotor Elias Pinho, para

aprofundar o debate sobre a chamada lei seca.

 

O município baiano de Pedro Alexandre, fronteira com Sergipe, foi o que contabilizou maior número de votos nulos em todo o Brasil. Não teria sido por protesto contra os candidatos, mas por erro dos eleitores, como constatou o TSE.

 

As questões políticas paroquiais estão colocando dificuldade para que o próximo governo forme maioria na Assembléia.

 

Em muitos casos, se o governador eleito Marcelo Déda ficar com o deputado, pode perder o prefeito. Segundo um político experiente, vale quem tem mandato.

 

O prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) só deve fazer alguma mudança no secretariado depois das eleições presidenciais de segundo turno.

 

O lançamento do programa da casa própria, pela Caixa Econômica Federal, com desconto em folha animou servidores públicos.

 

brayner@infonet.com.br

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