Em débito com o social

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Em 2002, quando para o mercado, o partido que faria o presidente da República seria o PT oposição, o Brasil viveu uma série crise, porque o futuro presidente seria do partido que sempre se opôs ao acordo com o FMI; ao cumprimento dos acordos internacionais; o pagamento da dívida externa; a economia de mercado e a política macro-economia desenvolvida pelo governo FHC.

 

A crise somente foi atenuada quando o presidente eleito garantiu cumprir todos os compromissos assumidos pelo país e indicou Henrique Meireles para presidente do Banco Central e Antonio Palocci para ministro da Fazenda.

 

Em 2003, o primeiro ano de mandato do novo governo, foi, sem dúvida, uma prova de que o PT governo era totalmente diferente do PT oposição. A política econômico-financeira desenvolvida pelo governo para vencer a crise foi aquela adotada pelo governo anterior, sempre criticada pelo PT, enquanto oposição e o resultado já começou a aparecer. O superávit da balança comercial é recorde; o crescimento do PIB atinge nível não visto há muito; o desemprego diminui; a renda do brasileiro aumenta. Enfim o Brasil voltou a crescer, mas o progresso na qualidade de vida da grande maioria dos brasileiros ainda é lenta, praticamente imperceptível.

 

Apesar da mudança da metodologia do cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH – pelo governo, que para o ex-ministro da Educação no governo FHC, Paulo Renato de Souza, foi para roubar daquele governo dois anos de avanço na educação, para a ONU, conforme mostra o Relatório de Desenvolvimento Humano 2004, o Brasil apresenta pequenas melhorias, mas cai sete posições no ranking mundial de desenvolvimento humano.

 

O IDH mede o nível de desenvolvimento dos países, utilizando como critérios indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita).

 

De acordo com o Relatório, o Brasil está na 72ª, posição num ranking de 177 países submetidos à medição do IDH, com média de 0,775.  A longevidade do brasileiro cresceu de 0,71 para 0,72. São variações que mais denotam estagnação do que conquistas.

 

O país continua com uma das dez piores distribuição de renda do planeta, com os 10% mais pobres detendo apenas 0,5% do PIB, enquanto os 10% mais ricos respondem por 46,7% da riqueza nacional. O resultado mantém o Brasil no grupo de países com desenvolvimento médio (com avaliação de 0,500 a 0,800), ainda distante do grupo de países com desenvolvimento elevado (acima de 0,800), onde figuram vizinhos como a Argentina (média 0,853, 34ª colocação), Chile (0,839, 43ª) e Uruguai (0,833, 46ª). Ainda na América do Sul, o Brasil fica abaixo da Venezuela (0,778, 68ª) e supera, pela primeira vez, a Colômbia (0,773, 73ª).

 

Estes números mostram que ainda é muito grande o déficit social no Brasil. Que muito ainda precisa ser feito para construir um país mais igualitário, onde a diferença entre os mais ricos e os mais pobres seja bem menor e tudo isto passa pela erradicação do analfabetismo no país.

 

Edmir Pelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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