Encarando a epidemia de AIDS no Interior

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Até o mês de dezembro/2011, foram notificados 2.857 casos de AIDS em Sergipe, sendo que 45,72% estão na capital. As cidades que registraram maior número de casos são aquelas que apresentam maior população: Aracaju, Socorro, Itabaiana, Estância, Lagarto. Em algumas cidades de menor porte como São Cristóvão, Barra dos Coqueiros e Campo do Brito, a epidemia tem características diferentes. Em São Cristóvão e Barra dos Coqueiros, os casos aumentam em pessoas que vivem em situação de pobreza, principalmente, em mulheres casadas que não se achavam em situação de risco e, portanto, não exigiam o uso da camisinha. Em Campo do Brito, como aconteceu no início da epidemia em Itabaiana, os casos predominam em caminhoneiros, principalmente, que atuam no eixo Sergipe – São Paulo – Santos.

Em cada município, a epidemia de AIDS tem a sua característica. Além da pobreza, existem outros fatores que aumentam a vulnerabilidade das pessoas ao HIV: a atividade de prostituição, grande consumo do Crack e questões culturais locais.  Várias ações educativas são realizadas durante todo o ano pela grande maioria dos municípios com o apoio das Secretarias de Estado da Saúde e da Educação. São disponibilizados, mensalmente, mais de 400.000 preservativos para os municípios, Unidades de Saúde, ONG/AIDS – Organizações Não Governamentais, empresas e outros setores. Está cada vez mais fácil o acesso ao preservativo, principalmente, nas Unidades de Atenção Primária à Saúde.  A Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza permanentemente, materiais educativos para os municípios e realiza capacitações aos profissionais de saúde. Campanhas são realizadas e apoiadas nas festas populares de todos os municípios, como vai acontecer no carnaval. Palestras e oficinas são realizadas nas escolas do interior existe uma importante parceria com a Secretaria de Estado da Educação, através do Programa SPE – Saúde e Prevenção nas Escolas, onde já foram realizadas várias capacitações para professores  e disponibilização de preservativos em diversas escolas públicas da rede estadual.

É importante lembrar que a luta contra a AIDS tem suas particularidades: quanto mais ações educativas incentivando as pessoas a procurarem as unidades de saúde para realizarem o teste, mais casos serão registrados. Há medida em que ampliamos as ações nas unidades de saúde e escolas do interior, mais pessoas farão o teste e a detecção dos casos aumenta. Existe a chamada “Epidemia Silenciosa da AIDS”. Portanto, o aumento no registro dos casos não significa falha ou deficiência das ações. Uma cidade que não apresente registro de casos novos de AIDS pode significar fragilidade nas ações de prevenção e diagnóstico.

O grande desafio no enfrentamento da epidemia da AIDS no interior é o maior envolvimento das Equipes de Saúde da Família com a prevenção e com o diagnóstico precoce do HIV. A deficiência de médicos em várias cidades, principalmente, de pequeno porte é um dos obstáculos. Em 2012, por ser ano das eleições municipais, as dificuldades serão maiores, entretanto, a Secretaria de Estado da Saúde, através da Gerência de DST/AIDS capacitará profissionais de saúde para a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce do HIV nos municípios de pequeno porte, através da implantação do teste rápido, onde o resultado sai em 20 minutos.

Lutar contra a AIDS não é uma obrigação apenas do Governo do Estado. As prefeituras através das suas Secretarias, as Organizações Não Governamentais, empresas, escolas, os políticos, a sociedade em geral e a mídia. Cada um tem o seu papel no enfrentamento da epidemia que já completou 30 anos no mundo.

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