Entrevista / Carlos Pinna Júnior

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“A juventude precisa mostrar a sua cara”

Vice-presidente estadual do Partido Verde, o advogado e vereador de São Cristóvão, Carlos Pinna Júnior entende que existe uma lacuna enorme na política brasileira, que precisa ser preenchida pela juventude. No primeiro mandato como vereador com 1.194 votos, Pinna Júnior é candidato a deputado federal e explica nesta entrevista, entre outras coisas a decisão do PV em apoiar a candidatura à reeleição do governador João Alves Filho (PFL). A seguir a entrevista.

Cláudio Nunes –  Qual a perspectiva eleitoral do Partido Verde para as eleições deste ano em Sergipe?
Carlos Pinna Junior – O partido está bem estruturado, passou por uma fase de filiação de novas lideranças e com isso formamos uma boa chapa para concorrer aos cargos de deputado federal e estadual. O partido tem condições de eleger dois deputados estaduais e um deputado federal. Temos nomes como o presidente estadual Armando Batalha, o ex-prefeito de Estância, José Nelson e tantos outros de referência na sociedade sergipana. Sabemos das nossas limitações, que o PV é um partido pequeno, mas sabemos também que temos uma bandeira que vai pesar muito nestas eleições, que é um partido que não tem mancha neste cenário nacional e vamos aproveitar como mote nesta campanha eleitoral.


CN –  E como surgiu essa candidatura a deputado federal, foi por conta deste desgaste que vem tendo a Câmara dos Deputados?
CPJ – Sem dúvida alguma. Existe uma lacuna enorme na política brasileira, com uma grande chance de surgimentos de novos nomes. Digo sempre que não basta ser jovem na idade é preciso ter jovialidade também nas idéias. Coloquei meu nome à disposição do partido e vou tentar passar essa idéia de que apesar de todos os problemas que o Brasil está passando a política ainda é o único instrumento de transformar a sociedade, por isso tenho esperança que se pode mudar esse quadro e o meu nome está colocado à disposição da sociedade sergipana.

CN – E qual a avaliação inicial da aceitação de sua candidatura?
CPJ – Tenho visto com bons olhos essa  receptividade principalmente no seio da juventude e da população que está descrente com o quadro e quer mudar essa realidade. Espero que essa angústia e essa revolta seja transformada não em voto nulo ou de protesto, mas creditando aos candidatos que têm algo a demonstrar. Por isso tenho visto uma excelente receptividade principalmente junto à juventude que precisa mostrar a sua cara, sair desta apatia e tomar as rédeas do país no momento duro que a Nação atravessa.

CN – Como vice-presidente estadual do PV preocupa a clausula de barreira que pode extinguir os chamados partidos pequenos?
CPJ – É uma discrepância da legislação eleitoral que mede a dimensão de um partido pela quantidade de deputados federais que possui. Ou seja, não importa se o Partido Verde eleger diversos governadores ou uma dezena de senadores, o que importa é a quantidade de deputados federais. Temos que ter 5% dos votos validos em todo país e 2% em pelo menos em nove estados. É um compromisso meu com o partido também e tenho ajudado porque o Partido Verde é diferenciado, coeso e todos estão conscientes do momento crucial em defesa da manutenção do partido. Vamos contribuir para superar essa discrepância da legislação que é a chamada cláusula de barreira.

CN – O Partido Verde é forte em vários países, principalmente na Europa. O que faltou para que o PV no Brasil se tornasse um partido grande já que existe há muito tempo?
C
PJ –  Digo sempre que antes de ser um partido político é uma legenda compromissada com a causa pública, não apenas com a ecologia, mas com a boa imagem que a política deve ter perante a sociedade. O Partido Verde no Brasil não teve ainda a oportunidade de mostrar com o que pode contribuir, talvez por não ter chegado ao poder e não ter tido a confiança daqueles que chegaram ao poder e não deram uma fatia para que pudesse mostrar sua capacidade. No governo Lula, o partido tem um ministro, Gilberto Gil, da Cultura, mas não foi uma escolha pessoal do presidente, até porque o partido rompeu com Lula, antes mesmo de todos esses escândalos e denuncias de corrupção. Tenho esperança que um dia o partido ainda vai chegar ao poder, não apenas para exercer o poder, mas para contribuir para as mudanças na sociedade e aí sim, teremos a oportunidade de mostrar que somos um diferencial para o país.

CN – O PV apóia quem para a presidência da República?
CPJ –  Nacionalmente o partido optou por não fazer nenhuma aliança formal por conta dos quadros eleitorais em cada estado, já que se fizesse uma coligação teria que seguir em todos os estados por conta da verticalização. Acredito, é uma opinião pessoal, que uma parcela do partido vá apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin, por uma questão de combinação ideológica e outra parcela deve seguir a candidatura de Cristovan Buarque porque o PDT e o PV, junto com o PPS sempre atuaram juntos na Câmara dos Deputados.

CN – O que determinou o apoio do Partido Verde a candidatura à reeleição do governador João Alves Filho?
CPJ – Foi uma discussão bastante ampla e por isso tomamos a decisão apenas no final do mês de junho, porque a nossa preocupação sempre foi estruturar o partido, formar novos quadros. Essa tarefa foi feita por todo nós tendo à frente além de mim, o presidente estadual Armando Batalha e o companheiro Reinaldo Nunes. Saímos pelo interior do estado no intuito de formar novos lideres. Sempre lutei neste sentido para que possamos sair desta costumeira instalada aqui, em nome do poder. Sempre busquei a formação de novos lideres, já que os que estão ai vão deixar a vida pública. Nós temos que incentivar a juventude a participar da política e foi isso que nós fizemos. E no final de junho decidimos apoiar o governador João Alves porque acreditamos que seja o candidato que traga maiores benefícios para o estado. Ele sempre demonstrou um carinho especial com o partido, inclusive na luta contra a transposição do rio São Francisco e por isso havia essa tendência que foi concretizada de apoiar a candidatura dele à reeleição. Ele já realizou muito por Sergipe e com certeza neste novo mandato poderá realizar muito mais.  Esse apoio foi também acreditando que possamos contribuir para a concretização da ideologia do partido.

CN – Qual a avaliação deste primeiro mandato como vereador do município de São Cristóvão?
CPJ – Está sendo importante essa experiência, embora em condições adversas porque passei grande parte do ano de 2005 como único vereador de oposição. Agora é que outros vereadores estão se juntando ao bloco porque estão desencantados das idéias do Poder Executivo. Hoje somos quatro vereadores de oposição e é uma experiência que estou sabendo aproveitar no campo profissional como advogado e vice-versa. É uma experiência que mescla e vem dando sustentações para realizar minhas ações através do contato com o povo. É algo que o homem público tem que primar sempre, dando o melhor de si. É uma oportunidade única de poder contribuir com minha modéstia e capacidade, para a melhoria da cidade.

CN – Como vereador de oposição qual a análise que você faz da administração do prefeito Zezinho da Everest?
CPJ – Sempre tento dissociar do vereador de oposição que muitas vezes tende a cair apenas nas criticas, mas da minha parte não são criticas vazias e levianas, são criticas construtivas e quem acompanha o nosso trabalho sabe disso. O prefeito Zezinho da Everest, tem uma história bonita como a do presidente Lula. Tentou se eleger por várias vezes até que conseguiu em 2004. Mas infelizmente na administração pública não basta ter uma história bonita, palavras e sonho, é preciso ter competência, estar cercado de pessoas competentes compromissadas com a causa pública e infelizmente não é isso que estamos vendo em São Cristóvão. Tudo que foi prometido até agora foi relegado para a população e basta ser fazer um rápido passeio pelas esquinas da cidade que se verá que o que digo é a verdade, através da voz da população que vem reclamando da falta de empregos que foram prometidos, a falta de compromisso nas áreas de educação, saúde e ruas que foram prometidas à pavimentação na campanha e não foram feitas. Agora através do governo do Estado, estão sendo feitas diversas obras, como a obra importante para São Cristóvão que é a pavimentação da estrada para o povoado Rita Cacete. É um governo municipal que promete muito, muito marketing, muita propaganda e pouca ação. Pergunto até quando a população vai agüentar este tipo de enganação e como vereador e cidadão de São Cristóvão faço as cobranças e fico na esperança que as coisas possam mudar porque quem está perdendo é a sociedade.

CN – Qual será o mote da sua campanha eleitoral para a Câmara dos Deputados?
CPJ  – Acompanho de perto o problema do desemprego. É um direito da população e principalmente os jovens precisam de emprego. Para isso é preciso qualificar a juventude, criar cursos profissionalizantes e gerir uma parceria de ações que possam dar a população jovem à oportunidade de emprego. Recentemente na França a juventude foi para as ruas brigar, inclusive até de forma exagerada, em defesa do primeiro emprego. E o presidente Jacques Chirac atendeu as reivindicações da juventude. O que precisamos no Brasil é isso, uma mobilização da juventude, para que não fique apenas nas palavras e discursos vazios, e sim uma reivindicação efetiva para que possamos desenvolver ações concretas dentro da realidade, para atender os anseios dos jovens brasileiros.

 

 


 

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