Entrevista – Ronaldo Joaquim/Instituto Padrão

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Ronaldo: luta de gigantes entre João e Deda.
  Em Sergipe, escrever ou falar sobre pesquisas eleitorais é um assunto interessante, delicado e com alguns casos nos bastidores de arrepiar. Existem “institutos” e Institutos. O Instituto Padrão de Pesquisas Cientificas, é, sem dúvida nenhuma, o maior referencial de instituto sério e com credibilidade nos diversos segmentos políticos do Estado. O diretor do Instituto, Ronaldo Joaquim dos Santos, tem 18 anos de experiência na área e o Padrão tem 8 anos de existência. Num bate papo descontraído, Ronaldo analisa a área das pesquisas  eleitorais e o atual contexto político de Sergipe.

 

Cláudio Nunes – Essa credibilidade na realização de pesquisas eleitorais em Sergipe, junto a todos os segmentos políticos, qual a sua avaliação?

Ronaldo Joaquim –  Primeiro tem que ter amor e prazer. Eu gosto do que faço e estudo diariamente sobre o assunto. A pesquisa faz parte da minha rotina, mas o grande mote é você usar com isenção os critérios científicos e, além disso, você adaptar a realidade local. Ou seja, você procurar a sua forma particular de trabalhar. Então estudei Sergipe geograficamente, com suas particularidades em cada cidade, cada povoado. Isso faz diferença, mas é muito relativo avaliar como o melhor. Todos os institutos que fazem pesquisas através dos critérios científicos são sérios.

CN – Como você analisa essa proposta, já aprovada no Congresso Nacional, de proibir a divulgação de pesquisas 15 dias antes das eleições?

RJ – Acredito que isso não altera muito o quadro, se isso vier ocorrer. Avalio que a influencia no eleitorado é pequena, ela é mais psicológica. Isso já é comprovado. Um exemplo, a eleição em que disputaram o governo, Jackson Barreto e Albano Franco, em 1994, onde um instituto em nível nacional deu 18% de diferença para Albano, mas Jackson venceu no 1º turno. Ou seja, a influencia é pequena, porém existe a influencia psicológica nos candidatos, mas não altera muito os resultados.

CN – No atual quadro eleitoral de Sergipe, para disputar o governo do Estado, com a polarização entre João Alves e Marcelo Deda, com sua experiência pode não ocorrer o 2° turno eleitoral?

RJ – Acho difícil ter 2° turno em Sergipe, porque não tem outro nome representativo.

CN – Qual o anseio do eleitorado de Sergipe constatado nas pesquisas qualitativas?

RJ –  Interessante que boa parte pede mudança. Tem uma faixa de 16 a 30 anos que o cabo eleitoral ou a liderança política não consegue interferir no voto dele. O quadro da eleição deste ano é diferente. De um lado tem um candidato que saiu com 80% de aprovação da administração municipal, onde Aracaju representa 27% do eleitorado, mas quase todos que moram na capital tem parente no interior. Por outro lado tem um candidato que já chegou três vezes ao governo estadual, que tem uma experiência muito grande e já participou, só nos bastidores de 20 anos porque elegeu Valadares e Albano. É uma briga de gigantes. Hoje não dá para dizer que quem ganha a eleição em Sergipe é a experiência do governador João Alves, contra a juventude de Deda.

CN – E para a única vaga do Senado Federal. As pesquisas divulgadas mostram uma diferença muito grande da senadora Maria do Carmo para os adversários. Este quadro pode ser mudado?

RJ – Acredito que será muito difícil, porque os vários nomes para enfrentar a senadora Maria do Carmo, como Albano Franco, parece que não será candidato. Porém, eleição tem algumas peculiaridades, através da condução da campanha, depende muito do marqueteiro, de acordos políticos e tudo mais.

CN – O horário eleitoral gratuito influencia no eleitorado? Ele muda significativamente os percentuais das pesquisas?

RJ –  Às vezes muda, mas depende muito da condução do programa. Na verdade o percentual de quem assiste o horário eleitoral é baixo, porém se o programa tiver uma proposta diferente e criativa pode influenciar na mudança do eleitorado.

CN – O Instituto Padrão recebe encomendas de pesquisas de vários políticos. Alguns chegam aqui com grande expectativa, achando que tem altos índices junto ao eleitorado, mas quando recebe o resultado o quadro é outro. Como é lidar com isso, porque mexe com a vaidade política de muitos e que muitas vezes não querem ver a realidade?

RJ – Hoje fácil, porque as pessoas já conhecem a empresa, mas ainda se encontra alguma dificuldade, principalmente com os que têm baixa escolaridade. A aceitação hoje é maior, apesar de ser um trabalho muito lento que sempre encontra resistência. Muitas vezes a gente aconselha um amigo a não ser candidato, para não se desfazer de patrimônios. Vários políticos já desistiram depois de analisar pesquisas, principalmente na disputa para prefeituras.

CN – Qual a sua avaliação sobre a falta de credibilidade das pesquisas junto a uma parcela do eleitorado e da própria classe política?

RJ – De um modo geral a população acredita em pesquisa, mas muitas vezes os critérios científicos não são usados adequadamente. O mais difícil de fazer pesquisa no campo é a coleta dos dados, que precisa ser imparcial e cada dia fica mais difícil você encontrar pesquisas sérias para realizar este trabalho.

CN – É verdade que Lula está ganhando em todos os municípios de Sergipe?

RJ – Pelo menos em todas que fiz ele está ganhando, sobretudo nas classes D e F, por conta dos programas como bolsa família, bolsa escola e outros. Tem um detalhe em Sergipe, o Partido dos Trabalhadores precisa se aperfeiçoar mais na campanha, fazer política. Existe alguns que ainda são primários, estão trabalhando muito na base do “achismo” e campanha  hoje é profissionalismo.

CN – Esses escândalos nacionais vão contribuir para um grande índice de abstenções e votos nulos na eleição deste ano?

RJ – Acredito. Sobretudo na legenda para deputado federal, porque hoje a Câmara dos Deputados está esfacelada, com total descrédito. Porém, no fundo todo mundo deseja votar.

CN – Qual a receita de sucesso, para conquistar a credibilidade, como conquistou o Instituto Padrão?

RJ – Ser honesto, ter uma equipe profissional e não abrir mão dos critérios científicos. Evidente que qualquer instituto está passível de erro, porque as vezes, principalmente no interior ocorrem situações atípicas, que a eleição muda numa madrugada, sobretudo nos lugares pequenos, por conta de algumas coisas que todo mundo já conhece.

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