Estrago eleitoral

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  A decisão do deputado  federal Heleno Silva em renunciar a candidatura à reeleição deve ter representado para o parlamentar evangélico um grande sacrifício e deve ter exigido uma volumosa dose de coragem em função da sua confortável condição eleitoral onde se apresentava como um dos favoritos desse pleito. Heleno se transformou em pouco tempo num dos políticos mais expressivos da nova safra, com desenvoltura suficiente para preocupar o candidato majoritário da coligação adversária. Mas por outro lado à decisão adotada também se apresentava como a mais recomendada para que tem o mínimo de sensibilidade política e para quem é capaz de reconhecer o estrago eleitoral que o envolvimento do seu nome provocaria na sua caminhada atual, ainda mais quando se sabe que trata-se de uma campanha caríssima e que algumas entidades estão bolando uma campanha onde o eleitor deve ser convidado a assumir o papel que os congressistas abdicaram ao não promover a cassação dos envolvidos nos diversos escândalos que ocuparam as manchetes dos jornais nos últimos doze meses.

   Depois da denúncia promovida pelo deputado fluminense Roberto Jefferson (PTB), o que a sociedade passou a assistir foi à divulgação de uma série de escândalos tais como “mensalão e sanguessugas” todos eles envolvendo milhões de reais, originários do orçamento público e desviados das suas finalidades para cair silenciosamente no bolso dos supostos espertalhões, sem contar que a sociedade é obrigada a conviver diariamente com a falta de escolas, de alimentação para seus filhos e de medicamentos nos postos de saúde e como se não bastasse ter que assistir através dos jornais televisivos que o deputado fulano de tal, envolvido no escândalo tal, onde a CPI tal comprovou a sua participação, “foi absolvido pelo plenário em razão do corporativismo”.

  O  pior é que logo em seguida os eleitores brasileiros descobrem que a maioria dos que votaram pela absolvição, estava também envolvidos em outros escândalos. Sem contar que antes qualquer parlamentar envolvido com qualquer situação de irregularidade, buscava imediatamente eleger-se para livrar-se da punição, ocorre que pelas últimas decisões adotadas pelo TSE e pelos TRE”S, as punições solicitadas prevêem o impedimento da diplomação e até mesmo a cassação do diploma caso já tenha sido concedido. Diante disso a renúncia de Heleno pode ser apenas a primeira, mas possivelmente não será a única desse pleito, outros parlamentares com pendência de julgamento por motivos idênticos, podem acabar optando pelo mesmo remédio.

 

Pesquisas são alentos

Quem acessou esta coluna ontem leu que no artigo “Pesquisas e avaliações”  no final, este colunista escreveu que “esse resultado (Ibope) não pode jamais servir de alento para ninguém, até porque os institutos também erram”. Ontem foi divulgada outra pesquisa desta vez do Instituto Padrão, com a margem de erro é de 3.5 pontos percentuais para mais ou menos. Pela pesquisa João Alves seria reeleito, com 46,2% das intenções de votos, contra 44,5% dos votos de Deda.  Outra pesquisa divulgada ontem, não de um instituto, mas do Departamento de pesquisas do Cinform, o Dataform, foi feita na região do sertão. Para surpresa de todos deu empate técnico na região que é tradicionalmente um reduto eleitoral de João Alves,  onde o uso do chapéu de couro é o mote da campanha pefelista.

 

 

Padrão foi feita antes do Ibope

A pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Padrão foi encomendada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas – CDL e realizada entre 29 e 30 de julho. O registro só foi feito no dia 3 de agosto no TRE, ou seja três dias após a realização da mesma. A pesquisa foi feita antes da do Ibope, mas publicada depois.

 

Exata e Vox Populi

Estão sendo esperadas para hoje e amanhã o resultado de  mais duas pesquisas. Segundo os partidários do governador João Alves Filho o Instituto Exata, de Pernambuco e o Vox Populi devem divulgar ainda esta semana os resultados. Pela alegria dos governistas as pesquisas devem seguir o ritmo do Instituto Padrão. Um dado  chamou a atenção na pesquisa do Padrão para o Senado Federal: o nome de Valadares que não é candidato a senador. E não dá para dizer que foi na espontânea porque tem o nome de Evandro Maestro e professor Bosco que são candidatos ao Senado, mas ninguém, ninguém mesmo sabe que eles são candidatos.

 

Mais dados da pesquisa Ibope

Os resultados por faixas etárias disponibilizados ontem no site do Instituto: de 16 a 24 anos: Déda 55%, João 32% ;de 25 a 29 anos: Déda 46%, João 31%;de 30 a 39 anos: Déda 42%, João 39% de 40 a 49 anos: Déda 39%, João 38% e 50 ou mais anos: Déda 35%, João 38%. Os resultados por região são:Aracaju: Déda 46%, João 33%;Resto da Grande Aracaju: Déda 45%, João 31% e Interior: Déda 43%, João 38%. Segundo turno: Deda 49%, João 39% e segundo turno só válidos: 55,7% Deda, 44,3% João. Rejeição: Deda 23% e João 34%.

 

 

Molho para ser devorado

Sabe de quem é a culpa de tantas pesquisas e tantos institutos divulgando percentuais para todos os gostos? Não é de quem contrata, nem dos candidatos. É do Tribunal Superior Eleitoral que deixou à vontade a divulgação de pesquisas. Se tivesse imposto uma única metodologia para todas as pesquisas os tipos serão únicos e os índices percentuais não teriam tantas disparidades. Como o TSE abriu mão de seu poder, cabe ao eleitor escolher a pesquisa que mais de adequar ao seu gosto. Como bem escreveu o escritor Eduardo Galeano “a liberdade de eleição permite que você escolha o molho com o qual será devorado”.

 

Desculpa esfarrapada I

Não poderia existir argumento mais pífio para a Universidade Tiradentes do que dizer que a cobrança pelo estacionamento serve para pagar o imposto municipal. Ora, o ISSQN – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, é um tributo que decorre do faturamento da UNIT nas mensalidades que arrecada do seu aluno, e é um percentual deste. Aliás, a sociedade sergipana espera que a UNIT venha pagando em dia seus impostos, porque ninguém desconhece seu poderio econômico e contínuo crescimento. Imagine, a UNIT ter que explorar estacionamentos para pagar o ISS. Desta forma este jornalista vai cobrar estacionamento na porta da minha casa para pagar o Imposto de Renda.

 

Desculpa esfarrapada II

Ainda bem que a Prefeitura de Aracaju reagiu prontamente à notícia ontem de que as faculdades particulares iriam voltar a cobrar pelo uso do estacionamento. De fato, foi providencial esclarecer, de imediato, que a decisão judicial obtida pela Universidade Tiradentes (liminar em mandato de segurança) aplica-se exclusivamente a ela própria, e portanto, não dá subsídio às outras instituições para cobrar pelo estacionamento que oferecem aos seus alunos. Oliveira Júnior, Secretário Municipal de Finanças, afirmou que a Secretaria irá fiscalizar essas instituições a partir do recebimento de denúncias fundamentadas. Ontem mesmo, por determinação do prefeito Edvaldo Nogueira, a Procuradoria e a Secretaria de Finanças definiram ações para defender a legislação municipal, de autoria do vereador Elber Filho. A primeira atitude foi “light”: as instituições foram apenas alertadas por ofício para a aplicação da Lei, que continua valendo…

 

CDL volta a guerra

 A Câmara dos Dirigentes Lojistas que na eleição de 1996 foi transformado no quartel general do então candidato João Augusto Gama voltou a participar ativamente de uma disputa eleitoral depois de 10 anos. Ontem pela manhã, antes da divulgação da pesquisa dezenas de políticos ligados a candidatura do PFL estavam na sede da CDL, na rua Santa Luzia. A CDL agora se transformou no quartel general de João Alves. Como é uma entidade classista nada demais.

 

 

Delírios políticos I

Depois de já ter recebido parte da uma ajuda solicitada para apoiar um candidato a deputado federal, um ex-prefeito da região centro-sul anunciou o apoio a um outro candidato, ao tomar conhecimento do fato o irmão do candidato, que é também o mentor da candidatura, escalou um quebra-faca para localizar o mesmo e trazer o dinheiro adiantado de qualquer forma.

 

Delírios políticos II

Por sorte do ex-administrador, ao receber uma ameaçadora ligação exigindo a devolução do dinheiro, nervoso ele colocou a mão no microfone do celular e fez a seguinte pergunta: “E aí governador, posso avisar ao seu genro que foi o senhor que mandou que eu votasse no outro candidato?”. Resposta: “Não, responda apenas que o dinheiro dele será devolvido ainda hoje.”. É claro que o genro nem sonhava que estava sendo traído pelo próprio sogro. Não me perguntem onde aconteceu esse episódio e nem quando, só sei que o carro dos meus sonhos, era um Veraneio/2006 que infelizmente não fabrica mais.

 

Quem contratou?

Um detalhe interessante no julgamento de Antônio Francisco Junior, condenado ontem há 19 anos por participar da trama para matar o então deputado João Barbosa. Além do advogado GIlton Garcia, ele foi defendido pelo escritório Eduardo Ferrão, de Brasília.  O boato ontem era que o escritório de Ferrão tinha sido contratado pelo ex-governador Albano Franco. Ninguém acreditou, até porque o estilo do ex-governador é totalmente contra violência e ele não iria contratar um escritório para defender quem está sendo acusado de matar um parlamentar.

 

 

Amigo da onça

Um membro da oposição, conhecido por seu extremo senso de humor apareceu no domingo na caminhada de um candidato, vestido numa camisa roxa e com a seguinte frase: “Movimento 28” quando os seus correligionários lhe perguntavam quem é o candidato 28 ele simplesmente respondia  que não se tratava de um novo candidato, mas que diante do resultado das pesquisas divulgadas na última sexta-feira pelo Ibope ele entendia que já estava na hora de se criar o movimento 26, 27 e 28 pra ver se a coisa melhora. É realmente um piadista!

 

Frase do Dia

“Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória, das nossas novas gerações dormia a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”. Chico  Buarque na música Vai passar, de 1984, bem atual, principalmente neste período eleitoral.

 

 

 

 

 

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