ESTRANGEIROS EM ARACAJU (V)

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A Maçonaria, através da Loja Capitular Cotinguiba, ainda mantém, em sua sede da rua de Santo Amaro, no centro de Aracaju, uma Escola de Corte e Costura. Foi o que restou da “Liga Sergipense contra o Analfabetismo”, criada em 24 de setembro de 1916, uma das mais atuantes entidades sergipanas, com uma rede de escolas alternativas, populares, noturnas, dispostas estrategicamente para alfabetizar os adultos. Grandes nomes, voluntários, passaram pela Diretoria da Liga, dentre eles o almirante Amintas Jorge. A Liga contava com os sócios do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundado em 1912, e mais tarde com a União Espírita Sergipana, fundada em 1942. Um maçom, mais que outros, deu parcela grandiosa de colaboração a Liga Sergipense contra o analfabetismo, foi o comerciante Jamil Chadud.

 

Jamil Chadud, filho de Esber e Carmém Chadud, nasceu em 15 de março de 1908, em Safita, na Síria. Residindo na rua Pacatuba, 142, comerciando em Aracaju, participou da Diretoria da Associação dos Comerciantes Varejistas de Sergipe, como um dos fundadores, em 1932, reeleito em 1934 como 1º Secretário. Em 28 de março de 1940, declarando-se espírita, foi iniciado na Maçonaria. Era solteiro e já levava fama de grande alfabetizador, sendo responsável, em 1939, pela alfabetização de 2.510 pessoas, número elevado e que dava a Jamil Chadud a imagem que guardou enquanto permaneceu atuante no comércio sergipano. Acumulava suas funções na Liga com a de Orador da União Espírita Sergipana (1942). Em 25 de maio de 1946 casou-se com Maria Abud Chadud, mudando-se para o Rio de Janeiro onde no ano seguinte, residindo no subúrbio de Del Castilho, estabelece-se na rua da Alfândega, 325, no centro comercial carioca, na região conhecida como Sahara.

 

Jamil Chadud
Jamil Chadud morreu no Rio de Janeiro, sem voltar a Sergipe, mas deixou entre os sergipanos o exemplo de dedicação em favor da causa da alfabetização de adultos, levando a Liga Sergipense contra o Analfabetismo a atingir estatísticas grandiosas, o que servia para exaltar o papel dos seus dirigentes e das instituições que patrocinavam sua presença nos bairros de Aracaju e em alguns pontos do Estado.

 

Dos comerciantes estrangeiros, maçons, José Kipermann registrou sua loja na Junta Comercial – em 21 de julho de 1923 – e angariou simpatia com sua Alfaiataria Carioca, localizada na rua de João Pessoa, 153. José Kipermann, nascido em Studenísia, na Rússia, em 20 de março de 1892, era casado com Clara Kipermann e tinha dois filhos – Maria e Moisés -, nascidos, respectivamente, em 1927 e 1929. Tinha um irmão em Aracaju, Luiz Kipermann, casado com Ester Kipermann, e que também tinha dois filhos – Abraão, nascido em Laranjeiras em 1924, e Sara, nascida em Aracaju em 1927. Conhecido como José Olhinho, por causa de um defeito no olho direito, judeu, José Kipermann tentou duas vezes o ingresso na Loja Capitular Cotinguiba, sendo rejeitado na década de 1930, mas finalmente sendo iniciando em 25 de janeiro de 1941, para, depois de alguns anos de intensa participação, transferir-se para o Rio de Janeiro, colocando à disposição dos irmãos da Loja o endereço da rua Pedro Guedes, 75, apartamento 103.

 

José Kipermann
O Rio de Janeiro foi, durante alguns anos, destino preferencial de judeus, maçons ou não, que viviam em Aracaju e em outros municípios sergipanos. O torpedeamento dos navios mercantes, em agosto de 1942, agitou Aracaju e assustou judeus, alemães, italianos, e outros estrangeiros que há muitos anos viviam, com seus familiares, em terras sergipanas. Outros ficaram, enfrentaram a adversidade, o desconforto, a desconfiança, no período da II Guerra Mundial, resistindo. Foi o caso do engenheiro civil norte americano José Steremberg, nascido em Nova Iorque em 27 de julho de 1916. Judeu, maçom desde 13 de dezembro de 1941, atuante na área da construção, no Departamento de Estradas e Rodagens, e noutras atividades profissionais. Casado desde 24 de dezembro de 1950, o professor José Steremberg viveu em Aracaju com sua família até morrer, em 4 de novembro de 1973.

 

Dentro e fora da Maçonaria foram muitos os estrangeiros, de várias partes do mundo, além dos portugueses, que optaram por Sergipe e foram incorporados ao cotidiano sergipano. Sobrenomes fortes, como Wynne, Shramam, em Maruim, Gambardela, Fiscina, Mandarino, em Itaporanga, Jasmim, em Estância, Hagembeck, Aragonez, em Laranjeiras, Abud, Chapermann, Tancu, Schneider, Sattler, Gentile (aportuguesados para Gentil), Schuster, Gatti, Salmeron, Navarro, Loeser, em Aracaju, dentre outros, todos eles com descendência que tornam Sergipe uma espécie de consulado mundial.

 

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