Etevalda, A Rastafari de Cristo

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Cartas do Apolônio

 

 

Namorada de Apolônio se converte à mais esdrúxula seita brasileira desde os tempos de Luiz Hawart.

 

Cascais, 2 de dezembro de 2005

 

Caros amigos de Sergipe:

 

Depois da cantora baiana Baby do Brasil se auto-proclamar pastora evangélica do ‘Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus’, agora é a vez de Etevalda Fausta, ‘a única que presta’, se converter à recorrente moda das seitas alternativas. A reboculosa cablocla é a mais nova fiel dos ‘Rastafari de Cristo’. Isto me preocupa sobremaneira!

 

Enquanto a ex-crooner dos Novos Baianos afirma que “Jesus é um casca grossa” e que “no céu não vai ter molenga”, Etevalda garante que “Ele é um grande apreciador do reggae rots e nada tem contra os estimulantes naturais que abrem os portais da alma”, numa descarada referência à canabis sativa. Uma doidivanas sem a menor dúvida.

 

Confesso aos senhores que não estaria tão apreensivo, se as últimas reuniões da estranha seita não estivessem sendo realizadas –pasmem- na minha própria casa. É que com a alegada crise financeira por que passa o novo culto, o templo doado pelo governo jamaicano, foi vendido e o dinheiro depositado num paraíso fiscal “para suprir alguma eventualidade” segundo o pastor Peter Cliff, mentor espiritual das ovelhinhas tresloucadas.

 

Com os insistentes pedidos acompanhados de valorosos préstimos pornô-eróticos de Etevalda Fausta, não tive outra alternativa a não ser ceder o imóvel para as reuniões semanais.

 

Tal qual nos cultos ao Santo Daime acreano, as reuniões etevaldinas são regadas a um grande consumo dos morrões fumegantes, para a qual a nova carola da massa real encontrou até –pasmem novamente os queridos leitores- uma referência na Bíblia. Só não me explicou qual é.

Nesses alegres encontros é discutido também o destino dos abstêmios do fumo após o Juízo Final, a beatificação do guru Jimmy Cliff, a descriminalização das drogas menores ‘para glória de Jah’ e tantas outras questões concernentes aos propósitos da instituição festivo-religiosa. Oxalá a Polícia Portuguesa não nos leia.     

 

Aos sábados à tarde, Etevalda e seus companheiros de empreitada viajam até a  periferia com o propósito altruísta de doar cestas básicas para a população carente.

 

Trata-se do Projeto ‘Larica Zero’, que costuma agraciar sua clientela com kits compostos de lata de leite, mariola, arroz, feijão, um CD pirata com os hits jamaicanos e, naturalmente, um cigarrinho manufaturado para ajudar na conversão de novos adeptos. Segundo Etevalda, a chegada da trupe é sempre saudada com música e fogos de artifício. Deve ser uma loucura!

 

De modo que, diante do exposto,  encontro-me numa situação esdrúxula dentro da minha própria  mansarda. Invadido pela meresia semanal de dezenas de ‘Rastafari de Cristo”, estou em dúvida entre sair de casa para escapar de eventuais baculejos ou entrar de vez na onda transcendental rumo às ‘maravilhas do Reino de Jah’.

 

Em suma, amigos,. não sei se ligo para a Polícia ou começo logo uma arrecadação interna para a reforma do templo. Aceito sugestões.

 

Até semana que vem

 

Um abraço do

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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