Exploremos as virtudes nessa pandemia. Uma Revolução Espiritual!

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Data Vênia

(*) Fausto Leite

Exploremos as virtudes nessa pandemia. Uma Revolução Espiritual!

Vivemos dias difíceis, onde o isolamento é o remédio ideal para que a morte não venha a bater em nossas portas. As pessoas estão recolhidas, presas, confinadas em suas residências. Aprendendo, talvez, a dar um freio na vida tão corrida e frenética. Estávamos em um mundo de faz de contas, onde os posts nas redes sociais, as academias, as traições, as soberbas, as vaidades, o culto ao corpo, as mentiras e outros dominaram nosso cotidiano de uma maneira tão agressiva que muitas vidas foram destruídas em sentido latu senso e a instituição família ficou de lado.

Recentemente li um conto do livro Olhos D’Água, da escritora Conceição Evaristo, intitulado “O cooper de Cida” que tem uma frase mais ou menos assim: “… corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo do viver…”. Os nossos pré-candidatos estão assim nesses tempos de isolamento. Procuram o tempo todo correr atrás do voto e assim infringem a legislação eleitoral com propagandas que podem a vir-lhes causar prejuízos de ordem econômica e social. Precisam eles procurar ter mais respeito aos eleitores para não serem taxados como hipócritas e aproveitadores do momento.

Mas não só são os políticos que estão à procura de continuar correndo e ignorando a pandemia e o tempo que Deus nos deus para reflexão. Os empresários – altos, médios e pequenos –  estão a perder os lucros e com possibilidades de fechar seus negócios; os profissionais liberais que estão recolhidos em suas casas sem produzir nada; os empregados estão em casa e muitos perderam seus empregos; o Governo (Federal, Estadual e Municipal) já veem a dificuldade de manter suas obrigações constitucionais e até os funcionários públicos que, em tese, são os mais privilegiados, tiveram seus subsídios reduzidos. Chega de tanta proteção Estatal! É preciso adaptarmos aos novos tempos.

Qual a virtude que tiramos desse caos? Nenhuma… nenhuma… nenhuma… voltaremos ao cooper de Cida, quando tudo isso vier a acabar. Verdade que temos limitações de virtudes, sejam elas físicas ou intelectuais, ou falta de aptidão, de graça, de jeito, de amor ao próximo. Não devemos confundir virtudes com defeitos, pois somos responsáveis pelos nossos defeitos e omissos por não enfatizarmos nossas virtudes. Aceitar nossas limitações e reconhecer nossos erros é uma virtude, por isso precisamos entrar com a alma na verdade. Disse Jesus: “… Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém chegará ao Pai, senão por mim…”.

Superar o que for possível tem que ser nossa meta nesses tempos de trevas. Devemos separar as limitações que podem ser resolvidas com tratamentos médicos (uma ferida aberta), cirúrgicos (colocação de uma prótese mamária), psicológicos (uma decepção), daquelas que só dependem de nossas atitudes e conceitos de vida e devem ser eliminadas, mas não é tão fácil assim. Precisam ser guerreadas frontalmente sem o “complexo de limitado”, sem a correria de Cida “…em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho…”. Talvez, se corrêssemos desta forma para as orações e a penitência nada o que dissemos no primeiro parágrafo aconteceria. Seríamos mais pacientes, mais religiosos, mais sinceros, mais humanos, mais fiéis, mais e … mais e … mais.

Conversava com um amigo querido via WatsApp sobre o que estamos passando e notei tristeza na semântica de sua escrita. Dizia ele: “… levando e procurando ficar tranquilo. A ansiedade baixa a imunidade. Muita fé em Deus. Orando. Esperando que tudo isso passe…”.  Vejamos que as curtas frases dele são calcadas em filetes de possibilidade de fé e amor ao próximo. O confortei buscando elementos históricos e revolucionais. Disse-lhe que comparo este mal às Revoluções que mudaram a vida da humanidade de maneira brutal e sangrenta. Comparei a pandemias às Revoluções Francesa e Russa. A primeira pelo fato de ter sido uma revolução calcada nas liberdades (Liberté, Egalité, Fraternité), enquanto que a segunda fundada na esfera social como bem explica o professor Paulo Bonavides em sua obra Do Estado Liberal ao Estado Social. Passados alguns minutos, sereno e inteligente como sei que Chico Dantas é, simplesmente dedilhou “isso mesmo”.  Finalizei dizendo-lhe: “Dr. Francisco estamos passando por uma Revolução Espiritual”.

Trouxemos o cooper de Cida para o contexto dessa semana, pois quando ela descobriu que tudo passa foi só aos 29 anos, pois entendeu que não precisa correr tanto na vida. Óbvio que temos regras a serem cumpridas, mesmo que muitas vezes não estejam escritas, visto que a expressão proibição, precisa ser respeitada. Lembremos dos casais de namorados que estão respondendo processo por irem à praia? Isso é um exemplo de proibição, pois quando entramos nesse campo traiçoeiro e perigoso colocaremos em perigo nossas vidas, nossas famílias, nossos amigos e todos que nos cercam. Precisamos saber frequentar os locais e pessoas que nos cabem. Por fim, fica aqui minha contribuição da semana, um pouco fora do contexto político, mas sim social. Como Cida não devemos cometer erros terríveis e loucuras apaixonantes efêmeras, para não precisar passar o resto de nossas vidas sendo julgados pelos outros. Finaliza Conceição Evaristo no conto “… E só então falou significativamente uma expressão que tantas vezes usara e escutara. Mais falou baixinho, como se fosse um momento único de uma misteriosa e profunda prece. Ela ia dar um tempo para ela”. Boa semana e Deus que nos abençoe!

 

(*) Fausto Leite é advogado, jornalista e professor, pós-graduado em Metodologia da Ciência, Direito Eleitoral, Direito Ambiental, Direito Processual Civil, Mestrando em Direitos Humanos, Mestre em Ciência Políticas e Governação Pública e Doutorando em Direito Constitucional. E-mail: faustoleite@infonet.com.br. Fone: 79 9.9838-8338.

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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