A Desenvolve-SE ganhou; o povo ficou com o balde

A grande tacada financeira da agência foi a concessão dos serviços da Deso. A Iguá pagou R$ 4,53 bilhões para explorar a distribuição de água e o esgotamento sanitário em 74 municípios durante 35 anos. Pela regra estabelecida, 1% do ágio do leilão foi reservado à Desenvolve-SE, algo próximo de R$ 25 milhões, além das receitas provenientes da própria intermediação do negócio e das aplicações financeiras. Em 2024, a agência declarou receita bruta superior a R$ 27 milhões e lucro líquido de R$ 6,1 milhões. A Desenvolve-SE ganhou estrutura, contratos, receita e protagonismo. A Iguá ganhou uma concessão de três décadas e meia. O governo ganhou bilhões para distribuir. E o povo, ganhou o quê? Em muitos lugares, ganhou água irregular, cobrança, reclamação, balde, carro-pipa e o privilégio de descobrir que a torneira foi concedida, mas a responsabilidade continua em permanente rodízio.

A situação é ainda mais indigesta porque o Ministério Público de Contas apontou inconsistências no diagnóstico da infraestrutura, ausência de estudos adequados, dúvidas sobre a viabilidade econômico-financeira da Deso e conflitos entre as obras atribuídas à estatal e aquelas previstas no planejamento da concessão. O MPC recomendou adiar o leilão, mas Milton e o governo preferiram acelerar. Venderam a operação como a passagem de Sergipe para o futuro; pouco depois, a crise de abastecimento obrigou Iguá, Agrese, Governo e Ministério Público a costurarem um acordo de aproximadamente R$ 32 milhões para realizar medidas emergenciais e compensar consumidores. A concessão que foi anunciada como solução precisou de uma solução para seus próprios problemas antes mesmo de completar a infância.

Milton Andrade não pode ser responsabilizado sozinho por cada torneira seca, pois a distribuição pertence à Iguá e a fiscalização cabe à Agrese. Mas também não pode ser o pai da concessão durante o leilão e virar simples conhecido da família quando falta água. Quem presidiu a agência que conduziu, defendeu e celebrou o negócio tem obrigação de responder quanto a Desenvolve-SE recebeu, quanto gastou, quais advertências técnicas ignorou e quais benefícios concretos entregou ao cidadão. Até agora, a impressão é desconfortável: a agência se desenvolveu, a concessionária ampliou seu mercado, os cofres receberam bilhões e o sergipano continuou esperando a água chegar. Talvez o maior empreendimento produzido pela Desenvolve-SE tenha sido o desenvolvimento da dúvida: afinal, nesse negócio todo, quem ganhou mais — Sergipe ou quem negociou Sergipe?

BLIND DATE NOTICIAS

Operou, mas o remédio não chegou I. Recém-submetido a uma cirurgia bariátrica pelo Opera Sergipe, no Hospital Santa Isabel, um paciente gravou um áudio desesperado, afirmando estar há horas sentindo fortes dores por falta de medicação. Ele elogiou o médico Raul, mas disse que a farmácia hospitalar teria enfrentado problemas e que outros operados também aguardavam alívio. A cirurgia foi rápida; o analgésico, pelo visto, entrou na fila de espera do governo e ainda não recebeu autorização para desembarcar.

Operou, mas o remédio não chegou II. Entre lágrimas, raiva e palavrões de quem acabara de sair de uma mesa cirúrgica, o paciente apelou diretamente ao governador e chegou a oferecer dinheiro para comprar o próprio remédio. A cena transforma o “Opera Sergipe” em “Espera Sergipe”: o médico opera, o paciente geme e a farmácia procura o medicamento como quem procura promessa cumprida em ano eleitoral. O governo e o hospital precisam esclarecer o episódio urgentemente, porque dor pós-operatória não aceita discurso, vídeo institucional nem pedido para aguardar só mais um pouquinho. Com a palavra o Ministério Público de Sergipe.

O mistério dos “muitos poucos”. Breno Garibalde confirmou as exonerações, mas disse que tinha “muito pouca gente” na Prefeitura. Quanto é “muito pouco”: dois, dez ou uma pequena excursão na folha? Como cargo comissionado é de confiança, fazer oposição e conservar indicação seria querer bater no governo sem largar a boquinha. Agora falta Breno revelar quantos eram os seus “pouquíssimos” antes que a matemática também seja exonerada.

Kel levanta a voz. Kel Guimarães teve apenas 110 votos para vereadora de Aracaju em 2024, mas voltou à disputa com uma campanha firme em defesa das mulheres, contra a violência e a objetificação feminina. Faltou voto, não faltou coragem. Enquanto muito candidato usa mulher como cenário, Kel quer colocá-la no centro da decisão. Agora disputa uma vaga federal pelo Missão, número 1499, e apresenta razões para conquistar especialmente o voto feminino.

Moisés solta o verbo I. O vereador Moisés de Acioli acusou o governo de atropelar os professores e anunciar como pronta uma rodovia que, segundo ele, continua em obras. O repórter foi procurar o asfalto da propaganda e quase precisou de GPS: a estrada estaria concluída apenas no horário eleitoral.

Moisés solta o verbo II. Moisés também disparou contra a concessão da Deso, os gastos da rodovia e a gestão do Hospital do Câncer, cobrando explicações sobre bilhões e aditivos milionários. Em Itabaiana, quando ele pega o microfone, falta freio e sobra combustível: o governo recebe tanta pancada que deveria aparecer na sessão usando capacete.

Casas Bahia, direitos em falta. Trabalhadores denunciam que chegaram para trabalhar e encontraram a loja fechada, o emprego sumido e a rescisão passeando em paradeiro desconhecido. Depois de dez, doze e quinze anos de serviço, receberam como despedida uma porta trancada. A Casas Bahia nem nasceu na Bahia, mas entrou no clima: enquanto o governo federal manda fazer o L, o trabalhador faz fila no seguro-desemprego e procura seus direitos na seção de produtos esgotados.

Alessandro abre o arquivo I. Alessandro Vieira afirmou que Alcolumbre engaveta qualquer investigação capaz de incomodar gente poderosa. Segundo o senador, pedido de impeachment no Senado funciona como hóspede de hotel cinco estrelas: entra, recebe tratamento reservado e nunca mais aparece na recepção.

Alessandro abre o arquivo II. Alessandro também lembrou que já apanhou da esquerda, da direita e até do bolsonarismo por defender a Lava Toga e investigações envolvendo ministros e banqueiros. Agora aposta na renovação do Senado. Em Brasília, trocar 54 cadeiras talvez seja mais fácil do que encontrar alguém disposto a levantar da própria.

O candidato que deu bolo I. O radialista Messias Carvalho, jornalista competente e dono de memória em alta definição, perdeu a paciência depois que Ricardo Marques cancelou, pela segunda vez, uma entrevista marcada com antecedência. O candidato avisou no apagar das luzes, talvez para ninguém enxergar o constrangimento. Ricardo, que também é profissional de imprensa, deveria saber: microfone não é noiva abandonada no altar eleitoral.

O candidato que deu bolo II. Messias deixou claro que o Jornal da Rio não é “casa de mãe Joana”, com pedido de desculpas à própria Joana, que jamais administraria uma agenda tão atrapalhada. Ricardo não compareceu, não pediu nova data e, aparentemente, também não deixou justificativa capaz de sobreviver a três perguntas. Talvez esteja esperando Rodrigo Valadares depositar o fundo partidário.

O candidato que deu bolo III. Também pode ser que Ricardo esteja repensando a candidatura, consultando os astros ou escolhendo a quem apoiar: Valmir de Francisquinho ou o velho amigo Fábio Mitidieri. Na política, mudar de lado é apresentado como “gesto de grandeza”; faltar entrevista, como “problema de agenda”; e deixar o eleitor sem resposta, como “estratégia”. Messias fechou o microfone. Ricardo, por enquanto, parece ter fechado foi a campanha para balanço.

O cisne abre as asas. Júlio Rochadel, o “cisne da floresta jurídica sergipana”, convida a advocacia para o lançamento da 24ª edição da Revista dos Advogados, no dia 16 de setembro, no Garden Ville. A noite celebrará os 25 anos do Escritório Rochadel Advocacia, a posse do novo desembargador Kleidson Nascimento e a gestão do procurador geral de Justiça Nilzir Vieira. Terá coquetel, história e elegância. Ou, traduzindo para o juridiquês social: regabofe com gravata, taça e muito habeas corpus contra a dieta.

 

 

Amizade no palco — Natanzinho reconheceu “Pipoca”, amigo dos tempos em que vendia geladinho antes da fama, no meio da multidão. Mandou buscá-lo e avisou: hoje os geladinhos seriam distribuídos, porque Pipoca havia sido promovido da plateia para o palco. Ao saber que o amigo tinha sido despejado naquele mesmo dia, Natanzinho providenciou hotel para a família, iniciou a busca por uma casa e ainda ofereceu trabalho. Enquanto muito famoso esquece até o nome do vizinho, Natanzinho mostrou que sucesso de verdade é subir sem arrancar a escada.

Sábado de reggae, relíquias e palhaçada. Jau, Edson Gomes e Reação comandam o Pôr do Jau, na Praia do Havaizinho. O Festival de Carros Antigos ocupa a Praça de Eventos da Orla, e o Circo Portugal arma a lona no Shopping Jardins. Até o Fusca terá agenda mais movimentada que muito candidato. No domingo o Quintal du Samba acontece no rooftop do Rio Mar; a Cavalgada Aribé, no Parque João Cleofas; e o rock gratuito, no Clash Pub. Só fica em casa quem estiver sem dinheiro, sem gasolina e de tornozeleira.

Apoio com aviso-prévio. Vereadores de Salgado denunciaram que servidores estariam perdendo o emprego por declarar apoio à vereadora Mafi, apesar de ela integrar a base do prefeito Givanildo. Se a acusação for confirmada, a Prefeitura inaugurou o voto com carteira assinada: escolheu outro candidato, ganha demissão de brinde. O prefeito precisa explicar, porque pão na mesa não pode depender de aplauso em palanque.

A última viradinha. Paulinho da União Tur, dono da viradinha mais famosa da política sergipana, renunciou à disputa pelo Senado. O TRE-SE homologou o pedido enquanto seu registro enfrentava falta de quitação eleitoral decorrente das contas de 2014; não encontrei uma justificativa pessoal dele nas redes. Paulinho teve 24.370 votos para senador em 2010 e 1.397 para vereador de Aracaju em 2012. Desta vez, virou tão depressa que saiu da urna antes de o eleitor apertar “confirma”.

 

Eliane empresta o voto I. Eliane Aquino, que conquistou 66.072 votos em 2022, voltou a Sergipe para anunciar que Márcio Macêdo é o seu candidato a deputado federal. O problema é que voto não aceita procuração: Eliane pode emprestar o prestígio, Lula pode gravar o vídeo, mas Márcio ainda precisa aparecer na campanha.

Eliane empresta o voto II. Em 2022, João Daniel teve 68.969 votos e dependeu da soma da federação, fortalecida decisivamente pelos votos de Eliane, para garantir a cadeira. Talvez o PT esteja escalando a pessoa errada: Eliane demonstrou ter votos; Márcio, até agora, tem apoios, memória de Déda e uma campanha que parece gravada no modo silencioso, pelo andar da carruagem o PT não fará nenhum federal.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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