Quando o professor entra em greve, o governo já perdeu a primeira aula
A greve dos professores tornou-se uma das maiores reprovações administrativas da campanha de Fábio Mitidieri. Ontem ocorreu o primeiro dia da paralisação; hoje, 27 de agosto, acontece o segundo, com marcha às 15h30, do Iate Clube ao Tribunal de Justiça. O centro do conflito é grave: existe uma decisão do STF que declarou inconstitucional a legislação de 2011 e determinou a retomada dos escalonamentos da carreira, de 40% a 100
%. Mas, em Sergipe, até decisão do Supremo precisa pegar senha e esperar o governo terminar a campanha. Enquanto Fábio percorre o interior inaugurando obras, os professores percorrem Aracaju cobrando um direito reconhecido pela Justiça.
O presidente do Sintese, Roberto Silva, afirma que o governo prometeu negociar o cumprimento da decisão, mas “não houve tal negociação”. Em vez de apresentar calendário e proposta concreta, o Estado pediu ao STF mais 12 meses de prazo. O Sintese chama isso de “calote”; juridicamente, é a posição do sindicato, pois o pedido ainda será analisado. Politicamente, porém, a conta já chegou. Professor não paga supermercado com “diálogo permanente”, nem recupera 14 anos de perdas ouvindo discursos sobre responsabilidade fiscal. Carinho institucional sem pagamento é apenas um abraço com a mão perto da carteira do professor.
O Governo de Sergipe precisa abrir as contas, apresentar datas e cumprir a decisão do STF, salvo se a própria Corte autorizar a prorrogação. Até lá, obrigação judicial não pode ser tratada como promessa eleitoral. Para propaganda, o governo encontra dinheiro, equipe e prazo; para o magistério, encontra calculadora, embargo e pedido de paciência. Fábio precisa descer do carro de campanha e resolver o problema. Afinal, o professor pode suspender a aula por 48 horas, mas o eleitor continua fazendo chamada todos os dias — e o governo parece não ter feito o dever de casa.
Na hora difícil, Eduardo Amorim mostrou que amizade não é santinho de campanha. Valmir de Francisquinho recebeu alta e seguiu para São Paulo, onde realiza exames complementares. Eduardo Amorim cancelou a própria agenda e viajou para acompanhá-lo, num gesto de solidariedade que não aparece em qualquer palanque. Na política, sobra gente para dividir fotografia na festa; difícil é encontrar quem divida a preocupação no hospital. Enquanto a campanha ficou momentaneamente estacionada, Eduardo mostrou que lealdade também anda, pega avião e não pergunta se haverá câmera na chegada.
Valmir pode aparecer menos justamente quando a campanha entra na televisão. A propaganda eleitoral gratuita começa amanhã mas Valmir de Francisquinho está em São Paulo cuidando da saúde. A equipe pode ter deixado gravações prontas, imagens de arquivo e material suficiente para a estreia, mas também pode precisar adaptar o programa. Portanto, não será surpresa se Valmir aparecer menos nos primeiros dias. Na política, até candidato precisa de banco de reservas; só não vale o marqueteiro colocar uma foto parada e pedir ao eleitor que imagine o discurso.
Ricardo Marques entrou com os dois pés na greve dos professores e já pediu lugar na janela. O candidato do PL apoiou a categoria e cobrou diálogo do Governo do Estado. Os adversários já o chamam de “caroneiro”: pega carona em operação policial, greve e crise administrativa, seja no Estado ou na Prefeitura de Aracaju. Ricardo só não conseguiu embarcar no mesmo carro de Rodrigo Valadares na campanha estadual. No PL, parece que sobra carona para a crise alheia, mas falta banco para acomodar os próprios aliados.
O governo descobriu a escala 6×1 quando faltava um mês para a eleição. Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre decidiram acelerar o fim da jornada, a PEC da Segurança e medidas econômicas. Depois de anos olhando o trabalhador descansar só aos domingos, Brasília despertou comovida — e convenientemente de olho na urna. O fim da escala merece apoio; o oportunismo eleitoral, não. Quando o voto se aproxima, até promessa antiga ganha relatório, urgência e santinho.
A caixa preta de Lula. A Folha abriu o painel de problemas do governo: famílias comprometem 29% da renda com dívidas, a fila do INSS reúne 3,1 milhões de pedidos e 41% avaliam a gestão como ruim ou péssima. Somam-se a resistência entre evangélicos e as investigações relacionadas a Lulinha, que nega irregularidades. Lula vende esperança, mas o eleitor chega ao caixa endividado e ainda espera o benefício. A campanha já não precisa apenas de marqueteiro: precisa de mecânico, eletricista e chaveiro para conseguir fechar essa caixa preta.
O algoritmo no STF. O Supremo retoma hoje o julgamento sobre o vínculo trabalhista de motoristas e entregadores com plataformas como Uber e Rappi. A decisão poderá afetar milhares de processos e mexer no bolso de trabalhadores e empresas bilionárias. Brasília conseguiu reunir motorista, entregador, advogado, aplicativo e algoritmo na mesma corrida. Agora resta saber quem pagará a conta — e se o STF aceitará pagamento por Pix.
Federação no varal. O TRE-SE adiou para amanhã o julgamento do DRAP da Federação PSOL-Rede, após o Ministério Público Eleitoral apontar a suspensão do diretório estadual da Rede por problemas nas contas. A defesa afirma que tudo foi regularizado, mas otimismo de advogado ainda não virou acórdão. Faltam 38 dias para o primeiro turno, e candidato não pode pedir voto com um olho no eleitor e outro no processo. Se a decisão demorar, o termômetro político vira panela de pressão.
Histograma sacode a Câmara. A Operação Histograma continua fazendo o plenário de Aracaju tremer. Elber Batalha cobrou providências da prefeita Emília Corrêa e aumentou o volume do debate sobre os contratos investigados. Cobrar explicações faz parte da política; distribuir culpa antes das provas é querer encerrar o filme no primeiro trailer. É hora de segurar a onda: a polícia está apurando, documentos estão sendo analisados e ninguém deve ser condenado antecipadamente pelo plenário, pelas redes ou pelo grupo da família.
Emília abre as portas do Palácio. A Prefeitura apresentou o projeto que transformará o antigo Palácio Inácio Barbosa em um complexo de cultura, memória e administração, reunindo museu, Secretaria da Cultura e Gabinete Especial. Emília acerta ao recuperar um patrimônio histórico e devolver sua beleza à população. É gestão preservando o passado, movimentando o presente e preparando um novo endereço para o futuro de Aracaju.
Fim do contorcionismo. O TJSE manteve o prazo até 7 de setembro para retirar as catracas duplas fora dos padrões técnicos — não todas as catracas. A decisão protege idosos, pessoas com deficiência e passageiros obrigados a fazer ginástica pagando passagem cara. Mas também é preciso fiscalizar os “atletas olímpicos” que pulam catraca e tratam tarifa como contribuição voluntária. Catraca não pode ser instrumento de tortura, mas ônibus também não é passeio gratuito por assinatura.
Saúde volta ao banco dos réus. Mais uma vez, foi preciso a Justiça entrar pela porta que a gestão pública deixou fechada. União, Governo de Sergipe e Prefeitura de Aracaju terão de implantar ao menos um centro de referência em doenças raras no Estado. Enquanto o paciente esperava atendimento, a burocracia parecia estudar uma doença ainda mais rara: a pressa. Agora fica a pergunta que precisa ser respondida: quem era o secretário de Saúde de Sergipe quando essa obrigação deveria ter sido cumprida?
Huse sem remédio? A denúncia de Linda Brasil sobre a suposta falta de medicamentos no Huse, incluindo Polimixina B, coloca novamente o Governo de Sergipe diante de uma pergunta que não cabe em propaganda: há remédio ou não há? A deputada protocolou ofício cobrando explicações, e a SES precisa responder com estoque, notas de compra e datas, não com nota oficial perfumada. A falta ainda precisa ser comprovada pelos dados, mas hospital não pode funcionar no modelo “quem chegar primeiro traz o medicamento”. Se o governo tem dinheiro para contratos e publicidade, deve encontrar também a prateleira onde guardou a prioridade dos pacientes.
O catarinense premiado. Natural de São Lourenço d’Oeste, em Santa Catarina, João Daniel foi escolhido pelo público como o melhor deputado federal de Sergipe no Prêmio Congresso em Foco 2026. Agora, o parlamentar tenta transformar o reconhecimento em combustível eleitoral. O troféu certamente ganhará espaço no santinho, nas entrevistas e nas redes sociais. O catarinense busca converter aplausos em votos, mas o eleitor sergipano já está de olho no prêmio, na embalagem e, principalmente, no trabalho entregue.
Kitty de olho em São Cristóvão. O MPF cobrou da Prefeitura o cumprimento do acordo sobre controle populacional e proteção de cãese gatos, com prazo até 14 de setembro para apresentação de um plano. Embora o município esteja na base aliada do Governo do Estado, Kitty Lima já farejou a pauta e promete ir para cima. Quando o assunto é defender os animais, ela não pergunta quem é aliado nem abana o rabo para palácio. Defender a bicharada é com ela mesma.
Uma luz no bolso. Finalmente, uma notícia boa para 12 municípios sergipanos: a tarifa da Sulgipe caiu, em média, 4,63%. A redução foi determinada pela Aneel, mas também merece reconhecimento a trajetória do doutor Ivan Leite e o trabalho da companhia. Em tempo de conta subindo mais rápido que promessa eleitoral, ver a energia ficar mais barata é quase um clarão no fim do túnel. Agora, o consumidor espera que a luz continue acesa e a fatura, comportada.
Lagarto virou cenário de DVD nacional. Mano Walter escolheu o Parque Zezé Rocha, em Lagarto, para gravar nesta quarta-feira o DVD “Vaquejada do Mano 2 – Consagrando uma História”, com apresentação aberta ao público. É daqueles acontecimentos em que música, vaquejada, turismo e orgulho municipal entram no mesmo curral. Para Lagarto, não foi apenas show: foi vitrine.
Tem 990 vagas em Sergipe. A plataforma GO Sergipe oferece 990 oportunidades em Aracaju, Umbaúba, Itabaiana, Monte Alegre, Propriá e Lagarto, nas áreas de comércio, construção, serviços e indústria. É preciso correr atrás, atualizar o currículo e fazer a inscrição, porque emprego não costuma esperar sentado. Vale avisar ao cunhado, ao vizinho e, principalmente, àquele amigo que promete começar a procurar toda segunda-feira.
500 vagas, não só para quilombolas. O IFS abriu 500 vagas gratuitas para formação em relações étnico raciais e educação quilombola, mas atenção: não é preciso chegar à inscrição com certidão de quilombo debaixo do braço. Podem participar maiores de 18 anos com curso superior, especialmente professores, gestores, técnicos da educação e lideranças tradicionais. Portanto, há público suficiente e assunto de sobra para preencher as salas. O curso é sobre como educar e administrar respeitando essas comunidades, não uma chamada exclusiva para quilombolas. As inscrições seguem até 6 de setembro; quem tiver interesse deve correr, porque vaga gratuita costuma desaparecer mais rápido que promessa depois da eleição
Libras abre outra porta para a inclusão. O Ipaese está com matrículas abertas para cursos de Língua Brasileira de Sinais em diferentes níveis. É uma notícia pequena no tamanho da manchete e enorme no significado: inclusão começa quando duas pessoas conseguem conversar sem que uma delas seja obrigada a viver traduzindo o mundo sozinha.
A gravura tomou conta da universidade. A UFS recebe até sábado, 29, a terceira edição do Encontro Sergipano de Gravura, o “Gravura a Gosto”. Artistas, pesquisadores, professores e estudantes participam de uma programação gratuita. Em tempos de vídeos de quinze segundos, ainda há gente colocando tinta, papel, técnica e paciência para funcionar. Graças a Deus e às artes.
Pé de Meia ou pé na urna? A parcela do Pé de Meia chegou aos estudantes nascidos em maio e junho, e o Governo Federal aproveita cada depósito como quem entrega diploma em comício. O programa ajuda famílias e pode reduzir a evasão escolar, mérito que deve ser reconhecido. Mas dinheiro na conta não substitui professor valorizado, escola equipada e ensino de qualidade. O estudante precisa de incentivo, não de dependência; de futuro, não apenas de Pix com logomarca oficial. Em ano eleitoral, o pé está na meia, mas o olho do governo parece continuar firmemente pregado na urna.
Craques saem da escola. Os Jogos Escolares TV Sergipe continuam movimentando estudantes, professores e famílias, com a estreia do tênis de mesa e disputas de futsal, vôlei e handebol. A TV Sergipe merece elogios por manter uma das maiores vitrines do esporte de base no estado. Antes da medalha nacional, quase sempre existem uma quadra escolar, um professor dedicado, uma mãe vibrando na arquibancada e um jovem descobrindo que seu talento pode ir muito além do recreio.
Lagarto ganha reforço na formação em Saúde da Família. O Campus Lagarto da UFS iniciou a segunda turma do Mestrado Profissional em Saúde da Família, numa parceria com Fiocruz e Abrasco. É uma notícia menos espalhafatosa do que show ou futebol, mas estruturalmente relevante: Lagarto continua consolidando sua vocação universitária justamente numa área que afeta diretamente o SUS.
Noventa minutos de coração. O Itabaiana colocou ingressos promocionais à venda para o duelo contra o Botafogo-PB, sábado, às 17h, no Mendonção. Na zona de rebaixamento, o Tricolor da Serra joga a permanência na Série C e praticamente uma temporada inteira em uma única partida. A torcida precisa lotar o estádio e empurrar o Tremendão. Em Itabaiana, sábado será dia de levar bandeira, esperança e, por precaução, o remédio da pressão.
Katarina foi relatora. A Lei 15.491 criou o Junho Vermelho para incentivar a doação de sangue. É preciso deixar claro: Delegada Katarina foi apenas relatora do projeto na CCJ, não sua autora. A proposta foi apresentada pelo deputado Francisco Jr., de Goiás. Katarina ajudou na tramitação, o que tem mérito, mas relatar não é criar. Em período eleitoral, até vírgula legislativa tenta virar currículo; por isso, autoria e relatoria devem permanecer cada uma na sua cadeira.
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