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A adutora rompe, o discurso vaza

Nas últimas 24 horas, um novo rompimento reduziu a vazão do sistema que abastece a Grande Aracaju e empurrou novamente milhares de moradores para o campeonato sergipano de armazenamento doméstico. O Governo fala em equipes mobilizadas e normalização gradual; o cidadão mobiliza balde, panela, garrafa e aquele pote de sorvete que nunca imaginou virar caixa-d’água. Depois da concessão bilionária do saneamento, aumentou o número de responsáveis, mas a torneira continua praticando abstinência.

E não se trata de um raio caindo duas vezes no mesmo cano. Nos últimos meses, a Grande Aracaju já enfrentou outros rompimentos na Adutora do São Francisco, inclusive episódio que atingiu Aracaju, Socorro e Barra dos Coqueiros e ocorrência com dois pontos rompidos numa adutora de água bruta em Nossa Senhora do Socorro. Em outro caso, referente à falta d’água registrada em abril na Zona Sul da capital, a Polícia Científica concluiu que houve ação humana. A adutora de Sergipe está rompendo com tanta frequência que já pode pedir música no Fantástico se sobrar água para lavar o palco.

Enquanto Deso, Iguá e Governo discutem quem segura a chave inglesa, a população segura o balde e a conta chega pontualmente, hidratada, penteada e sem redução de vazão. O que falta não é outra nota dizendo que “os trabalhos seguem avançando”, mas um diagnóstico público da tubulação, um plano de prevenção e a identificação clara de quem opera, fiscaliza e paga cada prejuízo. O sergipano não quer conhecer a adutora por boletim de rompimento; quer apenas abrir o chuveiro sem precisar consultar antes o Diário Oficial.

Sukita pode mudar de lado. Informações de bastidor indicam que Sukita, ex-prefeito de Capela, poderá declarar apoio a Valmir de Francisquinho para o Governo de Sergipe. Seria apenas questão de tempo. E não surpreende: depois dos desgastes vividos com o líder governista Cristiano Cavalcante e sua esposa, dizem que Sukita já não cabe na turma de Fábio Mitidieri nem se passarem manteiga. Só ele sabe o que enfrentou; na política de Capela, parece que sobrou santo no nome da cidade e faltou milagre na convivência.

 

Caça ao advogado de vitrine. A OAB/SE decidiu acionar judicialmente a ADM Previ Brasil após identificar publicidade envolvendo benefícios previdenciários. A suspeita é de intermediação indevida e possível prática de atos reservados à advocacia. É aquele velho fenômeno brasileiro: a placa anuncia “consultoria”, o atendimento parece escritório e só falta a estátua de Rui Barbosa na recepção.
A Ordem resolveu conferir se estão vendendo orientação administrativa ou advocacia no crediário.

Justiça tamanho criança. O TJSE abriu inscrições para o “Sergipe Justiça Kids”, aproximando crianças do funcionamento do Judiciário. É bom aprender cedo, antes de crescer e descobrir o sistema esperando oito anos por uma sentença. Talvez os pequenos consigam explicar aos adultos por que alguns processos entram crianças e saem aposentados.

O paredão virou processo. O MPSE acionou a Funcap e o Município de Aracaju por causa do barulho nos eventos do Complexo Cultural Gonzagão. Moradores reclamaram, o acordo fracassou e a caixa de som continuou trabalhando mais do que repartição em véspera de feriado. Segundo o Ministério Público, a licença ambiental anterior, além de vencida, proibia música ao vivo e sonorização. Como ninguém ouviu a vizinhança, o amplificador ganhou camarote no Judiciário: agora o volume poderá até baixar, mas a intimação chegou sem botão de desligar.

Desconto para o ônibus. A Câmara aprovou a prorrogação, por mais 24 meses, da redução do ISSQN sobre o transporte coletivo. O benefício fiscal pegou linha expressa; conforto, pontualidade e melhoria do serviço continuam esperando no ponto. A empresa recebe o desconto agora, enquanto o passageiro recebe um “aguarde o próximo”.

PL contra o próprio PL I. Um assessor ligado ao gabinete de Rodrigo Valadares acionou a Justiça Eleitoral contra candidatos do próprio partido por supostas falhas em publicações. Nos bastidores, a ofensiva é associada ao fato de alguns integrantes da chapa não pedirem votos para a dobradinha Rodrigo e Moana. É uma inovação eleitoral extraordinária: como ainda não conseguiram vencer os adversários, começaram a combater os aliados. Nesse ritmo, a sede do PL deixará de ser diretório e virará assistência técnica de candidato quebrado.

PL contra o próprio PL II. Lúcio Flávio chamou de desastrosa a condução de Rodrigo e Moana, questionou as faltas da vereadora e disparou: se ela falta morando perto, imagine trabalhando em Brasília. Coronel Rocha também declarou Rodrigo “página virada” e sugeriu que ele teria contado mentiras à família Bolsonaro. O casal tentou administrar a direita sergipana como um condomínio particular, mas os moradores começaram a devolver a chave. Já já ficam apenas Rodrigo, Moana, o porteiro e um assessor protocolando ação contra o porteiro.

Prova da plataforma. O MPF confirmou para domingo, 13, a seleção online de estagiários, depois de problemas técnicos alterarem o cronograma. Antes das questões, o candidato já enfrentará o primeiro teste: confiar no sistema e manter a internet viva. Se a plataforma travar novamente, a vaga mais urgente será para suporte técnico.

Divórcio sem advogado, recurso sem vitória. O TRF5 manteve a liminar conquistada pela OAB/SE contra a empresa Regularize, que anunciava divórcio, inventário, partilha, usucapião e regularização imobiliária.
Era praticamente um shopping center jurídico, só que sem advogado na vitrine. A empresa tentou derrubar a decisão, mas o recurso voltou para casa mais solteiro do que o divórcio anunciado. Para a Ordem, fica um precedente importante contra o mercado paralelo que transforma profissão regulamentada em promoção de supermercado.

Cada pesquisa elege um governador. O INOR coloca Valmir na frente de Fábio por 38,69% a 34,11%, enquanto a CTAS dá ao governador quase 26 pontos de vantagem. A diferença é tão grande que um instituto parece ter pesquisado Sergipe e o outro, uma colônia sergipana em Marte. Por enquanto, o único candidato disparado é o pé atrás do eleitor — seguido de perto pela calculadora e pelo calmante.

Professor deu ocupação. Os professores mantiveram a greve e ocuparam a Secretaria da Educação, cobrando perdas acumuladas desde 2009. A paralisação entrou na campanha de Fábio Mitidieri sem pedir licença. Quando o professor ocupa a Secretaria, é porque o governo faltou demais e já está em recuperação.

Água em campanha. O rompimento da Adutora do São Francisco afetou a Grande Aracaju e fez Fábio cancelar agenda para acompanhar os reparos. Depois da concessão da Deso, a água voltou ao debate, pena que nem sempre volte à torneira. Em Sergipe, até o abastecimento promete chegar depois.

Alessandro calibra a fala. Alessandro Vieira endureceu contra o STF e reafirmou apoio a Ronaldo Caiado. Tenta conquistar a direita sem entrar completamente no condomínio bolsonarista. É independência com GPS ligado: aproxima para pedir voto, afasta para não pagar condomínio.

Gustinho respirou. Depois de o Ministério Público Eleitoral pedir o indeferimento de seu registro, Gustinho Ribeiro passou alguns dias naquela aflição em que candidato abraça advogado, consulta o celular de minuto em minuto e promete até nunca mais reclamar de audiência. A Justiça Eleitoral, porém, deferiu sua candidatura à reeleição para deputado federal, e o parlamentar do PP permanece oficialmente na disputa. A sentença tirou o processo das costas, mas não colocou voto na urna: agora Gustinho pode guardar o calmante, calçar o tênis e procurar o eleitor.

Seca sem maquiagem. Quase 70 mil sergipanos sofrem com seca e estiagem, e mais de 49 mil precisam de ajuda para ter água. Cerca de 200 caminhões-pipa foram mobilizados. É uma realidade que não melhora com slogan, filtro de Instagram nem político segurando copo d’água para fotografia.

Greve no caixa. Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa entraram em greve em Sergipe, enquanto o BNB aceitou a proposta. O atendimento presencial pode ser afetado. O aplicativo continuará funcionando; milagre seria conseguir falar com um ser humano na agência mesmo sem paralisação.

Jurisprudência do além. O PSOL/Rede afirma que o TRE-SE usou precedentes inexistentes ao barrar suas candidaturas. A federação recorre, enquanto seus candidatos continuam na campanha. Agora não basta enfrentar adversário e prazo: é preciso recorrer também contra jurisprudência psicografada.

Hospital bilionário. A PPP do Hospital do Câncer prevê R$ 26,577 milhões mensais por 25 anos, quase R$ 8 bilhões sem reajustes. O valor vencedor foi exatamente o teto estimado: desconto de zero real e zero centavo. Nessa disputa, a economia passou longe, talvez pela Rota do Sertão.

Governo de filtro. O contrato de publicidade institucional da Secom precisa revelar valores, agências, veículos e execução em 2025 e 2026. Propaganda deve informar, não fazer harmonização facial no governo. Buraco maquiado continua sendo buraco, só que agora em alta resolução.

Maternidade de filho único. A nova Maternidade Nossa Senhora de Lourdes terá investimento superior a R$ 140 milhões, mas apenas uma construtora apresentou proposta. Pode ser legal, porém exige fiscalização desde o pré-natal. Obra pública também nasce chorando, principalmente quando chega o primeiro aditivo.

Encanamento financeiro. A Deso permanece no Contrato nº 1/2025 mesmo depois da reorganização do saneamento. É preciso saber quanto o Estado paga à Deso, quanto paga à Iguá e quem faz o quê. O cidadão já precisa de água, calculadora e um encanador especializado em contratos.

Dores viu a luz . O Governo de Sergipe perdeu tempo e dinheiro alimentando contas de energia quando já poderia ter espalhado usinas solares pelos prédios públicos. Em Nossa Senhora das Dores, a prefeita Ianna Porto tomou a dianteira e apostou na implantação de energia solar nos equipamentos municipais, unindo economia, sustentabilidade e planejamento. Enquanto Ianna colocou o sol para trabalhar, o Governo continuou esperando a Energisa entregar o boleto. Dores encontrou luz própria; no Estado, a ideia ainda anda pelos corredores procurando o interruptor.

Turismo de contrato lotado I. A Setur reuniu uma verdadeira excursão de empresas para feiras, eventos e promoção turística. É tanta contratada embarcando que falta apenas o secretário levantar a sombrinha e anunciar: “o dinheiro público segue por aqui”. Agora o Governo precisa mostrar quantos turistas, empregos e reais retornaram dessa viagem. Porque, até agora, os contratos chegaram em primeira classe; o resultado parece ter perdido a conexão.

Turismo de contrato lotado II. Êxito Estruturas, ABAV, Reed, BNT, Ágora e outras entidades aparecem repetidamente nas contratações do turismo. Isso, isoladamente, não prova irregularidade, mas exige uma tabela clara com valores, objetos, modalidades e resultados. Algumas empresas já acumulam mais presença que vendedor de castanha na Orla de Atalaia. Sergipe precisa promover seus destinos, não transformar fornecedor recorrente em atração turística permanente.

Desenvolvimento de tanque cheio I. A Desenvolve-SE prorrogou um contrato de combustível de R$ 606.375 e renovou outro de seguro por R$ 311.964. Com tanto dinheiro para abastecer e proteger veículos, Milton Andrade precisa dizer quantos carros a agência possui, quem os utiliza, para onde vão e o que trazem de volta. Porque a frota parece rodar bastante, mas o desenvolvimento ainda não estacionou na porta do sergipano. A gasolina está garantida; o resultado continua andando na reserva.

Desenvolvimento de tanque cheio II. A Desenvolve-SE coleciona contratos de eventos, consultorias e serviços especializados enquanto participa de projetos bilionários, como a PPP do Hospital do Câncer e a concessão do saneamento à Iguá. Mas quem acompanha de fora ainda não sabe exatamente o que a agência produz, quanto gasta e qual benefício concreto entrega ao Estado. Milton Andrade precisa abrir essa caixa e explicar o serviço, o contratado e o resultado. Do contrário, a Desenvolve-SE corre o risco de desenvolver apenas contratos e contratar uma consultoria para explicar por que ninguém percebeu o desenvolvimento.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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