
Quando o alvo é um pastor, o silêncio também agride
A mensagem atribuída ao perfil “Azefenha” ultrapassa qualquer fronteira aceitável do debate público. Escrever que “evangélico bom é evangélico morto” não é crítica, militância nem liberdade de expressão: é linguagem de extermínio dirigida a uma comunidade religiosa. Pastor Diego fez o que qualquer cidadão ameaçado deve fazer: preservou as provas e procurou as autoridades. Agora, Polícia Federal e Ministério Público Federal precisam agir com rapidez, identificar o responsável e verificar se houve ameaça concreta, incitação à discriminação religiosa ou participação de outras pessoas. A internet não pode virar esconderijo de covarde com vocabulário de carrasco.
Juridicamente, a publicação pode, em tese, enquadrar-se no crime de ameaça, previsto no artigo 147 do Código Penal, caso tenha anunciado mal injusto e grave contra pessoa determinada, e no artigo 20 da Lei 7.716/1989, que pune a prática, indução ou incitação à discriminação ou ao preconceito religioso. A acusação genérica de que pastores abusam de crianças também merece apuração, embora a configuração de calúnia exija a imputação de um fato criminoso determinado a alguém identificável. Como a mensagem circulou em rede social aberta, deve ser examinada ainda a possível competência federal decorrente do alcance transnacional da publicação, questão já reconhecida em precedentes envolvendo intolerância religiosa na internet.
É preciso, porém, falar corretamente em matéria eleitoral. O simples fato de o perfil demonstrar simpatia pela deputada Linda Brasil não transforma automaticamente a mensagem em crime eleitoral nem autoriza jogar a responsabilidade sobre a parlamentar. Seriam necessários indícios de vínculo, coordenação, finalidade eleitoral ou benefício deliberado a determinada candidatura. O próprio Pastor Diego agiu com responsabilidade ao afirmar que não acredita que Linda concorde com tamanha barbaridade. A investigação deve alcançar o autor verdadeiro, sem condenação antecipada, mas também sem permitir que afinidade partidária funcione como batina de invisibilidade para quem prega ódio.
Também não procede dizer que a Justiça Eleitoral proíbe campanha somente dentro das igrejas e libera a arquibancada. Pela Lei das Eleições, templos religiosos e estádios de futebol são considerados bens de uso comum, e a propaganda eleitoral é restringida nos dois ambientes. O que se deve cobrar é aplicação uniforme da regra, sem transformar culto em caso de polícia enquanto comício disfarçado em show, festa ou evento esportivo recebe vista grossa. A fé não pode ser curral eleitoral, mas também não pode ser tratada como atividade suspeita. Estado laico significa respeito a todas as religiões, não perseguição seletiva aos evangélicos.
Pastor Diego merece uma defesa firme porque, mesmo jovem, demonstra coragem para enfrentar assuntos difíceis e continua presente no ministério, nos cultos e no pastoreio. Não guardou a Bíblia no armário depois de entrar na política nem transformou o título de pastor em simples adesivo eleitoral. Pode-se discordar de suas posições, criticá-lo e enfrentá-lo democraticamente; o que ninguém pode fazer é ameaçá-lo de morte ou atacar toda uma comunidade religiosa. A população evangélica precisa acompanhar o caso, cobrar apuração e exigir igualdade: se uma frase de ódio contra qualquer minoria provoca revolta imediata, a mesma indignação precisa aparecer quando o alvo veste terno, segura uma Bíblia e sobe ao púlpito. Direitos humanos que escolhem a vítima pelo endereço ideológico deixam de ser direitos e viram apenas torcida organizada.
Tiro no lugar da resposta. Um homem foi baleado no braço e no abdômen dentro do CISP de Capela. A PM afirma que ele estava agressivo e tentou tomar a arma de um policial. É uma versão relevante, mas não é ponto final: imagens, perícia, testemunhas e Corregedoria precisam reconstruir cada segundo. Unidade policial não pode ter zona de sombra nem boletim funcionando como absolvição automática.

O rei do guincho puxou a campanha. O empresário Neto Coutinho mergulhou de vez na campanha de Valmir de Francisquinho, aproximando lideranças e disponibilizando um grupo de 20 amigos para acompanhar carreatas e cumprir a agenda do candidato. Conhecido como o “rei do guincho”, Coutinho agora também reboca apoio político. E, pelo movimento, não está puxando carro quebrado: está ajudando a colocar a campanha de Valmir em velocidade máxima.
Furto pelo teto. Um homem tentou alcançar uma joalheria de shopping entrando pelo forro de uma lanchonete, mas acabou preso com ferramentas e equipamentos. O plano parecia mistura de Missão Impossível com orçamento de pedreiro. Faltou apenas combinar com a polícia e com a resistência do gesso. Agora a investigação procura saber se havia comparsa esperando do lado de fora.
Turismo não é inimigo. O turismo organizado pode gerar emprego, renda, transporte, gastronomia e oportunidades para os moradores da Ilha Mem de Sá. A audiência pública convocada pelo MPF deve servir para encontrar soluções, não para construir mais um muro de burocracia. Preservar é indispensável, mas conservar uma comunidade na pobreza não é proteção ambiental: é abandono com paisagem bonita.
Sergipe e seus entraves. Alagoas e Bahia transformaram áreas naturais e comunidades tradicionais em destinos turísticos, conciliando investimentos e preservação. Em Sergipe, cada projeto parece precisar atravessar uma romaria de reuniões, pareceres e dúvidas antes de sair do papel. O MPF deve ouvir os moradores e fiscalizar possíveis abusos, mas também ajudar a garantir segurança jurídica. Se o turismo responsável beneficia a população, o Estado precisa abrir caminhos, não colecionar obstáculos.

Federação emagrece. Quatro renúncias atingiram a Federação PSDB Cidadania em Sergipe, em meio a reclamações sobre recursos e apoio às chapas proporcionais. Emanuel Cacho tenta disputar o Governo enquanto a própria federação perde passageiros na plataforma. Campanha sem estrutura é como ônibus sergipano: sai anunciada, atrasa e ainda corre o risco de chegar ao destino sem metade da lotação.
Valmir ganha terreno. Valmir de Francisquinho anunciou novas adesões em Poço Verde e continua investindo na força das lideranças municipais. Enquanto adversários passam perfume nos discursos, Valmir põe o pé na estrada e conversa com quem conhece o voto pelo nome. No interior, postagem ajuda, mas aperto de mão ainda vale mais que vídeo com drone e música épica.

Márcio na avenida. Márcio Macêdo fez carreata em Aracaju, mas o movimento ficou longe de ser aquela multidão capaz de entupir avenida e assustar adversário. Para aumentar o contraste, Eliane Aquino pareceu receber mais aplausos e entusiasmo que o próprio candidato. Márcio conduziu a carreata, mas Eliane carregou a emoção: ele levou o carro; ela, a buzina do eleitorado.
Desculpa não dá banho I. Mais um rompimento na Adutora do São Francisco deixou a Grande Aracaju de torneira seca e balde na mão. A Iguá aponta para a Deso, a Deso oferece explicações e o Governo de Fábio Mitidieri aparece depois para contemplar o cano. Água é saúde, higiene e dignidade. E dignidade, infelizmente, não está chegando às casas dos sergipanos.

Desculpa não dá banho II. Deso produz, Iguá distribui e o Governo fiscaliza, mas, quando falta água, ninguém encontra a própria responsabilidade. O trio virou campeão estadual do empurra empurra: um aponta para o outro enquanto o consumidor aponta para a torneira vazia. Curiosamente, a conta nunca sofre rompimento, baixa pressão ou manutenção emergencial. Ela chega cheia, pontual e com excelente vazão.
Desculpa não dá banho III. Fábio Mitidieri, dirigentes e técnicos visitam o vazamento, observam a tubulação, gravam vídeos e anunciam providências. A comitiva chega primeiro, a assessoria publica logo depois e a água fica por último. O sergipano não precisa de governador posando ao lado do cano; precisa abrir a torneira e encontrar água dentro dele. Buraco não é palanque e reparo não é espetáculo eleitoral.
Desculpa não dá banho IV. A falta d’água castiga famílias na capital e no interior, comprometendo banho, comida, limpeza e a rotina de quem já enfrenta dificuldades demais. Não basta distribuir notas oficiais como se comunicado enchesse caixa d’água. Se a crise continuar, o Governo poderá lançar o programa “Banho Zero”, com logomarca, cerimônia e discurso sobre economia sustentável. O povo, porém, já perdeu a paciência: quer menos propaganda e mais água.
Fundo sob lupa. O DivulgaCandContas permite consultar receitas, despesas e fornecedores das campanhas. É dinheiro público e merece fiscalização do Ministério Público Eleitoral, da imprensa e do cidadão. Candidato pode gastar dentro da lei, mas deve explicar cada centavo. Fundo Eleitoral não é herança partidária, mesada de cacique nem vale compras para conquistar mandato.
Marketing em 4K. Algumas campanhas reservam cifras generosas para publicidade, impulsionamento e produção audiovisual. O dinheiro é público, o sorriso é particular e a promessa recebe filtro cinematográfico. O eleitor precisa verificar se a prestação de contas também aparecerá em alta definição ou se será divulgada naquela velha resolução política: tudo embaçado.

Roberto Silva I: Governo desmentido pelo próprio procurador. Roberto Silva, presidente do Sintese, foi preciso ao expor a contradição: o governador garantiu ao sindicato e afirmou ao STF que a carreira do magistério seria preservada, mas o procurador-geral declarou que a decisão não teria impacto remuneratório. Afinal, qual é a versão oficial? O Governo de Fábio Mitidieri precisa afinar o discurso, porque professor não pode receber promessa do governador pela manhã e interpretação contrária da PGE à tarde.
Roberto Silva II: O prazo acabou. Segundo Roberto Silva, o voto de Cristiano Zanin afastou os valores retroativos, mas rejeitou o pedido do Governo para ganhar mais 12 meses e determinou eficácia prospectiva à decisão. Em português claro: o passado financeiro foi protegido, mas a carreira deve ser restabelecida sem nova temporada de enrolação. Roberto acerta ao cobrar cumprimento imediato. Depois de perder o prazo no STF, o Governo não pode tentar criar um calendário paralelo na entrevista de rádio.
Urna sem erro. O TRE encerrou o prazo para partidos e candidatos validarem nomes, números e fotografias que aparecerão nas urnas. A conferência evita erro material e confusão na votação. É o momento em que alguns candidatos descobrem que filtro de Instagram, carreata lotada e promessa milionária não cabem na tela: aparecem apenas nome, número e fotografia.
Supremo no banco dos réus. O STF realiza sessão extraordinária para analisar o relatório que relaciona Alexandre de Moraes ao caso Banco Master. Moraes não está formalmente condenado e nega qualquer favorecimento, mas a gravidade do material exige apuração independente, transparência e regras claras sobre impedimentos. O Supremo julgar um dos próprios integrantes é como o árbitro consultar o VAR olhando para a própria falta.

Moraes contra-ataca. Em manifestação de 44 páginas, Alexandre de Moraes classificou o relatório apresentado por André Mendonça como “farsa” e “vingança” político-eleitoral. Também negou ter favorecido Vorcaro ou atuado em processos relacionados ao Banco Master. A resposta merece consideração, mas indignação escrita em papel timbrado não substitui investigação. Quem exerceu tanto poder fiscalizador precisa aceitar ser fiscalizado.
OAB dividida. Dirigentes da Ordem cobraram investigação e questionaram a participação de Paulo Gonet no caso, enquanto a condução de Beto Simonetti provocou contestação interna. A OAB não pode agir como torcida organizada de toga nem como bombeiro de reputações. Sua obrigação é defender o devido processo, cobrar acesso aos documentos e aplicar a mesma régua, independentemente do sobrenome investigado.
Gonet sob pressão. A presença do procurador-geral na sessão é discutida porque seu nome também aparece em questionamentos relacionados ao caso. Gonet nega vínculo impróprio e pretende apresentar sua versão. É direito dele, mas autocontrole institucional também exige avaliar impedimentos com seriedade. Ministério Público não pode investigar segurando o espelho numa mão e escondendo-o com a outra.

Rita volta ao comando. Rita de Cássia Pinheiro de Oliveira foi eleita presidente do TRT da 20ª Região para o biênio 2026–2028 e tomará posse em 14 de dezembro. Magistrada há 32 anos, ela ingressou na carreira em 1994, tornou-se desembargadora em 2009 e já presidiu a Corte entre 2012 e 2014. José Augusto do Nascimento será o vice-presidente, Josenildo dos Santos Carvalho assumirá a Corregedoria e Jorge Antônio Andrade Cardoso será o vice-corregedor. Enquanto a política sergipana escolhe dirigentes no empurra-empurra, o TRT fez a sucessão respeitando a antiguidade, com votação administrativa, paz institucional e sem precisar contratar trio elétrico.
Celular fugitivo. A Polícia Federal realizou buscas contra o deputado Cezinha de Madureira em investigação sobre suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. A defesa nega irregularidades, e o parlamentar afirmou que seu celular foi furtado dois dias antes. Em Brasília, até aparelho telefônico parece desenvolver instinto de sobrevivência quando escuta “operação da PF”.
Lula e Flávio colados. Pesquisa Quaest apontou Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 31% no primeiro turno; numa simulação de segundo turno, Flávio marcou 42% e Lula, 40%, situação de empate técnico. O Planalto não pode encomendar champanhe e a oposição ainda não deve medir a faixa. O eleitor colocou os dois na mesma sala e escondeu a chave até outubro.
Governo em campanha. A proximidade da eleição exige atenção redobrada ao uso de estruturas, eventos, publicidade e redes institucionais do Governo Federal. Lula é candidato, mas a Presidência não pode virar comitê com segurança, motorista e cafezinho pagos pelo contribuinte. Bolsonaro já enfrentou questionamentos semelhantes; trocar o ocupante do Alvorada não altera a Constituição.

Emília I: Chega de amor sem voto. Depois de ver a bancada aliada derrubar oito dos doze vetos enviados à Câmara, Emília Corrêa chamou os vereadores para uma conversa sem chá, biscoito nem massagem no ego. A prefeita abriu espaços generosos na gestão, mas, na hora das votações, recebeu uma gratidão tão pequena que precisaria de lupa para localizar. Emília fez certo: aliado que participa das flores também precisa ajudar a carregar os espinhos.
Emília II: Fidelidade em manutenção. A reunião sugerida pelo líder Vinícius Porto teve cobrança, exaltação e um verdadeiro sincericídio coletivo. Emília exigiu coerência de quem ocupa espaços, indica aliados e se apresenta como integrante da base, mas vota como oposição quando o painel acende. Ao final, os vereadores prometeram maior fidelidade. Agora falta conferir se a promessa tem validade até a próxima votação ou se vence antes mesmo da ata ficar pronta.

Sueli I: Nota sem federação. Sueli Barreto rebateu Emanuel Cacho e afirmou que a nota publicada pelo candidato não procede, não traduz a verdade e não foi aprovada pelos integrantes da Federação PSDB Cidadania. Segundo ela, a manifestação oficial do grupo é outra e já foi divulgada. Se a versão de Sueli estiver correta, Emanuel assinou como decisão coletiva uma nota que teria participado de uma reunião solitária: ele propôs, ele aprovou e ele mesmo bateu o martelo.
Sueli II: Candidatura escondida. Sueli também denunciou violência política de gênero e disse que foi impedida de ganhar visibilidade, participar das agendas e até divulgar plenamente sua candidatura. Segundo ela, candidatos da federação descobriam os compromissos de Emanuel pelas redes sociais, como qualquer eleitor. Depois de quase 30 anos de militância, Sueli afirma ter sido tratada como figurante dentro do próprio partido. Queriam uma mulher na chapa, mas aparentemente sem voz, agenda nem direito de aparecer na fotografia.
Bolsonaro no discurso, Mitidieri no Pix. Coronel Rocha acusou Rodrigo Valadares de esvaziar Ricardo Marques e direcionar quase R$ 5 milhões do PL a candidatos ligados ao grupo de Fábio Mitidieri, aliado de Lula em Sergipe. Rodrigo respondeu chamando Rocha de traidor, e o partido virou uma lavanderia eleitoral onde todos jogam a roupa suja no palanque. Se os repasses apontados forem confirmados, o bolsonarismo sergipano fez uma inovação ideológica: grita contra Lula no microfone e financia aliados do lulismo pelo fundo eleitoral. Ser oposição com discurso é fácil; quero ver explicar a planilha.
Saininho errou só no relógio. Ao explicar a exoneração de um secretário, o prefeito Everton admitiu que o vice Saininho teria se precipitado ao denunciar que o auxiliar mandava na gestão e fazia o prefeito de “marionete”. Traduzindo o politiquês: Saininho não estava necessariamente errado, apenas chegou à conclusão antes do prefeito. Everton agora garante que prefeito é prefeito, vice é vice e secretário não é vitalício. A marionete, pelo visto, cortou os fios, acertou o relógio e mandou o ventríloquo procurar outro palco.

Sukita I: Operação Drone Divino. “Saio com três drones transmitindo tudo ao vivo porque não confio nele”, declarou Sukita, afirmando temer retaliações de adversários e até uma abordagem policial. Ele invocou Deus, Nossa Senhora da Purificação e decolou a própria escolta aérea. Em Capela, Sukita não sai mais de casa: ele inicia uma operação especial com cobertura celestial e transmissão em 4K.
Sukita II: Big Brother . Figura folclórica da política local, Sukita decidiu que um drone seria pouco, dois deixariam ponto cego e três garantiriam replay de todos os ângulos. Se alguém espirrar perto dele, haverá imagem aérea, câmera lenta e perícia instantânea. O medo alegado deve ser tratado com seriedade, mas a cena parece filme de espionagem: Sukita é protagonista, diretor e central de monitoramento da própria caminhada.
Praça cercada, Supremo acuado. Jeffrey Chiquini criticou as restrições de acesso ao STF, onde câmeras orientam cidadãos a não se aproximarem do prédio antes da sessão que poderá autorizar investigação contra Alexandre de Moraes. Chamar isso automaticamente de comunismo ou Coreia do Norte é exagero retórico, mas fechar o espaço público justamente quando a Corte julga um de seus integrantes produz uma imagem desastrosa. O STF pode reforçar a segurança; o que não pode é parecer que ergueu uma muralha para se proteger da fiscalização popular. Democracia com praça vazia, acesso restrito e ministro sob suspeita transmite mais medo do povo que autoridade institucional.
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