Fausto Leite

No PL, Ricardo é candidato a governador, mas o tratamento é de penetra
O fundo eleitoral abriu as cortinas e apresentou a nova comédia política de Sergipe: o PL distribuiu R$ 9,1 milhões entre Diná Almeida, Moana Valadares e Rodrigo Valadares, enquanto Ricardo Marques, candidato do partido ao Governo, ficou contemplando o extrato com a mesma esperança de quem confere a Mega Sena pela décima vez. Rodrigo recebeu R$ 3 milhões, Moana recebeu R$ 3 milhões, Diná recebeu R$ 3,1 milhões e Ricardo recebeu uma experiência espiritual. Não estamos falando de candidato a síndico do condomínio, mas de alguém que pretende governar Sergipe. O dinheiro passou por ele, acenou, pediu licença e foi sentar no colo da família Valadares.

Rodrigo explicou que Ricardo sabia havia três meses que não receberia recursos nacionais e resolveu permanecer candidato mesmo assim. A explicação é maravilhosa porque transforma o abandono em planejamento: Ricardo não foi esquecido, apenas concordou previamente em ser esquecido. É como convidar alguém para o casamento, avisar que não haverá cadeira nem comida e depois dizer que o convidado compareceu porque quis. Para Coronel Rocha, apareceram promessas de R$ 250 mil, material, combustível e logística. Para Ricardo, sobrou combustível suficiente apenas para continuar dando voltas em torno do próprio partido, procurando a entrada do comitê onde sua fotografia não apareceu.

A fachada inaugurada por Rodrigo conseguiu resumir a hierarquia do PL sem precisar de ata, convenção ou perícia criminal. Lá estavam Rodrigo, Moana, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro. Ricardo, candidato ao Governo, aparentemente foi escalado para fotografar o evento. Seu rosto não ganhou o mesmo destaque, sua campanha não recebeu o fundo nacional e sua prioridade parece guardada numa gaveta cuja chave viajou para Brasília. Rodrigo afirma que continuará pedindo votos para ele. É uma generosidade emocionante: primeiro tira a cadeira, depois oferece um copo d’água para o homem assistir à reunião em pé.

Ricardo precisa agora consultar não apenas seus assessores, mas também a própria memória. Ele rompeu com Emília Corrêa alegando desprestígio, escanteamento e falta de espaço. Por muito menos, fechou a porta, atravessou a rua e anunciou que recuperaria a dignidade política. Agora, diante de uma humilhação transmitida em alta definição, permanece no PL com a serenidade de quem acredita que o próximo PIX partidário virá acompanhado de um pedido de desculpas. Se o desprezo de Emília justificou uma ruptura, o tratamento oferecido por Rodrigo deveria justificar pelo menos uma mala pronta. Hombridade não é discursar sobre respeito quando se sai de um grupo; é exigir respeito também quando o novo grupo entrega número, candidatura e silêncio bancário.

Ricardo sempre falou de oração, fé e discernimento. Isso merece respeito, porque ninguém possui procuração para falar em nome de Deus. Mas a política permite uma provocação: talvez esteja na hora de orar novamente, desta vez com o celular desligado para Rodrigo não interromper. Que peça orientação para decidir se continua num partido em que é candidato a governador apenas no santinho ou se procura outra estrada política, seja apoiando candidato de direita, de centro ou até o poste da esquina, desde que o poste lhe ofereça reciprocidade. Permanecer onde se é desprezado não é fidelidade; às vezes é apenas medo de admitir que a escolha deu errado.

Ricardo ainda pode recuperar a iniciativa. Pode cobrar publicamente tratamento igual, exigir estrutura, denunciar o esvaziamento ou deixar o PL com a cabeça erguida e apoiar quem efetivamente lhe ofereça consideração. O que não pode é continuar interpretando o papel de figurante e chamar isso de projeto majoritário. Saiu de Emília dizendo que estava escanteado e chegou a Rodrigo para descobrir que o escanteio anterior talvez fosse camarote. No PL, Ricardo recebeu o número 22, mas, até agora, quem parece estar jogando com todas as camisas, bolas e milhões é Rodrigo Valadares. Ao candidato ao Governo restou correr atrás da dignidade antes que o partido também cobre dele o ingresso para assistir à própria campanha.

 

TSE devolve elegibilidade a Valmir do Francisquinho e filho - Nexo JornalValmir entra na pauta e Sergipe prende a respiração

O julgamento do registro de Valmir de Francisquinho, marcado pelo TRE de Sergipe para sexta feira, 4 de setembro, recolocou a eleição inteira diante dos tribunais. Antes de enfrentar o mérito da impugnação, a Corte deverá analisar se o órgão estadual da Federação Renovação Solidária, declarado inapto a participar das eleições, tinha legitimidade para apresentar a ação e se o órgão nacional poderá assumir seu lugar. É processo dentro de processo, recurso procurando recurso e advogado eleitoral surgindo até debaixo do birô. Nas redes sociais, portais e páginas políticas multiplicaram vídeos, comentários e análises sobre o julgamento, reacendendo entre os apoiadores a lembrança dolorosa de 2022. O movimento que cerca Valmir reage com esperança e defende algo essencialmente democrático: que a disputa seja decidida pelo voto popular, desde que estejam presentes as condições legais reconhecidas pela Justiça Eleitoral. Não se trata de pressionar magistrados nem de antecipar resultado, mas de sustentar serenamente que formalidades processuais também precisam valer para quem tenta retirar um candidato da eleição. Valmir merece respeito pela tranquilidade com que atravessa mais esse momento. Depois de enfrentar um problema de saúde, permanecer no centro da campanha e conservar uma base mobilizada, ele chega ao julgamento cercado por uma corrente de fé que nenhum despacho consegue medir. Até sexta feira haverá áudio, palpite, tese e especialista em cada esquina, mas o movimento deve continuar firme, pacífico e confiante nas instituições. Valmir não pede privilégio. Seus apoiadores esperam apenas que a lei seja cumprida e que, superada a controvérsia jurídica, seja o povo sergipano quem escreva a decisão final nas urnas.

Órgão nacional corre para salvar a ação. Diante da confusão regional, o comando nacional da Federação Renovação Solidária pediu para entrar no processo e evitar que a impugnação morra por falta de legitimidade. A relatora abriu prazo para as partes e para a Procuradoria Regional Eleitoral se manifestarem. Traduzindo para o sergipanês: a federação tropeçou na calçada e chamou reforço de Brasília para levantar. Resta saber se chegará ambulância jurídica ou apenas mais papel para o processo.

A propaganda começou e o Pardal abriu os olhos. Com a estreia do horário eleitoral no rádio e na televisão, o TRE-SE entrou em alerta para propaganda irregular, invasão de tempo, ataques, montagens e pedidos de resposta. O aplicativo Pardal passou a receber denúncias submetidas a uma triagem antes de qualquer providência. Agora, cada celular virou quase um fiscal eleitoral de bolso. Em Sergipe, candidato espirra no programa da manhã e, antes do almoço, já tem denúncia, áudio e enquete no grupo da família.

TRE-SE arruma transporte para quem precisa votar. O Tribunal firmou acordo com o CONSER para transportar gratuitamente eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida sem meios próprios de locomoção. O atendimento dependerá de cadastro, avaliação dos critérios e disponibilidade de veículos. Foi uma providência importante para retirar uma barreira concreta ao voto. Porque democracia que só chega a quem tem carro não é democracia: é carona eleitoral com ar-condicionado.

Votação do PL da Anistia deve ser acelerada após as eleições, diz relator à  CNNRodrigo e o cofre da família 1. Dos R$ 9,1 milhões distribuídos pelo PL, R$ 3 milhões foram para Rodrigo Valadares, R$ 3 milhões para sua esposa, Moana, e R$ 3,1 milhões para Diná Almeida. Oxente, isso é distribuição partidária ou almoço de domingo com lugar marcado? Enquanto três pratos chegaram transbordando, o restante da chapa ficou na cozinha sentindo o cheiro. Rodrigo promete dinheiro para todos, mas, nesse ritmo, quando abrirem o cofre novamente, só restarão a dobradiça, um clipe e o recibo do chaveiro.

Rodrigo e o cofre da família 2. Coronel Rocha entrou para disputar o Senado, mas até agora recebeu do PL uma bolinha na propaganda, promessas no ouvido e água gelada na reunião. Ricardo Marques, candidato ao governo, soube que não receberá foi nada: vai enfrentar uma eleição estadual com a mesma estrutura financeira de quem organiza pelada e pede aos jogadores que levem a própria bola. Rocha continua olhando o aplicativo do banco, enquanto Ricardo procura saber se “Deus lhe pague” pode ser declarado à Justiça Eleitoral como doação estimável.

A desaprovação bateu na porta do Planalto. A Nexus/BTG apontou 51% de desaprovação ao governo Lula, enquanto a Atlas/Bloomberg registrou 52,9%. É aquela velha situação: o candidato lidera, mas o governo não arranca aplauso nem oferecendo cafezinho com pão de queijo. Lula tem voto, militância e máquina, mas também carrega uma rejeição maior do que fila de repartição em véspera de feriado. O sinal amarelo já está quase ficando cor de açafrão.

Augusto Cury saiu da estante e entrou na eleição. O escritor chegou a 7,8% na AtlasIntel e 11% na Nexus/BTG, transformando-se na surpresa da rodada. Começou a campanha parecendo candidato para lançar livro e agora já tem político veterano procurando capítulo sobre controle da ansiedade. Ainda está distante de Lula e Flávio, mas deixou de ser enfeite de debate. Cury apresentou as ideias; agora só falta montar o governo e explicar quem será o ministro da inteligência emocional.

Toffoli tirou Renan da campanha e entrou nela. O ministro suspendeu propaganda digital, debates, entrevistas e recursos eleitorais por perfis informados fora do prazo. Renan chamou a decisão de “ilegal”, “persecutória” e “autoritária”, alegando represália pelas críticas que fez a Toffoli no caso Banco Master. A falha formal existe, mas a punição praticamente inviabiliza a candidatura e, pela extensão, parece menos cautelar e mais passional: Toffoli não aplicou apenas o freio, recolheu o carro, o microfone e a chave da campanha.

Caiado corre bem, mas largou atrás. Ronaldo Caiado aparece entre 3,3% e 6% no primeiro turno, muito distante de Lula e Flávio. Curiosamente, nas simulações de segundo turno, consegue encostar no presidente, chegando a 44% contra 45%. O problema é atravessar a ponte para chegar lá. Caiado tem bom desempenho na final imaginária, mas ainda precisa escapar da eliminatória real, onde o ingresso está mais disputado que sombra na Atalaia ao meio-dia.

Emendas ganharam mais quatro bilhões de carinho. O orçamento reservou aproximadamente R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares em 2027. Quando o assunto é hospital, estrada ou escola, sempre aparece uma dificuldade; quando chega a hora das emendas, a calculadora funciona até sem pilha. Deputado chama de investimento, governo chama de articulação e eleitor chama como quiser. O certo é que a verba chegou ao orçamento mais bem alimentada que muito programa social.

Pacheco ganhou passagem para o TCU, mas ainda não embarcou. Davi Alcolumbre indicou Rodrigo Pacheco para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União. A escolha ainda precisa ser votada, portanto Pacheco não é ministro do tribunal. Mas em Brasília, indicação de cacique forte costuma chegar à estação com o trem esperando. Enquanto uns disputam voto debaixo do sol, Pacheco pode conquistar cargo vitalício no ar-condicionado, sem precisar pedir bênção em feira livre.

Sessenta e oito prefeitos largaram a prefeitura no meio do caminho. O país registrou o maior número de renúncias em duas décadas, com gestores deixando os cargos para disputar governos, Assembleias e a Câmara. O eleitor escolheu prefeito para quatro anos e recebeu um substituto antes de terminar a prestação. A política brasileira virou carreira de aplicativo: o cidadão chama um prefeito e chega outro motorista. Quem prometeu cuidar da cidade agora promete cuidar do estado inteiro.

Deputado de Sergipe foi o que mais aumentou gastos em 2020Fábio conta território, Yandra apresenta identidade. Fábio Reis recebeu R$ 1,5 milhão e aposta nas antigas alianças do centro-sul, enquanto Yandra Moura inicia a campanha com R$ 1 milhão e uma trajetória que já não cabe apenas no sobrenome. Em quatro anos, conquistou identidade própria como deputada federal e, sobretudo, como mulher, ocupando espaços com voz, presença e personalidade. André Moura continua sendo uma grande referência, mas Yandra já demonstrou que não é passageira da tropa: aprendeu a comandar o próprio percurso.

Rogério chamou Lula para o palanque. Rogério Carvalho estreou sua nova peça eleitoral contando a própria história e ganhou um reforço de peso: Lula pedindo voto. O senador quer transformar a popularidade presidencial em combustível para sair do bolo apertado do Senado. É a velha estratégia do “faz o L e lembra de mim”. Em Sergipe, até o padrinho precisa gritar o número duas vezes.

Márcio ganhou a bênção presidencial. Márcio Macedo apareceu em vídeo com Lula, que elogiou sua passagem pelo governo e sua participação nas obras destinadas a Sergipe. Foi praticamente um batismo eleitoral transmitido em rede social. Enquanto os adversários mostram prefeito e vereador, Márcio puxou o presidente para dentro do santinho. Se voto viesse por proximidade, ele já estaria procurando apartamento em Brasília.

Flávio entrou no palanque do PL. Flávio Bolsonaro pediu votos para Rodrigo Valadares e Coronel Rocha e falou das riquezas do petróleo e do gás sergipano. O vídeo tenta colocar os dois no mesmo barco conservador, embora um esteja na cabine dos R$ 3 milhões e o outro ainda procure o colete salva-vidas. O discurso tem petróleo, gás e esperança. Só falta a direção do PL abastecer todo mundo.

André Moura – Wikipédia, a enciclopédia livreAndré Moura botou segurança na mesa. André Moura ocupou o debate com propostas duras contra o feminicídio e em defesa da redução da maioridade penal. Mostrou que não pretende passar a campanha apenas distribuindo abraço e tomando café em copo plástico. A prisão perpétua encontra uma muralha constitucional, mas a mensagem eleitoral chegou com força. André jogou o assunto na praça e deixou os adversários procurando resposta no bolso.

O Senado virou sarapatel. André David, André Moura, Rogério Carvalho, Alessandro Vieira, Eduardo Amorim, Edvaldo Nogueira e Rodrigo Valadares seguem embolados pela disputa das duas vagas. Tem candidato na frente, atrás, ao lado e jurando que a pesquisa dele é a verdadeira. O eleitor possui dois votos, mas os concorrentes querem três. Esse angu ainda vai precisar de muita colher até outubro.

Edvaldo abriu o cofre. Edvaldo Nogueira apareceu com R$ 3,2 milhões declarados para a campanha ao Senado, uma estrutura capaz de botar jingle até em rádio de pilha. Nas pesquisas citadas, ainda não lidera, mas agora tem dinheiro para tentar encurtar a distância. Edvaldo conhece campanha, rua e prefeitura. Só precisa tomar cuidado para o caixa correr mais depressa do que o candidato.

Eduardo é 100 e 100% médico. Eduardo Amorim trocou novamente o palanque pelo cuidado: primeiro ficou ao lado de Valmir de Francisquinho e agora permanece em São Paulo acompanhando Emília Corrêa durante o tratamento de saúde. Enquanto alguns candidatos contam santinhos, Eduardo acompanha exames, conversa com médicos e coloca a vida acima da urna. Declarou apenas R$ 10 mil, um cafezinho diante dos milhões adversários, mas humanidade não sai do fundo eleitoral nem se encomenda na gráfica. O candidato é 100, porém, quando a saúde chama, o médico é 100%.

Delegada Katarina (@delegadakatarina) • FacebookKatarina com tanque cheio. Delegada Katarina recebeu R$ 2,807 milhões e assumiu a dianteira financeira entre os deputados federais que buscam a reeleição. Tem recurso para televisão, internet, viagens e santinho suficiente para cobrir meio Sergipe. Agora precisa transformar estrutura em voto, porque fundo eleitoral não aperta botão na urna. Dinheiro abre a porteira, mas quem atravessa é o candidato.

 

João Daniel vai precisar levantar muito acampamento. Com R$ 1,808 milhão e a bandeira dos movimentos sociais na mão, João tenta pegar carona na popularidade presidencial, mas o candidato de Lula em Sergipe parece ser Márcio Macêdo. João diz que também é, claro, porque no PT o apoio presidencial funciona como terra ocupada: cada companheiro chega, finca a bandeira e anuncia que aquele pedaço é seu. Desse jeito, João terá de montar muito acampamento para demarcar espaço, enquanto Márcio já aparece querendo a escritura, a porteira e a fotografia com Lula.

Maísa ganhou gasolina. Maísa Mitidieri liderou os valores divulgados entre os candidatos estaduais à reeleição, com R$ 500 mil. Além do dinheiro, carrega o sobrenome do governador e a estrutura do PSD. É campanha com combustível, motorista e ar-condicionado. O desafio será mostrar luz própria, porque eleitor sergipano distingue candidata de extensão familiar até debaixo de chuva.

Kitty afia as garras. Kitty Lima apareceu com R$ 407 mil e segue apostando na proteção animal e nas causas sociais. Possui um eleitorado temático que reconhece sua atuação sem precisar consultar a placa da carreata. Enquanto alguns candidatos procuram uma causa para chamar de sua, Kitty já chega acompanhada de cachorro, gato e voto fiel. Nessa disputa, muita raposa vai precisar respeitar a bicharada.

Jorginho e Cristiano aceleram. Jorginho Araújo recebeu R$ 400 mil e Cristiano Cavalcante, pouco mais de R$ 202 mil. Jorginho trabalha alianças e currais com a paciência de quem conhece a estrada; Cristiano levou para a rede a proposta da Universidade Estadual de Sergipe. Um caça liderança, o outro procura assunto. Pelo menos alguém lembrou que campanha também pode apresentar ideia.

Veja porque Luizão Dona Trampi é sucesso nas redes sociaisO PL estadual está de pires na mão. Os 24 candidatos do partido à Assembleia, inclusive Luciano Pimentel, apareceram inicialmente sem recursos do fundo eleitoral. Luizão Dona Trampi, candidato a federal, também ficou esperando o depósito. A direção promete que o dinheiro chegará, mas promessa não imprime adesivo nem abastece carro. Enquanto isso, a turma faz campanha no modo sergipano: fé em Deus, conversa na calçada e tanque na reserva.

MPSE sobe a calçada e baixa o volume. A promotora de Justiça Ana Paula Machado Costa Meneses, titular da 5ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, ajuizou ação contra um estabelecimento do bairro Luzia, além do Município de Aracaju, Emsurb e SMTT, por ocupação irregular do passeio e poluição sonora. Pelo visto, a mesa queria virar poste, a cadeira sonhava ser semáforo e a caixa de som disputava audiência com o trovão. Agora, a Justiça decidirá se ali funcionava um comércio ou uma república independente, com território anexado na calçada e hino nacional tocado no último volume.

Precedente agora vem com inteligência artificial. O TRT-SE entrou na Semana Nacional de Precedentes Trabalhistas e promoveu oficina sobre o uso de inteligência artificial na pesquisa jurídica. A máquina poderá ajudar a encontrar decisões, comparar entendimentos e organizar jurisprudência. Só não inventaram ainda uma inteligência capaz de convencer advogado de que o precedente contrário também existe.

PJe tira uma soneca de 18 minutos. O sistema eletrônico do TRT-SE ficou indisponível das 11h25 às 11h43, mas voltou antes que a advocacia terminasse de reclamar no grupo de WhatsApp. Como a pane foi breve, o Tribunal não emitirá certidão de indisponibilidade. Em resumo: o sistema cochilou, acordou ligeiro e deixou o prazo olhando para o advogado com a mesma cara de sempre.

TJ/SE abre a porta para novos estagiários. O Tribunal recebeu candidatos aprovados para estágio nas áreas de Direito e Administração. Eles chegam animados, bem-vestidos e acreditando que processo tem começo, meio e fim. Dentro de algumas semanas descobrirão o segredo mais antigo do Judiciário: sempre existe mais um prazo, uma certidão e um documento que ninguém sabe onde foi parar.

Presidente do TJSE é coroada madrinha da 25ª Parada LGBT+ de SergipeIolanda virou madrinha e a Justiça saiu do armário da burocracia. A presidente do TJSE, desembargadora Iolanda Guimarães, foi coroada madrinha da 25ª Parada LGBT+ de Sergipe e apareceu na Orla de Atalaia defendendo dignidade, igualdade e o direito de cada pessoa existir como realmente é. Oxente, enquanto muito figurão ainda pede parecer jurídico para decidir se respeita o próximo, Iolanda colocou a toga para tomar sol e mostrou que Justiça não precisa viver trancada no gabinete, com medo de purpurina. Foi madrinha com coragem, presença e autoridade: não lançou o buquê, mas lançou uma decisão moral irrecorrível contra o preconceito

OAB chama as Varas de Família para a conversa. A Seccional realizará audiência pública para discutir demora, falta de estrutura e dificuldades no atendimento das Varas de Família. É uma área em que a pensão não espera, a criança cresce, o casal briga e o processo continua procurando espaço na pauta. A audiência tentará descobrir por que a família termina antes, mas o processo de divórcio chega depois.

MPSE leva direitos para a Parada. O Ministério Público participou da 25ª Parada LGBTQIAPN+ de Sergipe com orientação, acolhimento e divulgação dos canais de denúncia. Foi uma atuação importante para aproximar a instituição de quem enfrenta discriminação e violência. No meio da música, da festa e das cores, apareceu também algo que nunca deveria faltar: informação sobre direitos.

Onze servidores chegam quando o serviço aperta. O TRE-SE reforçou sua estrutura com novos servidores destinados à sede e às zonas eleitorais, além de publicar atos administrativos de pessoal. A chegada ocorre justamente quando registros, propaganda, denúncias e eleições suplementares começam a ocupar cada pedaço da mesa. É reforço necessário, porque eleição não se organiza apenas com urna, discurso e cafezinho. Tem tanto prazo correndo que até o relógio do Tribunal deve estar pedindo hora extra.

Porto da Folha prepara sua eleição particular. Enquanto Sergipe acompanha a disputa estadual, o TRE-SE também mantém a organização da eleição suplementar de Porto da Folha, marcada para 25 de outubro. As convenções partidárias entram na fase decisiva e os grupos locais começam a ajeitar as chapas. No município, cada conversa na calçada já pode virar reunião política antes do segundo cafezinho. Porto da Folha terá eleição dentro da eleição e candidato pedindo voto até para quem só saiu para comprar pão.

O AGIR agiu, mas o TRE mandou parar. O partido teve o DRAP para deputado federal indeferido, deixando a chapa sem habilitação e atingindo diretamente Felipe de Rocha e Izabela Morais. O nome da legenda prometia movimento, mas a documentação encontrou o freio de mão puxado. Em Sergipe, o AGIR descobriu que, antes de agir na urna, precisava ter agido direitinho na prestação de contas.

PSOL e Rede ainda estão na sala de espera. O julgamento do DRAP da Federação PSOL Rede foi adiado por causa da situação partidária da Rede, suspensa após problemas com prestação de contas. A federação chegou ao TRE querendo registrar candidato, mas encontrou uma conta antiga sentada na recepção. Na Justiça Eleitoral, o passado não morre: ele apenas troca de número, ganha capa nova e reaparece na pauta de sexta-feira.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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