Fazer o bem faz bem

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 “Se o malandro soubesse o quanto é bom ser honesto, ele seria honesto também, só por malandragem”.

                                  Rui Barbosa

 

Está provado: fazer o bem faz muito bem. O bem atrai o bem, assim como o mal atrai o mal.

Ora, se todos os esforços da humanidade estão dirigidos a fazer com que a nossa espécie viva o melhor possível; se o lema mais apregoado é “qualidade de vida”, é viver bem; e se, fazendo o bem, atraímos, por consequência  o bem, sejamos razoáveis e inteligentes: façamos, então, o bem.

Ajudemos, colaboremos para um mundo melhor. Façamos a nossa parte. Sejamos honestos, pois quem é honesto só faz o bem.

A maneira mais fácil para a pessoa descobrir se é um bem ou um mal que quer fazer ao outro é simples. Basta fazer a seguinte indagação: eu gostaria que fizessem isso comigo?

Se a resposta for sim, não tenha dúvida. Vá em frente e faça. Faça e faça logo – por que esperar? Quem sabe, o momento seguinte nunca virá.

As oportunidades de fazer um bem, às vezes, são únicas; pois elas, por serem situações de extrema simplicidade, fluem com facilidade, passam depressa demais e, quase sempre, quando a tergiversamos, só deixam arrependimento, isso para os bons, porque para os maus, deixar de fazer o bem é satisfação.

O bom se lamenta por não ter agido de forma a fazer o bem; o mau se vangloria por ter conseguido fazer o mal; para o omisso é indiferente. Só que a omissão do bem já é, em si, um mal.

O bom diz, constrangido, para si mesmo: era tão fácil e eu não fiz.

O mau, no entanto, afirma convicto: oportunidade é oportunidade e esta eu faturei.

Lembram-se do Sr. Daniel Manoel da Silva, aquele senhor de 58 anos, pai de nove filhos, morador de Ilhota, Santa Catarina, que perdeu tudo o que tinha: sua casa e todos os seus pertences na enchente?

Pois é, no que pese toda a desgraça por que passava aquele flagelado e sua família, não titubeou em devolver os vinte mil reais que sua filha, de cinco anos, encontrou no bolso de um casaco que ganhara de uma família que reside em Concórdia, cidade que fica há quilômetros do abrigo público onde ele e os seus familiares aguardavam pelas providências Divinas e dos homens, pois sua casa e todos os seus pertences haviam sido tragados pela água.

Certamente aqueles vinte mil reais resolveriam, naquele momento, uma grande parte dos seus problemas, mas ele não deixou passar a oportunidade de fazer o bem e, tenho certeza, que hoje está muito mais feliz do que se tivesse ficado com o dinheiro.

Outros gestos de nobreza também foram divulgados: o gari, de Cumbica que devolveu uma sacola com dez mil dólares. Aquele faxineiro do Aeroporto de Brasília, que também restituiu ao dono um pacote contendo grande soma. O morador da Terra Dura, aqui em Sergipe, que achou o malote de dinheiro derrubado por uma aeronave que fazia o transporte para um banco da Bahia e entregou à Polícia. Estes são casos que devem ser estudados, divulgados imitados e aprendidos.

Lamentavelmente, mesmo que isso esteja acontecendo com muito mais frequência do que imaginamos, não é dada a devida atenção nem divulgação, não se validam tais atitudes para que sirvam de exemplo.

Todos sabemos que é através do exemplo que se educam as pessoas e formam-se as culturas.

A melhor maneira de estimular a se fazer o bem é mostrando o que é certo; como também, a maneira mais fácil de estimular o erro, é mostrando o mal. É assim que são construídas as tradições boas ou ruins.

Mas, infelizmente, as boas atitudes não são valorizadas e nem devidamente divulgadas, para a grande e pequena mídia, é melhor mostrar corruptos se dando bem, assaltantes impunes, falsários livres, ladrões de todas as espécies, traficantes mandando nas comunidades e, às vezes, na polícia, maus políticos se dando bem, sonegadores de impostos mostrando vantagem… Enfim, todos, livres, leves, ricos, impunidos e soltos.

Esta é a mídia que forma e educa a nossa sociedade.

Deveriam as empresas de comunicações, todas: jornais, revistas, rádio, televisão, internet e outros se atrevessem a fazer uma experiência: só divulgassem durante um período, boas noticias.

Tenho a convicção de que embora a audiência talvez, caísse um pouco, cairia também, com certeza, os índices de crimes e contravenções, pois havia menos estímulos e menos “escolas” formadoras de bandidos.

Sei também, que tal proposta é uma utopia. Divulgar boas ações, como a de milhões de bons brasilianos que fazem a coisa certa, pagam seus impostos e praticam o bem? Que nada, bom mesmo é mostrar a “bagaceira” e quanto mais “esbagaçada” for a coisa, tanto mais IBOPE dá.

Mostrar boas ações é “cafona”. Mas, expor delitos, crimes e impunidades, é moderno, é chic.

Sim? Hão de questionar alguns: mas para fazer o bem eu vou ter que sair por aí procurando dinheiro em bolsos de casacos doados a flagelados de inundação, sacolas de dólares, carteiras esquecidas em banheiros de aeroportos, malotes derramados por aeronaves, para devolver aos seus donos?

Não. No nosso dia-a-dia é muito fácil fazer o bem sem que seja necessário ir tão longe.

Com atitudes simples, constrói-se o bem.

Quer começar, inicie por tratar com amor e consideração as pessoas que estão próximas a você, na sua casa: seu cônjuge, seus pais, seus irmão, vizinhos, colegas de trabalho…

Um cumprimento sincero, um abraço, um beijo, escutar com atenção, responder com ponderação e respeito, compartilhar, amar de verdade, servir com prazer, ser afetuoso e honesto no que diz e faz… E, claro, não querer o que não lhe pertence; que este bem seja do seu cônjuge ou do seu irmão, dos seus pais, ou do Estado.

Acredite. Fazer o bem é simples e faz um bem danado.

Fazer o bem é uma atitude. Atitude que a mente miserável e má, infelizmente, não tem condição de alcançar; não alcança, porque a satisfação do outro a incomoda. A mente miserável sente-se enciumada em ver o outro feliz.

Olvida-se, no entanto, nós sabemos, pois quem faz o bem só recebe o bem. E todos também sabemos que a felicidade reside exatamente, na atitude enobrecedora de fazer o certo.

Vicente de Carvalho, poeta santista do final do século XIX e início do século XX, colocou com muita propriedade a questão da felicidade, no soneto “Velhos Temas”.

… Essa felicidade que supomos, / Árvore milagrosa que sonhamos / Toda arreada de dourados pomos, / Existe, sim: mas nós não a alcançamos, / Porque está sempre apenas onde a pomos / E nunca a pomos onde nós estamos.

FELIZ FIM DE SEMANA.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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