Foco no mundo interno da organização

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“O GESTOR [Manager] é, na verdade, o grande responsável para se obter resultados na organização. A sua ação precisa começar definindo os resultados desejados e, a partir daí, precisa organizar todos os recursos  (pessoas, processos e produtos) da organização para que esses resultados sejam atingidos.”.

Peter Drucker

 

O que muitas vezes se percebe em muitas empresas é que os papéis dos gestores não estão muito claros; e quando falo em papéis estão sendo incluídos os atitudinais e os relativos aos processos sob a sua guarda; assim sendo uma maioria expressiva já encontra nesse campo a maior dificuldade. Muitas vezes os organogramas parecem claros, mas quando os processos são detalhados algumas áreas cinzentas são detectadas e, ai reside o primeiro grande problema: “encontrar do verdadeiro “dono” de um determinado processo”.

 

Assim sendo, cada vez mais percebemos a importância desse papel no mundo organizacional, de modo que os gestores juntamente com a alta liderança e os demais trabalhadores constituem os três pilares essenciais de uma organização, o necessários e a sua sobrevivência; os quais, por sua vez irão definir e sustentar: a sua produção, a sua rentabilidade, os processos de transformação necessários e a sua sobrevivência.

 

Portanto, enquanto a alta liderança precisa estar com o seu foco altamente centrado no que acontece no mundo externo, ou seja, continuamente analisando as tendências do mercado, recriando o futuro organizacional, abrindo novas frentes e com a sua atenção especial nas grandes linhas definidas no seu mapa estratégico, na sua visão e na manutenção da energia das pessoas que compõem a organização.

 

Por outro lado, o papel dos gestores é o de justamente focar o mundo interno da organização: atender às necessidades dos colaboradores, ajudá-los a atingir a sua máxima produtividade, acompanhar os detalhes táticos que precisam ser cumpridos para que os objetivos definidos nos planos possam, realmente, vir a serem atingidos. Cabe aos gestores “traduzir” para as suas equipes as idéias e desejos da alta liderança e entenderem que o seu papel é o de trabalhar com processos, sistemas de avaliação de desempenho e indicadores, planos e orçamentos, justamente, para que o os objetivos estratégicos definidos pela alta liderança sejam atingidos e com sucesso.

 

As pesquisas[1] sobre utilização do potencial humano no mundo organizacional informam que apenas um em cada quatro trabalhadores afirma que está trabalhando utilizando o seu potencial máximo; a maioria, ou seja, 75% dos entrevistados afirmam que poderão ser muito mais eficientes do que estão sendo atualmente.

 

Com base na premissa de que colaboradores talentosos constituem a base para que uma organização tenha sucesso, Buckingham e Coffmann[2] relatam uma pesquisa que vem sendo feita, desde 1975, até os dias atuais, pela Organização Gallup, pesquisa essa que já envolveu mais de um milhão de entrevistados de mais de 400 organizações. Os resultados estão listados a seguir:

*       Empregados talentosos necessitam de gestores excelentes;

*       Empregados talentosos podem vir trabalhar em uma empresa por conta dos seus lideres carismáticos, seus benefícios e os seus programas de desenvolvimento.

*       A experiência dos empregados depende principalmente da sua relação com o seu gestor e não das políticas globais e dos procedimentos da organização.

*       É infrutífero tentar desenvolver determinados tipos de talentos naqueles que não os possuem ou não desejam possuí-los, portanto, o mais eficaz é treinar os talentosos dando-lhes habilidades e os conhecimentos necessários para que se destaquem no seu trabalho.

 

Cada trabalho que é exercido requer, sobretudo, de conhecimentos específicos, portanto, o trabalho de um gestor exige também conhecimentos específicos e habilidades que lhes permitam criar um ambiente de trabalho no qual todos os membros da sua equipe estejam dispostos entender que poderão exprimir o seu pensamento, que precisam estar sempre dispostos para receber “feedback”, que cada um é um membro importante da equipe, que suas preocupações e dificuldades são consideradas, que o seu desenvolvimento profissional é importante, que o seu trabalho contribui para a realização da missão da organização e, sobretudo, que o seu e o comprometimento de todos os membros da sua equipe é que farão com que os resultados desejados sejam atingidos.



[1] Warren Bennis e Burt Nannus – Leaders: strategies for taking charge – Harpers Business – 1985

[2] Marcus Buckingham e Curt Coffmann – Primeiro quebre todas as regras – Ed Campus – 2002

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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