Andreza S. C. Maynard
Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)
Universidade Federal de Sergipe
Durante a Segunda Guerra Mundial, o regime nazista fez uso de estratégias e armas consideradas altamente eficientes, entre elas os submarinos, que foram empregados de maneira intensa na Batalha do Atlântico. Conhecidos como U-boots, esses instrumentos de guerra foram responsáveis pelo afundamento de embarcações, pela morte de milhares de pessoas e pela disseminação de notícias falsas e boatos.
As ações impactantes dos submarinos alemães tiveram início logo após a invasão da Polônia, em 1º de setembro de 1939. Às 19h40 do dia 2 de setembro, o transatlântico britânico SS Athenia foi atingido no Atlântico Norte e afundou. Apesar de negarem a autoria, no dia 3 de setembro o rei George VI declarou guerra à Alemanha. À época, Joseph Goebbels acusou Winston Churchill de ter afundado o navio para incriminar o regime nazista, mas posteriormente ficou comprovado que o ataque foi realizado pelo submarino U-30.
No início da guerra, existia um acordo tácito entre as nações beligerantes para evitar ataques a alvos civis. Contudo a atuação dos U-boots seguiu em direção oposta. Às 19h do dia 15 de agosto de 1942, o paquete Baependi navegava tranquilamente próximo ao litoral brasileiro quando, cinco minutos depois, um forte estrondo foi ouvido e a embarcação afundou. Duas horas mais tarde, o navio Araraquara cruzou a mesma região e teve destino semelhante. Às 4h do dia 16 de agosto foi a vez do Aníbal Benévolo. Mais de 600 pessoas morreram. Não se tratava de nenhum fenômeno sobrenatural, ocorre que o submarino alemão U-507 estava posicionado no Atlântico Sul, próximo à costa sergipana.
Após os torpedeamentos em águas sergipanas, surgiram especulações sobre a possível colaboração de “traidores da pátria”, os chamados quinta-coluna. Um dos boatos que circulou em Aracaju acusava os frades franciscanos, que eram alemães e administravam o Cine São Francisco, de utilizarem o canhão de luz para projeção de filmes, para sinalizar a posição dos navios ao submarino inimigo. No entanto, nada disso jamais foi comprovado.
Outro boato assegurava que os Estados Unidos afundaram as embarcações brasileiras para forçar o país a entrar na guerra. Trata-se de pura especulação. Harro Schacht, comandante do U-507, registrou em seu diário de bordo informações sobre os ataques às embarcações no Nordeste brasileiro. Ele também descreveu os ataques aos navios Itagiba e Arará, ocorridos próximo a Salvador no dia 17 de agosto. Esses episódios provocaram grande mobilização popular em todo o país. E em 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e Itália.
A Guerra foi um terreno fértil para a disseminação de mentiras e notícias falsas. Assim, é preciso considerar que no século XXI, em tempos de fake news, versões distorcidas e usos políticos do passado, o trabalho dos historiadores se torna fundamental para separar evidências de rumores, preservar a memória coletiva e compreender como acontecimentos globais, como a Segunda Guerra Mundial, produziram impactos profundos que ainda reverberam no presente.
Para saber mais:
Acesse o Portal Memórias da Segunda Guerra Mundial
https://ok.2guerra.org/s/memorias-da-segunda-guerra-mundial/page/exposicoes-virtuais