Gilmar e a ética

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A bancada do Governo se reúne hoje, às 8 horas, para definir os destinos do deputado Gilmar Carvalho (PV). Se vai manda-lo para a comissão de ética ou não. A reunião será apenas para tirar a responsabilidade de um único parlamentar, deputado Venâncio Fonseca (PP), que colocou a cabeça de fora, mas Plenário antecipa que a decisão já está tomada e Gilmar Carvalho será submetido à Comissão de Ética da Assembléia Legislativa, que tem como presidente o deputado estadual Augusto Bezerra (PMDB). Já há até sugestões para as punições: a cassação; uma suspensão por 60 dias ou o julgamento do parlamentar verde no último dia de sessão legislativa, em novembro. Segundo um parlamentar, a tese da cassação é a que tem menos consistência. As duas outras terão o objetivo de mostrar a Gilmar que ele é um mortal comum, igual aos demais que formam o legislativo. A suspensão de 60 dias, que tira todos os direitos do parlamentar, inclusive a imunidade, pode ser dada para que os processos existentes contra ele na Justiça caminhem e cheguem a julgamento. “Isso faria Gilmar pagar indenizações volumosas, porque existe muita coisa contra ele acumulada nas varas cíveis e criminais”. A votação de sua pena no final de novembro será para deixa-lo “pianinho”, sem falar de ninguém e obedecendo a certas determinações. O deputado irrequieto estaria nas mãos de uma comissão que poderia propor a sua cassação. Um agitado deputado da oposição falou pouco. Disse que não queria se envolver, porque o problema é da bancada do Governo: “afinal, Gilmar Carvalho pertence a ela”. Na sua opinião, “ou manda Gilmar para a Comissão de Ética, com o objetivo de cassa-lo, ou é melhor todos deixar como está”. O oposicionista diz que, se não for cassado, o deputado verde fará uma campanha para sensibilizar a sociedade e vai se sair como vítima: “será ótimo para ele”. Mesmo dizendo que não queria se envolver na questão, o deputado da oposição garante que, se a pena de cassação for sugerida pela Comissão de Ética, os deputados votam a favor: “Todos os membros da Assembléia já foram atacados por Gilmar Carvalho de alguma forma e não haverá um único voto contra”. A Comissão de Ética é composta por cinco parlamentares: Ulices Andrade (PSDB), Arnaldo Bispo (PMDB), Augusto Bezerra (PMDB), Antônio dos Santos (PSC) e Belivaldo Chagas (PSB). Exceto este último, que não compareceu ontem à sessão porque se encontrava em Simão Dias ajudando as vítimas das chuvas, o restante já deu declarações públicas de que defende a presença de Gilmar Carvalho na Comissão. O evangélico Antônio dos Santos, por exemplo, tem um filho que estuda medicina e quando se iniciou a questão de que “uma corja de mais de 15 políticos com mandato havia pedido a cabeça de Gilmar ao governador, para demiti-lo da radio jornal”, ele perguntava ao pai: “o senhor faz parte dessa corja?” Mesmo respondendo sempre que não, Santos se sentia mal diante dessa cobrança do filho. Para resumir todos os membros da comissão têm ou tiveram problemas com Gilmar Carvalho. Um observador político da própria Assembléia Legislativa desconfia que os parlamentares estejam recebendo orientação para tudo isso. Estranhou a presença do secretário de Governo, Nicodemos Falcão, na sessão, em um dia que não havia votação. Caso perca o mandato, Gilmar Carvalho ficará inelegível por oito anos, mas se renunciar, poderá se candidatar, no próximo pleito, a prefeito. É um quadro difícil que pode abrir uma boa disputa jurídica e a questão rolar por algum tempo. Hoje não há espaço para o deputado verde no grupo do Governo e nem na oposição, o que mostra a solidão de um dos melhores parlamentares que já passaram pele legislativo, do profissional responsável e corajoso que é. Na hipótese de Gilmar deixar o mandato, quem assume é Luiz Mittidieri (PFL). SOBREVÔO O governador João Alves Filho sobrevoou, de helicóptero, com toda sua equipe técnica, as cidades atingidas pelas enchentes na região Sul do Estado. De lá foi a Porto da Folha e, de carro, chegou a Canindé do São Francisco, onde concedeu entrevista à radio Xingo e relatou todo o drama que passa o Estado. DÉDA O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, também fez sua parte. Conversou com o secretário Vicente Trevas, de Assuntos Federativos, e relatou toda a situação. Manteve também contato com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, que imediatamente ligou para o seu colega Ciro Gomes, da Integração Nacional, para que ele agilize as medidas. SAÚDE Marcelo Déda também conversou com o ministro da Saúde, Humberto Costa, e pediu providências para enviar ambulâncias à Prefeitura de Simão Dias. Segundo levantamento, as ambulâncias e demais carros, num total de 12, foram todos destruídos. Escapou apenas um ônibus. CESTAS Ainda hoje a Prefeitura vai enviar para Simão Dias 500 cestas de alimentos, arrecadas com as entradas nas arquibancadas do Pré-Caju. Marcelo Déda revelou receio de ajudar mais o município, porque fez isso com Propriá e os adversários o denunciaram ao Ministério Público. VALADARES O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) esteve ontem com o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes e pediu providências emergenciais para Simão Dias e Itaporanga D’Ajuda. Valadares mostrou que existem 825 desabrigados em Simão Dias (340 crianças) e 82 casas foram destruídas e estragadas pelas chuvas. VISITA Valadares convidou o ministro para visitar toda a região atingida, inclusive o sertão. Ciro Gomes disse que iria falar com o presidente Lula sobre isso. A proposta do senador foi que o Governo do Estado construísse as pontes e o Governo Federal cuidasse dos desabrigados e reconstruísse as casas. VENÂNCIO Venâncio Fonseca (PP) movimentou, ontem, a sessão da Assembléia ao exibir a fita em que Gilmar Carvalho chama políticos e assessores do Governo de corja. Gilmar é claro ao afirmar que uma “corja de políticos, homens e mulheres, com mandato e de assessores do governador, foram exigir sua demissão da rádio”. DEDUÇÃO Venâncio considera claro que “uma corja de políticos, homens e mulheres, com mandato, se ele isenta o Executivo, só pode ser membros do legislativo”. Acrescenta que a necessidade de Gilmar Carvalho ir para a Comissão de Ética é revelar os nomes desta “corja de políticos com mandato”. SUA PARTE O deputado Venâncio Fonseca acha que fez sua parte e que Gilmar Carvalho fez a dele, em uma discussão respeitosa. Venâncio tentou mostrar a Gilmar que ele teria de modificar o seu comportamento em relação aos colegas, ao Judiciário e ao Executivo. TRANQÜILO O deputado estadual Gilmar Carvalho (PV) disse que os comentários a seu favor, depois do discurso do seu colega Venâncio Fonseca (PP), foram positivos. Segundo Gilmar, na réplica, Venâncio Fonseca não veio tão dura quanto no discurso inicial. Acha que isso o favoreceu… NOMES Gilmar Carvalho disse que não vai dizer os nomes dos políticos e assessores do Governo que ele chamou de corja. “O deputado Venâncio Fonseca quer que eu diga os nomes para levar à Comissão de Ética, mas insisto que entre os políticos citados não havia nenhum da Assembléia Legislativa”. INTERPELAÇÃO O deputado Gilmar Carvalho considera que só caberia uma interpelação mais forte, por parte dos assessores do governador. Em seu programa de rádio, Gilmar cita que uma corja de políticos e assessores do governador estaria pedindo sua demissão da radio Jornal. VINHETA A vinheta que abre o programa do radialista Gilmar Carvalho tem uma estrofe que diz: “o elemento faz a cova e ele mesmo cai lá dentro”. Um assessor parlamentar identificou que Gilmar Carvalho foi quem pediu a cassação de João da Graça, brigou pela Comissão de Ética e “agora pode estar lá dentro”. Notas DISCURSO O governador João Alves Filho (PFL) fez um pronunciamento, ontem, de oito minutos, em todas as rádios do Estado. Talvez o mais duro de todos eles contra a inércia do Governo Federal em relação aos graves problemas provocados pelas chuvas caídas na região Sul e no sertão sergipano. Mostrou que até o momento o Planalto não fez nada para amparar as famílias atingidas nas cidades em calamidade pública. Para ele. as visitas dos ministros Humberto Costa, da Saúde, e Olívio Dutra, das Cidades, não serviram para nada. MEDIDAS O governador anunciou medidas emergenciais, como a construção das casas destruídas pelas chuvas que arrasaram cidades da região Sul. Ao mesmo tempo tomou medidas drásticas como a suspensão das obras em andamento ou que estavam para iniciar, porque vai utilizar os recursos na recuperação do que foi destruído pelas águas. Principalmente, nas casas que desabaram e que deixaram dezenas de famílias desabrigadas. Nesta hora de aflição, os poderes públicos não podem ficar omissos e têm que priorizar ações para solucionar os problemas emergenciais. DOCUMENTO O governador João Alves Filho também enviou correspondência ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, relatando o que aconteceu na região e solicitando uma audiência, com toda a bancada de Sergipe, para exigir uma ação imediata do Governo Federal, no socorro às vítimas das enchentes. Nesta hora é preciso a unidade política para que se consiga evitar um maior sofrimento desse pessoal que perdeu tudo, mas não pode perder a confiança dos seus representantes e do Governo. O momento é para agir com a rapidez dos raios. É fogo O governador João Alves Filho viaja amanhã a Brasília e terá audiência com o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. João Alves Filho vai levar um relatório da situação geral de Sergipe e solicitar urgência do Governo Federal na liberação de recursos. Com os sucessivos problemas que vêm surgindo com as chuvas, vão sendo adiadas as discussões sobre a sucessão municipal. A senadora Maria do Carmo Alves ainda passará alguns dias para pedir nova licença e retornar à Secretaria de Combate à Pobreza. O edital para construção da ponte ligando Aracaju à Barra dos Coqueiros foi lançado ontem nos jornais nacionais. O Governo não vai atrasar o pagamento dos Cargos em Comissão. O salário já será liberado na próxima segunda-feira. O secretário de Governo, Nicodemos Falcão, estava ontem, no plenário da Assembléia Legislativa, assistindo a discussões sobre o programa do deputado Gilmar Carvalho. Segundo observou um jornalista, como não havia votação ontem a presença de Nicodemos deveria ser por outro motivo. Com a dramática situação das cidades da região centro sul, muita coisa que iria para o sertão foi transferida para as mais novas vítimas da seca. O comércio está mais aliviado com o adiamento do pregão eletrônico que estava marcado para primeiro de março. Até o momento o Governo do Estado fez uma única mudança em sua equipe, como se apenas Marcos Prado fosse quem atravancava o processo. O deputado estadual Francisco Gualberto (PT) vai começar uma série de discursos sobre a construção da ponte. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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