Governo assusta

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O Congresso Nacional amanheceu, na terça-feira, completamente cercado e com policiais fortemente armados para impedir que os trabalhadores acompanhassem a sessão ordinária das galerias. Era o dia em que se votaria o Projeto de Emenda Constitucional, número 40, que promove uma reforma na Previdência Social, que favorece aos Estados, mas sufoca os trabalhadores. Pensam que o país está em regime ditatorial? Não. O presidente é aquele torneiro mecânico, barbudinho, que um dia agitou o Sindicato dos Metalúrgicos e criou o Partido dos Trabalhadores. Chama-se Luiz Inácio Lula da Silva e, que, depois de derrotado três vezes para presidente da República, se transformou na esperança de mudanças que o povo elegeu em outubro do ano passado. Hoje é uma frustração, o retrocesso, a repressão, as mãos que sufoca o Congresso Nacional, para fazer valer tudo o que combateu quando ainda estava de bem com o seu caráter. Para aprovar a Reforma da Previdência, o presidente Lula, através dos seus ministros, se entendeu com Deus e com o diabo. Conversou com Paulo Maluf e negociou com o senador Antônio Carlos Magalhães a questão dos grampos. Tanto que o PFL da Bahia fechou em favor do que queria o irreconhecível Lula. Foi mais além: promoveu um show de toma-lá-dá-cá, em que distribuiu emendas com a bancada fiel do Partido dos Trabalhadores, jogou cargos para cima e mercantilizou pesado o voto, para fazer valer a vontade dos seus gurus. Além disso, compactuou com governadores de todos os partidos, para que influenciassem nos votos das bancadas de seus Estados. Com toda essa pressão, ganhou apenas com 50 votos de diferença, o que mostra um fato preocupante para o Planalto: terá que liberar muito mais para conseguir a aprovação da Reforma Tributária, que não conta com o apoio dos governadores do Nordeste. Ontem, o clima tenso se manteve, porque o Governo sentiu que perderia nos destaques. A maioria dos deputados não vota na taxação dos inativos, nem mesmo os do PT. O país vive num momento de tensão e receio – para não dizer medo. Todos os movimentos de base romperam com Lula da Silva, inclusive o dos Sem Terras. Há invasões em todo o país e o clima anima àqueles que diziam que Lula não estava preparado para presidir o Brasil, um país de dimensões continentais e problemas que precisam de muita lucidez para soluciona-los. Existem 583 mil desempregados, o dólar acelerando, o setor produtivo esmorecido, o comércio parado e o risco Brasil com sintomas de febre alta. O clima é de muita tensão no campo e nas cidades. Não há o menor sinal de satisfação da sociedade, exceto entre aqueles que estão colaborando para esse esperneio de um Governo que se imaginava progressista, mas que dá fortes sinais de conservador, continuista, elitistas e sem compromissos com as reformas de base que prometeu, para reduzir os índices de pobreza, as distorções regionais e promover uma melhor distribuição de renda. Para se ter uma idéia de como o sistema favorece a agiotagem, o Banco Itaú anunciou um lucro consolidado de 1,490 bilhão de reais no primeiro semestre. Num país que lança um programa Fome Zero, um lucro semestral desse deveria ser bem analisado pelas autoridades monetárias… O deputado federal João Fontes (PT) disse, ontem, que o povo que levou Lula da Silva a subir a rampa do Planalto é o mesmo que se encontra em Brasília classificando-o de traidor. Lula até já tem fundo musical: “você pagou, com traição/a quem sempre/lhe deu a mão”. É possível que já tenham esquecido o “Lula lá…”, que tanto empolgou multidões. João Fontes diz que reitera sua posição de não trair seus princípios, mesmo que isso custe sua expulsão. O PT, inclusive, vai punir os oito parlamentares da legenda que se abstiveram de votar. A legenda age com truculência contra quem não obedecer às determinações da cúpula, mesmo que elas sejam equivocadas e vão de encontro aos anseios populares. Ninguém sabe aonde esse Governo vai chegar, mas a impressão é que Lula da Silva perdeu o controle, está à deriva e faz o jogo daqueles que não acreditavam que um homem de posições tão firmes fosse se transformar em um aliado tão forte. Lógico que é muito cedo, há tempo para muita coisa, mas com certeza as primeiras posições demonstram que não há clima para se esperar grandes transformações. O futuro é turvo e a perspectiva é que tenhamos os caras pintadas de volta às ruas… DESEMBARGADOR O juiz Cláudio Déda é o novo desembargado do Tribunal de Justiça. Ele entrou pela terceira vez na lista tríplice, com 10 votos. Ocupa o lugar de Antônio Góes. Os outros que integraram a lista foram Ozório Araújo (9) e Aparecida Gama (6). Ruy Pinheiro também teve seis votos, mas a juíza ganhou na idade. JOSÉ ALVES O médico José Alves Neto vai substituir a irmã, senadora Maria do Carmo Alves, na Secretaria de Combate à Pobreza. José Alves está concluindo um curso que faz em São Paulo e voltará a Sergipe para ocupar a Pasta, enquanto a irmã passa alguns meses no Senado. NÃO SAI José Alves Neto foi secretário de Governo na segunda vez que João Alves Filho governou o Estado. Mesmo quando a senadora retornar, ele não deixará a equipe de auxiliares. Haverá mudanças e José Alves ocupará um cargo importante na atual administração. Alves não retornará a São Paulo. GILMAR O anuncio de Gilmar Mendes para coordenar as Secretarias criou constrangimentos a alguns setores importantes do Governo. Embora se reconheça a capacidade de Gilmar, o pessoal acha que a sua presença, com tanta autoridade, vai incomodar o trabalho da Secretaria que ele atuou. PROJETO Um engenheiro lembrou, ontem, que Gilmar Mendes era o responsável pelos projetos do ex-secretário de Obras, Valmir Espínola, durante o Governo Albano Franco. A fonte acha que Gilmar vai querer impor seus projetos e pode haver atritos neste setor, que ele domina há vários anos. MARCÉLIO O vereador Marcélio Bomfim vai se filiar, amanhã, ao PDT: “na minha avaliação é o partido de oposição ao Governo Federal”, justificou. Marcélio diz que a sua preocupação é a nível nacional, porque considera que o Governo Lula está prejudicando Sergipe, ao cortar recursos destinados ao Estado. ALIANÇA O senador José Almeida Lima (PDT) disse, ontem, que quem tem aliança com o governador João Alves Filho é o seu partido, “não são os aliados individualmente”. Segundo Almeida, “Antônio Samarone não participou dessa aliança. Ele estava em outra composição, apoiando a candidatura adversária”. REAÇÃO Almeida Lima explicou, ainda, que “para Samarone filiar-se ao PDT não se colocou qualquer relação com o PFL”. Nas conversas com o vereador, o que se levou foram outras coisas, como a oposição ao prefeito Marcelo Deda e ao presidente Lula. INTRIGA O senador Almeida Lima denuncia um movimento político para leva-lo a romper com o governador João Alves Filho. E foi muito claro: “suei pra cacete para construir esse Governo, por que agora vou briga com ele? De jeito nenhum”. MACHADO O deputado federal José Carlos Machado (PFL) disse, ontem, que votou a favor da Reforma da Previdência. Atendeu a pedido do governador João Alves Filho. Segundo Machado, o seu voto também levou em consideração que, “nesse momento, os interesses do Governo Lula coincidem com os interesses de Sergipe”. BOSCO O deputado federal Bosco Costa votou contra o projeto total: “fui eleito por um partido que faz oposição ao Governo Federal”. Acrescentou que sua posição é clara, porque só poderia ficar a favor da reforma se tivesse compromissos políticos com o atual Governo. PREVIA Bosco Costa já tinha como certa a aprovação da Reforma da Previdência, porque ela é de interesse dos governadores dos Estados. Mostra que os governadores intermediaram, porque o PFL e PSDB deram 52 votos para aprovação. E contabiliza: “a reforma foi aprovada por 358 votos e precisava de 308 para passar. Sem os 52 votos do PFL e PSDB ela seria derrotada”. LICENÇA O prefeito Marcelo Déda tirou licença paternidade. Curte o filho Pedro Marcelo, que nasceu ontem. Assumiu o vice Edvaldo Nogueira (PCdoB). Muito sorridente, disse que nesses dias a sua política é cuidar de Pedro Marcelo. Lembra que tirou licença porque, como todo cidadão, tem direito a ela. RESPEITO Quanto às posições do vereador Samarone, o prefeito Marcelo Déda foi cauteloso: “sempre respeito a posição política de cada um”. Admite que o bom para qualquer partido é ampliar seus quadros e não reduzir, “mas reconhece que manter uma pessoa que não está dentro do projeto político, não é ganho”. JULGAMENTO Marcelo Deda considera que o grande juiz do político é o povo, que julgará, através das urnas, quem foi correto com o seu partido, com a população e com o mandato. Tem certeza que o povo vai julgar a todos: “o vereador Samarone, o prefeito Marcelo Déda o presidente Lula e os demais, na hora em que for depositar o voto”. Desse julgamento, ninguém escapa… MEIRE A delegada Meire Belfort depôs, ontem, no processo sobre a fuga de Floro Calheiros e confirmou tudo que disse na Polícia Federal, sem apresentar provas. Em seu depoimento ela deixou uma nova versão sobre a fuga do detento, que será investigada pela Polícia. FRANCISCO A Polícia está praticamente com as mãos no “ausente” Antônio Francisco e pode fazer uma surpresa neste final de semana. A fonte policial não quis antecipar nada além dessa informação, mas tudo indica que dessa vez dificilmente ele não será preso. Notas SEM TERRAS Os líderes do Movimento Sem Terra (MST) prometem acampar em frente ao Palácio dos Despachos, caso as famílias continuem sendo retiradas das margens das rodovias, onde estão acampadas. O MST tem, hoje, em Sergipe, oito acampamentos com 12.6 mil famílias e deseja falar com o governador João Alves Filho (PFL). O coordenador nacional do MST, José Roberto Araújo da Silva, já fez uma ameaça: “se o governador João Alves Filho não nos receber, não teremos outra alternativa a não ser a manifestação e o protesto”. DEFESA O secretário de Justiça, Manoel Cacho, disse que o governador João Alves Filho obedece à lei e defende a ordem. Não pode deixar de cumprir uma ordem judicial, como o pessoal do Movimento dos Sem-Terras gostaria, porque seria uma desobediência civil que poderia suscitar numa intervenção na Segurança do Estado. Manoel Cacho revela que João Alves Filho assentou mais de quatro mil família nos seus Governos anteriores e vai trabalhar para assentar mais. Entretanto não vai aceitar pressão por não trabalha assim. REPÚDIO Os trabalhadores em Educação de Sergipe, depois de assembléia do sindicato da classe, terça-feira, aprovaram uma moção de repúdio contra a reforma da Previdência, sugerida pelo Governo Federal. O pessoal discorda do método, do conteúdo, do conjunto de ações que envolveram e ainda envolvem este processo. Diz que é importante ressaltar que a reforma não é mais uma entre tantas, mas é a questão central na definição dos rumos da Seguridade Social. “Se aprovada, tornará irreversível a conduta conservadora e continuista deste Governo”. É fogo O engenheiro Gilmar Mendes assume, hoje, a Secretaria Especial de Governo e vai atuar como uma espécie de supervisor da atuação das demais Pastas. Quem também assume uma coordenadoria na Secretaria de Combate à Pobreza é o frei Raimundo, da igreja dos Capuchinhos. O deputado federal José Carlos Machado (PFL) foi quem trouxe Gilmar Mendes para dirigir um órgão do Estado, no primeiro Governo de João Alves Filho. A Comissão de Ética deve concluir esta semana os depoimentos sobre o caso do deputado João da Graça. O relator tem 30 dias para oferecer parecer. Nos bastidores da Assembléia Legislativa está certo que João da Graça não será cassado. Afinal ele apenas deu um tiro na bunda do adversário. Cassação só vale se for na cabeça. É estranha a declaração do vereador Antônio Samarone (PDT) ao declarar que se filia a um partido aliado ao Governo, mas não vai apoiá-lo. Seja qual for o resultado do Pleno sobre a prefeita de Canindé do São Francisco, o caso vai parar no STE, em Brasília, levado pela parte que perder. A senadora Maria do Carmo Alves está trabalhando com maior intensidade para deixar a Secretaria em ordem e não ter problemas durante sua ausência. O deputado Francisco Gualberto vai insistir para que o Estado tenha uma lei que proíba os hospitais e clínicas particulares a exigirem a caução para internamento. A deputada Ana Lúcia Menezes não aceitou a agressão dos servidores públicos federais, quando da manifestação ao Congresso Nacional. A facilidade como se compra qualquer uniforme militar, está fazendo com que muitos bandidos descubram que fica mais fácil assaltar travestidos de PM. Sem nenhum problema, o delegado federal da Agricultura participou, em Poço Verde, de solenidade ao lado do governador João Alves Filho. Jorge Araújo demonstra que não coloca a política quando o trabalho a favor de Sergipe. Ele esteve na abertura do programa de incentivo ao cultivo da mamona, para produção de biodiesel. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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