Governo inaugura UTI Dr.Marcos Prado Dias

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Governador Jackson Barreto discursa na solenidade de inauguração

       Na segunda que passou, 20 de janeiro, o governador Jackson Barreto e a Secretária de Estado da Saúde Joélia Silva inauguraram a nova UTI do Hospital de Urgência de Sergipe. Trata-se de uma das mais estruturantes obras do Governo do Estado na área da saúde, iniciada ainda no governo Marcelo Déda e muito importante para o fortalecimento da assistência aos pacientes críticos. Na oportunidade o Governo prestou homenagem ao médico Marcos Aurélio Prado Dias, colocando o seu nome nessa nova unidade.
      A nova UTI integra 65 leitos estruturados, com moderno parque tecnológico, privacidade para pacientes e acompanhantes, além de uma ambiência que proporciona conforto e condições de trabalho aos profissionais.
     A solenidade de inauguração foi prestigiada por secretários de estado, funcionários, médicos e familiares do homenageado. Coube-me fazer o discurso de agradecimento, que transcrevo no final deste artigo. A escolha do nome de Marcos Prado para nominar a nova unidade assistencial surpreendeu a família, que não esperava esse reconhecimento tão precocemente. Marcos faleceu em setembro de 2012, após insidiosa doença que o vitimou em 2010. Mais confortante ainda foi gesto magnânimo do governador Jackson Barreto reconhecendo o trabalho do mano Marcos, mesmo militando em posições políticas antagônicas ao longo das últimas décadas. O fato de serem contemporâneos e, ambos terem uma vida pública marcante, ajuda a explicar a homenagem.
   O desafio que se apresenta é que a unidade ora inaugurada funcione adequadamente, em toda a sua plenitude, trazendo para a população sergipana novas oportunidades de tratamentos eficazes.
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DISCURSO PRONUNCIADO EM 20 DE JANEIRO DE 2013, NA INAUGURAÇÃO DA UTI DR. MARCOS AURELIO PRADO DIAS, NO HUSE

Exmo. Sr. Jackson Barreto de Lima, MD Governador do Estado de Sergipe
Ilustríssima Senhora Secretária de Estado da Saúde Dra. Joélia Silva
Demais autoridades. Colegas médicos e amigos,  familiares,
Minhas Senhoras e Meus Senhores!
   
      Inicialmente, gostaríamos de agradecer ao Governo de Sergipe, em nome da família do inolvidável Marcos Aurélio Prado Dias, pela iniciativa de colocação do seu nome neste espaço que busca propiciar, à luz da ciência moderna, todas as condições para o restabelecimento da saúde dos enfermos. A estrutura física é notável. Esperamos agora que o seu funcionamento seja exemplar, para o bem do povo de Sergipe. E pelo compromisso do atual governo e pela disposição de toda a equipe diretiva desta unidade, temos a certeza que isso ocorrerá.
     Marcos Prado teve uma vida intensa, rica, participativa, entusiasmada e realizadora, até a sua morte. Em vida, deu exemplos de honestidade, caráter, ética, espírito público e altivez.  Foi amigo dos amigos e buscou sempre atender a todos da mesma forma, com carinho e atenção. Isso explica parte do magnetismo pessoal potencializado pela avalanche de carinho e solidariedade que nossa família recebeu nos seus últimos dias de vida e após a sua partida.
      Não gostaria aqui de repetir os múltiplos aspectos de sua brilhante carreira, de homem dedicado à ciência, às letras, à política. Um homem

Legenda

plural. Como disse o médico e professor José Hamilton Maciel Silva, em recente solenidade em homenagem ao meu irmão, promovida pelas entidades médicas do estado. “Este é um lado visível do homem probo, sério, criterioso que foi, não só como especialista em coloproctologia, sua especialidade maior, mas também como exímio cirurgião, e se disse confortado ao ler um texto de Rubem Alves que dizia: “os olhos são pintores, pois eles pintam o mundo de fora com as cores que moram dentro deles”. Portanto, Marcos neste momento está sendo visto por cada um de nós, da maneira como o imaginamos, impossível seria fundi-lo numa única imagem, pois os sentimentos, as memórias, os afetos são individualizados, mas é bom que assim seja, para torná-lo mais vivo, mais multiplicado em cada um de nós”.
    O seu genro Francisco Alves Junior, digno juiz de direito, na Missa de Sétimo Dia em sufrágio da alma do querido e estimado sogro, foi de uma enorme clarividência, ao retirar um texto clássico de Sêneca, em suas “Cartas a Lucilo”:
“Peço insistentemente, Lucilo: façamos com que a nossa vida, à semelhança dos materiais preciosos, valha pouco pelo espaço que ocupa, e muito pelo peso que tem. Avaliemo-la pelos nossos atos, não pelo tempo que dura. Queres saber qual a diferença entre um homem enérgico, que despreza a fortuna, cumpre todos os deveres inerentes à vida humana e assim se alça ao seu supremo bem, e um outro por quem simplesmente passam numerosos anos? O primeiro continua a existir depois da morte, o outro já estava morto antes de morrer! Louvemos, portanto, e incluamos entre os afortunados o homem que soube usar com proveito o tempo, mesmo exíguo, que viveu. Contemplou a verdadeira luz; não foi um como tantos outros; não só viveu, como o fez com vigor”.
     Não houve planície na vida de Marcos. Nela, tudo foi esforço, dedicação, luta e estoicismo, sempre com a cabeça erguida e o olhar firme, mas com generosidade, lealdade e solidariedade, traços mais marcantes de sua personalidade. Os cargos que exerceu e as funções que desempenhou, aconteceram por méritos pessoais, como chega hoje, de forma repentina e inesperada, essa homenagem do Governo de Sergipe, fruto da sensibilidade do governador Jackson Barreto e de sua equipe de governo.
         Primeiro filho de Antonio Conde Dias e de Natália Prado Dias, Marcos nasceu em Aracaju em 18 de outubro de 1944. Fez o ensino fundamental no Grupo Escolar Felisbelo Freire, em Itaporanga d’Ajuda. Depois, ainda jovem, veio para Aracaju onde manteve internato no Instituto Santo Antonio e depois no Colégio Jackson Figueiredo. Fez o antigo científico no Atheneu Sergipense. Estudou o primeiro ano médico em Maceió retornando no ano seguinte para Aracaju, formando-se na quarta turma da Faculdade de Medicina de Sergipe, em 1969.
        Iniciou suas atividades profissionais no Hospital Santa Isabel como cirurgião geral e plantonista do Pronto-Socorro do Hospital de Cirurgia, permanecendo nesta unidade até 1974. A decisão pela coloproctologia veio no final dos anos 70, após fazer curso integrado de cirurgia e gastroenterologia no Hospital dos Servidores do Estado de São Paulo, sob a coordenação da Professora Angelita Habr Gama, Fábio Goffi e Vicente Amato Neto, dos quais se tornou grande amigo.
       Médico engajado nas ações de saúde, coordenou o Setor de Perícias Médicas do INPS de 1974 a 1980. Dirigiu o Centro de Aperfeiçoamento das Equipes de Saúde do INAMPS – CEAPES, de 1981 a 1982 e o Posto de Assistência Médica da Rua de Geru – o PAM 432, de 1985 a 1986. Em 1991 assumiu a presidência da Sociedade Norte Nordeste de Coloproctologia. Mais tarde se tornou Mestre do Capítulo Sergipano do Colégio Brasileiro de Cirurgião. Fundou e presidiu a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores- Secção Sergipe
Pronto para servir ao povo de Sergipe, assumiu funções importantes no Governo do Estado: Secretário de Estado da Educação por duas vezes, Presidente da Fundação Hospitalar de Sergipe, Secretário de Estado da Administração e Presidente do Instituto Parreiras Horta e presidente da estatal Sergás. Presidiu o Instituto Tancredo Neves em Sergipe desde a sua fundação, transformando a entidade em referência nacional, com vários livros publicados, inúmeros fóruns nacionais realizados, entre outras ações.
       Poderia buscar mais realizações e histórias de vida desse ilustre cidadão sergipano, como músico, compositor, cineasta, professor, desportista, escritor, político e líder de sua geração. Mas não mais os cansarei. Encerrarei por aqui, lembrando do eminente jurista Saulo Ramos, erudito homem do direito e das letras quando disse que “ ESCREVER VERSOS, É REESCREVER A VIDA “
“ Sei bem que ainda é tempo de colher
Por entre as rosas todos os pedaços
Que esperdicei de mim nos longos passos
Desviados do que não soube ser.
O amor perdido em ódios e cansaços,
O amigo, o gesto, o abraço da mulher,
Que não notei, e a todos, se eu puder,
Antes do fim recolho e, em mim, refaço-os.
De tudo quanto fui jogando fora,
Restou-me a sensação de cada hora,
Bastante para reviver mais forte.

E agora e ao fim da estrada percorrida,
Por ter morrido tanto em minha vida
Posso viver um pouco em minha morte ”

Em nome da família Prado Dias, em especial da nossa querida mãe Natália, da minha irmã Magali, e da minha cunhada Ângela de Almeida Dias, agradecemos, sensibilizados, por  essa tão singela e sincera homenagem.

Muito obrigado!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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