Guerra, Propaganda e Poder

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Thauan Santana Fonseca

Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe

Integrante do GET (Grupo de Estudos Tempo Presente)

Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard

Bolsista Voluntário PIBIT 

e-mail: sant_sr@hotmail.com.

Trabalho apoiado pelo projeto "Quando a Guerra chegou ao Brasil: Ataques submarinos e memórias nos mares de Sergipe e Bahia (1942-1945)", Edital Universal CNPq 2014.

     O cinema foi criado pelos irmãos Lumiere em 1985. A princípio o cinema começou com um trabalho mudo, preto e branco, com o objetivo de entretenimento e lazer da sociedade. Só em 1927 tornou-se sonoro, depois falado e beneficiado com cor. O cinema que é a arte de compor e realizar filmes para serem projetados, é símbolo motor de uma sociedade com uma nova mentalidade, mentalidade esta voltada para o lazer. A princípio, o cinema era um divertimento com analogia ao circo, e dirigido à classe menos favorecida, ou seja, era um evento social.

     Contudo, a burguesia passou a frequentar o cinema. Percebendo que ele atraía as massas, passou a utilizar-se dessa arma, esta que além de atrair, influenciava a sociedade, já que retratava o seu reflexo. Com isso, o cinema passou a ganhar mais expectadores e admiradores, sendo utilizado depois como uma arma ideológica de forte influência no meio social e político.

     O século XX foi marcado por grandes conflitos e transformações. Tais acontecimentos mudaram a sociedade em todos os sentidos. A exemplo disso, temos a  segunda guerra mundial que foi um período em que ideologias foram disseminadas. A Alemanha, um dos países que participaram efetivamente da segunda guerra mundial, responsável pelos saldos da primeira grande guerra, vivia abatida e sem perspectiva. Vendo o seu país abatido e sem perspectivas de melhoria, Hitler começou a propagar em seu território que a Alemanha ainda era viva e forte e utilizou o cinema como arma, já que essa arte tinha um alcance gigantesco, resgatando além do prestígio, o sentimentalismo do seu povo, e mostrando que a Alemanha não estava morta, mas sim cada vez mais viva e forte.

     Hitler teve um grande aliado ao seu lado, o seu ministro de propaganda Joseph Goebbels. Apesar de não ser um profissional de mídia, o brilhante ministro da propaganda do Reich demonstrou possuir uma grande sensibilidade para o espetáculo cinematográfico e para a manipulação do espectador. A ideia era simples, incutir na mente das pessoas que a Alemanha era soberana acima de qualquer coisa. Diante disso, a indústria cinematográfica nazista começou a trabalhar. Os primeiros filmes a serem produzidos foram exaltações guerreiras do tipo S.A Mann Brand (“ O despertar de uma nação” 1934), Quex (“O flecha quex” 1935) e o célebre comentário de Leni Riefenstahl, Triumph des Willens (“ Triunfo da vontade” 1935), que exaltava a Alemanha e a juventude desse país, construindo de tal forma uma nova Alemanha. Este tinha uma mensagem simples e objetiva, “quem não estiver conosco que se prepare para as consequências”.

     O cinema foi utilizado como instrumento social e político, no meio social este era um veículo de cultura de massas, já como instrumento político, como já havia sido relatado a sua importância pelo próprio Hitler, quando o mesmo escreveu o Mein Kampf dizendo: “é preciso expulsar do teatro, das belas artes, da literatura, do cinema, da imprensa, da publicidade, das montras, as produções de um mundo em putrefacção; é preciso pôr a produção artística ao serviço do estado e de uma ideia de cultura moral”. A ideia era trazer tudo para as mãos do estado, o Reich teria que dominar não só a Alemanha, como também o mundo.

     Hitler sabia do poder e da influência que o cinema tinha não só na Alemanha, como também no mundo, e utiliza-lo ao seu favor seria de grande valia, até porque, Hitler sabia que este, utilizado com inteligência, revelaria ao mundo que Alemanha era viva e soberana.

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