Imprensa preconceituosa

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      Este segundo turno eleitoral para a disputa da presidência da República serviu para que a sociedade brasileira tomasse consciência que grande parte da imprensa é preconceituosa e ainda não “engoliu” o governo Lula e a possibilidade real de reeleição amanhã.  Os leitores de Sergipe também puderam perceber que esse preconceito não é apenas da imprensa nacional, mas de vários jornalistas do próprio Estado que, não apenas fazem as criticas naturais ao candidato petista, mas chegam a demonstrar no que escreve um ódio exacerbado ao presidente da República, dando como justificativa os escândalos que ocorreram envolvendo auxiliares do Governo Federal.

   Seria coerente também que estes mesmos jornalistas usassem suas “canetas” para criticarem os desmandos administrativos que ocorrem no Governo do Estado, mas que parecem não chegam aos ouvidos destes profissionais. Dois pesos e duas medidas é puro preconceito, é pensar que o leitor é burro e não sabe discernir a real tentativa de manipulação do atual momento político. Alias, quando este colunista escreveu o artigo “Imprensa precisa ser desnudada” em 11 de setembro, a repercussão foi positiva não só entre os leitores, mas também entre os colegas de imprensa que  prezam pela necessidade de uma mudança neste relacionamento, sobretudo, com o Governo do Estado.

       Parece que este jornalista estava prevendo o que estava ocorrendo. Nesse momento vários jornalistas que atuam na grande mídia brasileira – preocupados com o rumo que tomou a maioria dos meios de comunicação nesta campanha – iniciam uma série de debates, através de artigos, sobre o assunto. A coluna cita, por exemplo, o artigo da jornalista Liziane Guazina, com o título “Cobertura Eleitoral – Desvendar a caixa-preta do jornalismo político”, onde ela lembra que “ao longo desta campanha eleitoral, tem ficado claro para quem acompanha o jornalismo político praticado pela grande mídia brasileira que a missão de cunho iluminista, de trabalhar em prol do interesse público e do esclarecimento dos fatos, está cada vez mais próxima da retórica legitimadora da profissão e longe da realidade prática”.

   A jornalista dá como exemplo o embate de opiniões que se seguiu à revelação de como um delegado da Polícia Federal vazou CDs com fotos do dinheiro que seria usado para pagar um dossiê anti-José Serra. “E combinou com os jornalistas a versão que seria usada para disfarçar a origem do vazamento, os envolvidos apegaram-se ao profissionalismo e ao cumprimento de regras incontestáveis ao exercício da profissão – o sigilo da fonte, garantido pela Constituição, e o interesse público em divulgar as fotos – para justificarem suas decisões”.  Diante deste episódio, Liziane cita vários fatos que apontam para o descumprimento do bom jornalismo.

  Além de traçar um quadro sobre o relacionamento do jornalismo político e o relacionamento com as fontes, a jornalista lembra também da  cobertura política que legitima a ação dos atores políticos. “Quantas vezes, nesta campanha, jornais ou revistas capitanearam a ação política de grupos, ao publicar informações não checadas, matérias baseadas em ilações ou indícios, até mesmo em informações plantadas ou com omissão de importantes atores? Isto para não falar de entrevistas compradas e capas baseadas em supostos furos que não se confirmam com o passar dos dias, utilizando-se informações requentadas e já negadas, produzidas para servirem como imagem no horário eleitoral ou como citação em relatórios da polícia”, explicou.

  O artigo acaba com este parágrafo que merece reflexão de todos que fazem parte da imprensa: “e, por último, políticos não passam, políticos são parte essencial da democracia. Eleições não chegam ao fim no dia da votação. São um processo instável e difícil de construção democrática. O dia da eleição é só o começo de um governo; se um candidato é eleito, é porque as forças que estavam alinhadas a eles venceram a disputa, inclusive, as forças midiáticas.

Tornar transparente o ponto de vista editorial de que se parte, os compromissos políticos e os critérios jornalísticos, e desnudar os interesses das fontes nas reportagens é condição para um jornalismo de credibilidade. É preciso vencer o medo de desvelar a caixa-preta do jornalismo político, sob pena de não construirmos, efetivamente, uma sociedade democrática”.

 

 

TCU julga irregulares contas de ex-prefeito de Santa Rosa

O Tribunal de Contas da União (TCU) julgou ontem irregulares as contas de José Vilson dos Santos Bispo, ex-prefeito de Santa Rosa de Lima (SE), e o condenou ao pagamento de R$ 51.943,81, valor atualizado, por não prestar contas de recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio da extinta Fundação de Assistência ao Estudante. A verba era destinada à promoção do atendimento do Programa de Alimentação Escolar aos alunos matriculados na pré-escola e no ensino fundamental da rede municipal, garantindo pelo menos uma refeição diária. O ex-prefeito também foi multado em R$ 2 mil e tem o prazo de 15 dias para comprovar o recolhimento das quantias aos cofres do FNDE e do Tesouro Nacional. A cobrança judicial foi autorizada. Cabe recurso da decisão. O TCU enviou cópia da documentação ao Ministério Público da União para ajuizamento das ações cabíveis.

 

 

Deda explica contatos com Machado I

Sobre o e-mail de um leitor publicado ontem nesta coluna sobre noticias veiculadas na imprensa de  que o deputado José Carlos Machado está conversando com Marcelo Deda a respeito da vaga existente do TCE, o governador eleito esclareceu que logo que acabou o primeiro turno – quando começou a pensar na questão da transição – manteve contato com o deputado José Carlos Machado, coordenador da bancada federal na Comissão de Orçamento do Congresso Nacional, para tratarmos das emendas para o OGU, exercício de 2007. Foi marcada uma reunião em Brasília, que não se realizou por conta das atividades de Deda na Coordenação Nacional da Campanha Lula.

 

Déda explica contatos com  Machado II

Na última terça-feira, o governador eleitor, recebeu telefonema da assessoria do deputado Machado sugerindo nova reunião. Como tinha atividades de campanha agendadas e na quarta-feira viajou para Recife – com o objetivo de participar de ato da campanha de Eduardo Campos e Lula em Pernambuco –  a reunião acabou não se realizando. Deda deixou claro que em momento algum esteve na pauta desses contatos a questão do TCE. “Primeiro, porque tudo indica que ela deve ocorrer ainda este ano, portanto com a atual Assembléia e sob a atual administração estadual; segundo porque é uma vaga pertencente ao Legislativo, não competindo à indicação nem ao atual nem ao futuro governador; terceiro porque não apresentei, nem poderia apresentar, candidato”, lembrou.

 

Deda explica contatos com Machado III

Por fim, o governador eleito disse que na próxima semana em Brasília, deve acontecer a reunião com o deputado Machado  com o objetivo de discutir o OGU 2007. “Acredito ser do meu dever atender e conversar com todos que me solicitem. Conversar não é concordar, mas respeitar o convívio democrático, dever e obrigação de qualquer governante”, frisou Deda.

É bom lembrar também que toda imprensa sergipana sabe da amizade existente entre Deda e Machado, há mais de 20 anos, independente de convicções, posições políticas e dos cargos que os dois ocupam.

 

Leitor rebate e-mail publicado

De um leitor rebatendo o e-mail publicado ontem: “Sinceramente, por conhecer um pouco da história de Déda, sei que ele não é revanchista, prova disso vi na sua coluna que ele não concordaria com a mudança do nome da ponte Aracaju/Barra, mas chegar ao ponto de compor alguma coisa para que este senhor possa adentrar ao mundo mágico  e vitalício daquela casa (TCE), não acredito de forma alguma. Déda é o governador das mudanças, sim, prova disso tivemos em Aracaju. Não

teremos decepção alguma no governo, os descrentes e os urubus de plantão que aguardem, que teremos um novo tempo de política em Sergipe, sem revanchismos, com muita responsabilidade e respeito aos mais de quinhentos mil votos conseguidos no dia 01.10”.

 

Deda em Recife

O governador eleito Marcelo Deda (PT-SE) foi uma das estrelas do último programa do candidato a governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).  Deda apareceu falando no comício de encerramento e também dando entrevistas onde afirmava que “os ventos que varreram o PFL na Bahia e em Sergipe estavam soprando em Pernambuco”. O candidato Eduardo Campos é o líder nas pesquisas e tem mais de 30 pontos sobre o seu adversário, o atual Governador Mendonça Filho (PFL).

 

Outros sergipanos

Além de Marcelo Deda participaram ativamente da campanha de Eduardo Campos o Senador Antônio Carlos Valadares, o Vice-Governador Belivaldo Chagas, Deputado Federal Valadares Filho (PSB) e o Deputado Jackson Barreto (PTB).

 

Sobre o contrato emergencial do Ipes I

Foram vários e-mails recebidos sobre o artigo publicado ontem com o título “Emergência no Ipes: 397 mil sem licitação”. O leitor Narcizo Filho abordou: “tem sido ato corriqueiro dos governantes utilizar desse argumento previsto em Lei. No caso em tela, tem sido uma constante, que na maioria das vezes os gestores não entendem que os atos da administração são discricionários, e ousam ultrapassar esse limite. Aqui ultrapassaram todos os limites possíveis, esses contratos celebrados ao apagar da luzes têm que obedecer aos preceitos da Lei de Responsabilidade Fiscal, ou seja, os valores terão que esta disponível para o futuro governante poder cumpri-lo”.

 

Sobre o contrato emergencial do Ipes II

Prossegue Narcizo: “os atuais gestores esquecem que a lei não permite equívocos, o art. 24 da Lei 8.666/93 se enquadra nesse prisma, as interpretações dada a ele na sua grande maioria, é de má fé, usar os vocábulos emergência e urgência é encobres a má gestão deles próprios.A não observância dos princípios constitucionais levará o gestor a praticar um ato de improbidade administrativa, passível de anulação. A equipe de transição terá muito trabalho pela frente, analisar todos os contratos levando em conta custo-beneficio dessas dispensas de licitação, visto que a dispensa gera a possibilidade do governante assina contratos diretamente com o particular, que na grande maioria é um companheiro de jornada.O importante é que o interesse publico seja preservado, e que o principio constitucional mais elementar, o da economicidade esteja sempre em vidência. Esperamos que os órgãos responsáveis pela fiscalização ajam com presteza e puma os infratores. Utilizar-se desse artifício é sem sombra de duvida burlar a legislação em vigor”.

 

 

Frase do Dia

“A vitória tem mais de uma centena de pais; a derrota, por outro lado, essa, é órfã.” John F. Kennedy.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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