“Inclusive a velha múmia!”

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Na folha 101 do livro, “GETÚLIO: Do Governo Provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945)”, a frase que tomo como título acima, enfeixa o misto de desaponto e surpresa de Getúlio Dornelles Vargas, avocando a condição factual, enquanto ditador e presidente de um governo revolucionário, perante defecções de aliados, espertezas de beneficiados, e traições de tantos amigos e companheiros, que fugindo da raia e da luta em adesão ao inimigo, abandonavam-no à sanha da maré adversária.

O ano era 1932, tempo em que a historiografia hegemônica paulistana cuidaria de semear em heroísmo e grandeza nacionais uma revolta de eminente insubmissão paulista, e que restou tão estadual quanto quase paroquial, mas que continua denominada como uma ampla revolução constitucionalista.

O livro de Lira Neto, porém, auferindo os fatos realmente acontecidos e ouvindo os verdadeiros personagens envolvidos, distancia-se destas adjetivações e interpretações ideológicas dos historiadores, conferindo uma narrativa que atrai sobremodo o leitor, afinal ali se compreende melhor os interesses dos atores de então, em entreatos irrefletidos e incompreendidos no descortinar das ações.

Porque o historiógrafo, distorcendo os fatos ao seu pensar, às vezes se transmuda em dramaturgo, desviando o curso da ação realmente acontecida, ensaiando comédia ou tragédia distante do real acontecido, calando heróis e promovendo vilões, sobretudo quando teima em tangenciar o impossível, no desejo de inverter as batalhas mal quistas e não vitoriadas.

Nesse particular, louve-se a isenção de Jules Michelet, apreciando a Revolução Francesa sem qualquer facciosismo grupal, e destaque-se o passional teatro de Shakespeare em Henrique V, fiel ao campo inglês da luta em Azincourt, e também na peça Henrique VI, por desfiguração de Joana D’Arc, a inimiga “Pucelle de Domrémy”, descrita ali como uma prostituta diabólica, nunca santa, nem virginal, sendo queimada na fogueira como bruxa, virago rabugenta e desagradável, a distribuir pragas e impropérios.

Ou seja, uma coisa é a criação do dramaturgo, e outra é a descrição do historiador.

Se ao dramatista não se pode denunciar como erro o traçado do seu personagem em cena real, fictícia ou estoriada, ao historiógrafo exige-se suficiência em imparcialidade e veracidade científicas.

Porque, lamentavelmente, as guerras e as revoluções não se definem pura e simplesmente em rendições por ensarilhamento de armas, a insubmissão persistindo, como se fora uma disputa esportiva a instigar renovadamente aficionados e torcedores.

Neste particular, o livro “Getúlio Vargas” de Lira Neto é excelente, e bote excelência nisso, porque não tem a obrigação de ser rigidamente isento de modo a dissecar e desidratar as figuras ao extremo da assepsia em busca da esterilidade.

Ali os personagens têm vida. São homens e mulheres que se amam, se odeiam, sofrem seus medos, alimentam-se de sonhos e ambições. Não são nem santos, nem demônios, heróis ou vilões. Também são, ou não o são bastante, entes patrióticos, morrendo de amor febril pelo Brasil, enquanto ilibados portadores de pureza ideológica.

O livro tenta expor o vero extrato do que foi dito e feito, uns ousando a peleia e a sangueira, sem traumas de responsabilidade ou ônus histórico, como Getúlio assumindo sua condição de ditador, e outros perdendo na raia e tomando vaia, em esperneio de torneio, afinal prevalece no texto o contexto real por vitorioso, agora por vocalização do personagem mais importante daqueles feitos.

Neste particular, não creio que haja uma melhor descrição daqueles feitos onde prevaleça a confissão íntima de seu personagem maior, Getúlio Vargas, por explicitação dos cadernos de suas confissões diárias.

Assim, por ser baseada nestas revelações, a biografia pode ser interpretada como mais laudatória que crítica, nada que a desmereça, afinal quando a palavra é concedida à “esfinge dos pampas” sem renovação temática, timbre ou sonoridade, ela persiste fascinante, agora conquistando o leitor, mesmo oitenta anos passados, com sua argumentação encantatória em ousadia e premonição, e sobeja capacidade de ponderar radicalidade e moderação.

E o livro se notabiliza também porque se o desconhecimento da história conduz à repetição de seus erros, a sua interpretação disforme maximiza tal engano. Afinal, hoje como ontem em 25 de fevereiro de 1932, data da narração dos feitos, o Brasil continua dividido entre vários interesses de ordem política.

Poder-se-á dizer que hoje tal insatisfação não tem o mesmo viés radical como aquele frente a um governo ditatorial assumido em 3 de novembro de 1930, via movimento revolucionário.

No entanto, pelo comportamento do populacho atual, protestando na rua com um objetivo tão amplo quão indefinido, “contra tudo isso que está aí”, o desfecho pode tomar dimensões inesperadas.

Deslanche sempre imprevisto, daí o regurgitar da História, por absoluta cegueira das paixões irrefletidas e nunca suficientemente arrefecidas, como acontecera em 1932.

Imprevisão nunca imaginada pelo Editorial de “O Estado de São Paulo”, em sua edição de 1º de Janeiro de 1932 ao denunciar o “autoritarismo que, sufocando a liberdade, deprime as mais nobres concepções da razão humana…”, em palavras grandiloquentes e altissonantes, a requerer a convocação de eleições a fim de que fosse “o povo brasileiro convocado a estabelecer, em constituinte, os fundamentos de sua reorganização política”.

Um editorial que seria inocente, justo e quase pueril, não vigesse então um regime revolucionário, e ampla hostilidade de facções, pois se havia amantes da democracia liberal, como transparecia o pensamento do jornal paulistano, havia também os que rejeitavam a antecipação das eleições já prometidas por Getúlio, porque estes entendiam ser a ditadura o antídoto letal e decisivo contra os pleitos sempre fraudados, manipuladores de um eleitorado iletrado, servil ao capital financeiro e ao coronelismo assistencialista.

Getúlio, que oscilava entre tantos desejos tão antagônicos quão inconciliáveis, viu Juarez Távora responder ao Estadão vocalizando a insatisfação tenentista que em alguns casos mais radicais, se via algum defeito no governo era o de não ser mais ditatorial ainda: “É cedo para eleições… A máquina dos republicanos ainda podia manipular os resultados eleitorais”. Quanto a São Paulo, o “vice-rei do norte”, como era conhecido o cearense Juarez, gritara provocativo e perturbador: “os paulistas só pensam em si e não no Brasil”.

São Paulo ferveu nos seus brios. A Folha da Manhã logo questionou: “Somos um estado de bugres?”

À parte isso, a Revolução de 1931 impusera dois grupos que já se atritavam no governo: o dos tenentes, enquanto líderes da revolta, e o dos civis democratas, aqueles que apoiaram o movimento em prestígio e consistência programática.

Já do lado perdedor situava-se ampla oligarquia política afastada do poder decaído como ultrapassado e “carcomido”.

A revolução de 1930 chegara contra este predomínio oligárquico viciado na falsificação de eleições e patrimonialização do Estado.

No entanto, os dias se passavam e embora continuasse com vasto apoio popular mediante reformas benéficas de conteúdo social e trabalhista, temas heréticos para a casta empresarial como a jornada de 40 horas semanais, a estabilidade decenal e a liberdade sindical, o governo se fazia leniente no contexto político, adiando eleições e desconversando sobre uma eventual constituinte, o que exasperava variegado segmento das classes abastadas, sobretudo aquelas de São Paulo, o Estado que se fizera mais resistente aos movimentos revolucionários vitoriosos.

Getúlio, um mestre na conciliação, adiava decisões contornando rachas e divisões, via decretos e nomeações, conhecedor maior da realidade que o feria diariamente.

Qualquer governo, porém, passados os primeiros meses já não suscita esperanças e mudanças, nem aos beneficiados porque já conquistaram uma suficiência que não lhes sacia a cobiça e avidez renovadas, nem aos não favorecidos, porque definitivamente preteridos e desesperançados.

Este era o caso das oligarquias do extinto Partido Republicano Paulista, carcomido segmento afastado do poder, aos qual se juntavam seus opositores, os membros do Partido Democrata Paulista, decepcionados com o repasto mirim que lhe sobrara no despojo revolucionário.

Embora a Revolução de 1930 não fosse contra São Paulo, este fora o maior derrotado, tanto pela derrubada de um Presidente, Washington Luiz, um Presidente Eleito, Júlio Prestes, ambos paulistas, vasto conjunto hegemônico ministerial e político daquele Estado, quanto múltipla insatisfação de conteúdo econômico-financeiro, frente à crise da bolsa de Nova York, a requerer ampla ajuda federal em auxílio e subsídio à produção cafeeira.

Um descontentamento, paulistano sobremodo, pois além de preterido em seus pleitos, São Paulo era punido em sua própria gestão, tendo que engolir como Interventor um tenente forasteiro e tido como comunista, João Alberto Barros, sendo assim preterida toda sociedade bairrista e elitista de um Estado que se definia como: “locomotiva nacional a arrastar vinte vagões vazios”.

De modo que sobrevinha nos paulistanos o maior desejo pela derrubada do ditador, um sentimento ao qual se inseriam todos os insatisfeitos, Democratas e Republicanos, oligarcas convertidos a um discurso modernoso, reluzente e esfuziante, qual seja o de convocação livre e geral de eleições de um Congresso Constituinte, reforma tributária, e absorção pela União das dívidas contraídas pelos Estados. Um discurso eminentemente atual, mesmo sete décadas afastado.

Mas, se de lá para cá oito décadas não foram suficientes para o nosso aprendizado da História, Getúlio Vargas, muito menos que seus adversários, bem sabia o contexto entrópico que retinha nos dedos, tentando impedir a explosão de vespeiro num governo dito, “balaio de caranguejo”, pelo Diário Carioca em editorial panfletário.

O desconhecimento dos feitos conduziria o desastre, afinal o senhor Getúlio Vargas assumira o governo à frente de um movimento político como lema, e militar como sustento.

Uma sustentação que a política tentara solapar na undécima hora com a derrubada de Washington Luiz por uma junta militar liderada pelo então Ministro da Guerra, Tasso Fragoso, numa disfarçada adesão por capitulação do restante da tropa.

As elites brasileiras gostando de “pasteurizar” os excessos, tentava acalmar os revoltosos, seja com a suficiência da posse com aquela junta “confiável”, seja na falta de substância de um governo Getúlio Vargas, empossado apenas como se fora virtualmente eleito, respeitando a Constituição vigente desde 1891.

Não fora para um desfile de carnaval que os gaúchos tinham avançado Rio de Janeiro adentro e amarrado as suas montarias no obelisco Avenida Central.

Getúlio assumira o governo, rasgara a carcomida Constituição, fechara o Congresso, demitira Governadores, e chegara à suprema ousadia, por absoluta necessidade de sobrevivência de imposição autoritária, de aposentar seis ministros “não confiáveis” do Supremo Tribunal Federal.

Como “todo casamento francês e toda revolução brasileira”, em citação de Carlos Lacerda três décadas depois se referindo a outra revolução, a de 1964, o movimento de 1930 vencera sem provocar hemorragia. E uma revolução que não começa matando, logo suscita legiões de opositores.

Era o que acontecia no ano de 1932, com a imprensa entendendo que o movimento atingira o seu ocaso, sendo abandonado pelos políticos liberais e vendo a tropa dividida entre “picolés”, oficialidade formada e promovida integralmente em série, via engajamento real no conflito, e “rabanetes” (vermelho por fora e branco por dentro), segmento que a ele aderira por oportunismo, sem qualquer identidade e ideologia, e um terceiro grupo de oficiais em patente superior, que preteridos restaram frente à oficialidade mais jovem.

Se, porém, era vasto e disperso o descontentamento, havia coesão entre os tenentes que sustentavam o regime.

A resposta se faria imediata com o empastelamento do Diário Carioca em 25 de Fevereiro de 1932, suprema heresia num regime de liberdade.

Getúlio que nunca desejara tal petulância, não seria o grande beneficiário de tal violência, afinal vira-se isolado e abandonado por tantos que se sentiram incomodados, daí para frente, até mesmo como membros do seu gabinete ministerial.

Fustigado agora pela Associação Brasileira de Imprensa, que cobrava providências mediante “vigília cívica”, comandada pelo líder jornalista, Herbert Moses, a ABI exigia a imediata apuração dos fatos e a punição dos responsáveis pela destruição do Diário Carioca, o jornal de Edmundo Soares.

O “balaio de caranguejo” se desfazia em divergências crescentes, com ministros se demitindo, temendo “cair no ridículo”, justamente os gaúchos como João Neves da Fontoura, Batista Lusardo, Lindolfo Collor, Assis Brasil e Maurício Cardoso, que ali não teriam chegado, não fosse o movimento de 1930. Rio-grandenses cuja assunção ao governo fora motivo de piada geral dos cariocas que contemplavam o Cristo Redentor, braços abertos orando ao pai: “Chega de gaúchos!”

Era assim que se encontrava Getúlio Vargas, com a imprensa definindo a inexorabilidade de seu fim, os amigos o abandonando, até com a aliança de adversários, “maragatos e pica-paus”, por republicanos e federalistas no Rio Grande, inimigos figadais como Borges de Medeiros e Assis Brasil, todos em desfavor do gaúcho Presidente e Ditador, sem falar dos inimigos paulistanos, que por justa razão externava uma oposição exaltada, afinal na terra da garoa vigia amplo ódio ao novo regime, unindo republicanos “carcomidos” e liberais ofendidos, com o operariado reunido na Praça da Sé e a estudantada gritando exaltada no Largo São Francisco, no endosso daquela unidade paulista.

Até seu amigo de longas datas, João Neves da Fontoura, o desafiava em recado direto: “Getúlio, não lhe falte a honra do desmoronamento, a elegância dos vencidos. Olhe a nação pela frente, faça continência e tombe”.

Se o panorama era de abandono geral, sobrara-lhe o apoio do Clube 3 de outubro, entidade tenentista responsável pela destruição do Diário Carioca, e alvo de toda gama de protesto.

O Clube 3 de outubro, com seccional em todo Estado da Federação, era a entidade que melhor aglutinada o sentimento jacobino de sustentação do regime getulista.

Contra a sede da “Legião Revolucionária”, então ocupada pela secção daquele clube getulista na cidade de São Paulo, foi organizada uma passeata estudantil em 23 de maio de 1932, que seguindo em direção a sua sede, situada à Rua Barão de Itapetininga, imediações da Praça da República, pretendia ocupar e destruir aquela agremiação.

Como no interior da Legião houvesse defensores armados “atirando para o alto”, os estudantes recuaram, “arrombaram três lojas de armas e munições que funcionavam nas redondezas e trocaram os porretes por revólveres, carabinas e fuzis”.

Em nova investida, o tiroteio foi geral, com treze mortos e dezenas de feridos.

Os mortos, em maioria, seriam esquecidos pela História, sendo reverenciados apenas os nomes “do auxiliar de cartório, Euclides Miragaia, do comerciário Antônio Américo de Carvalho Andrade, do fazendeiro Mário Martins de Almeida, e do ajudante de farmácia, Dráusio Marcondes de Souza, de apenas catorze anos”.

Como toda revolta bem se alimenta de um cadáver, eis quatro disponíveis.

Criava-se então o movimento MMDC, acrônimo retirado dos mártires, Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, que iria inflamar os sentimentos paulistas de destemor e bravura dos bandeirantes, Raposo Tavares e Anhanguera.

Movimento que apelava emocionalmente às nobres, mas ingênuas exortações latinas: “Dulce et decorum est pro patria mori (é doce e honrado morrer pela pátria); Pro brasilia fiant eximia (pelo Brasil faça-se o melhor); Non ducor, duco (não sou conduzido, conduzo); podendo tudo, até copiar e plagiar o imperador romano Constantino Magno, apropriando-se de seu “In Hoc Signo Vinces” (com este sinal vencerás), e de um novo crucifixo.

Em outro calvário, Getúlio Vargas, tentava contornar os excessos, exasperando Osvaldo Aranha que o achava indeciso e Agildo Barata que o desprezava por seu espírito contemporizador, denunciando: “sempre que alguém lhe rosnava mais forte nos calcanhares, Getúlio atirava um osso, às vezes sem carne, para o resmungador se acomodar”.

Mas, não fora um gesto apaziguador, tipo “osso sem carne” a entrega do Governo de São Paulo ao septuagenário e já fora do baralho, Pedro de Toledo, “uma múmia” que assumia o governo “dormindo, babando e sorrindo”, conforme apreciação do Diário Carioca, que voltara a circular,

Getúlio, que “ouvia melhor com os olhos”, sentindo a terra esvair-se sob seus pés, percebe que o golpe se aproxima. Um pensamento suicida o assalta: “Sinto o meu declínio político”, confessa em diário; “por falta da capacidade para abrir novos horizontes ou por falta de apoio para transformações mais radicais”.

Agora era a “velha múmia”, Pedro de Toledo, o intendente gagá que aderia aos revoltosos paulistas e que tentava a adesão dos intendentes do Rio Grande, o General Flores da Cunha, e de Minas Gerais, o Governador Olegário Maciel.

Getúlio cai em campo conseguindo manter a lealdade de Flores da Cunha e Olegário Maciel, e aquilo que seria uma confluência de forças rumo ao Rio de Janeiro na verdade se transforma um movimento em pinças contra São Paulo; uma frente vinda de Minas atravessando a Serra da Mantiqueira, outra chegando ao Norte pelo vale do Rio Paraíba do Sul, uma terceira pelo oeste, vinda de Mato Grosso, a tropa gaúcha chegando pelo Sul, cerco marítimo de Santos e Ubatuba, e eficiente bombardeio via aérea comandada pelo major-aviador Eduardo Gomes.

Getúlio Vargas que todos imaginavam em fim de carreira no início de 1932, ainda governaria o Brasil por mais treze anos, como ditador ou quase isso, e mais quatro como Presidente constitucional, um feito notável de sobrevivência política na república brasileira.

Deste tempo notabilize-se o clamor das ruas paulistanas: “Sai, Getúlio, sai! São Paulo não é Shangai!” Onde a referência chinesa se devia ao pensamento paulista, segundo o qual, “São Paulo era uma terra ocupada”, igual à Manchúria pelos japoneses.

Para finalizar dois destaques: O primeiro sobre o fervor do batalhão gaúcho, de quem se temia o degolamento via “gravata vermelha”, agora matando e morrendo por Getúlio Vargas, sentimento externado por um negro analfabeto, Gregório Fortunato, que chegava para fazer história: “Vamo derrubar os paulista a pata de cavalo e chumbo grosso”.

O segundo é que Getúlio bem poderia ser um cruel degolador no momento da capitulação dos vencidos, no entanto preferiu fazer história por condescendência em perspicácia de estadista.

Tempos depois, após dois anos de governo discricionário dirá sábia e pragmaticamente: “Sou sinceramente pela anistia geral, mas entendo que não devemos nos suicidar. Não há maneira de desarmar o ânimo dos que nos combatem. A solução parece, está na decretação da anistia apenas após as eleições”.

Quanto aos traidores, aí incluída a “velha múmia”, daí para frente, tiveram uma importância menor na república brasileira.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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