Irã diz que Lula é emotivo.

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A notícia vem do Irã. Uma mulher viúva, Sakineh Mohammadi Ashtiani, com 43 anos, está presa desde maio de 2006, condenada por um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental, que a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido.

 

Por aquelas latitudes, a mulher enviuvada deve se mater casta até a morte. Pelo menos é assim que se apresenta a notícia. E Ashtiani “andou” indevidamente com dois homens. Ninguém sabe se ao mesmo tempo ou alternativamente. Um enredo que seria rotineiro em terras abaixo da linha do equador.

 

Pelo menos é assim que os causos tem sido louvados na crônica social, por aqui e bem perto daqui, sem que se chame alegria de viúva, afinal “a vida não tem replay” e sempre é possível o gozo não mais proibido, se possível inter racial por menos frugal.

 

Assim, eis o homem imitando as bestas, por bestial, irracional, em descontrole emocional e sem relinchos nem cios.

 

Mas no Irã vale uma lei sem siso e sem suscitar riso, por estupidez; um desejo majoritário de uma sociedade eivada de regras preconceituosas e terríveis.

 

E Ashtiani, mesmo conhecendo esta sua lei em suas obrigações de viuvez, cedeu-se ao falo do seu desejo, com, ou em dois homens, o que ensejaria uma partida em busca de outras formas, variações e cheiros, em sensações de cascata, não fosse a descoberta da impudiscência, e o impedimento por prisão e condenação.

 

A notícia fala que tal adultério fora datado de 2006. Pelo menos vem daí a sua prisão; quatro anos e meses de reclusão.

 

Uma condenação terrível aos nossos olhos ocidentais, embora não seja divulgada, se houve a punição dos dois violadores. Mesmo porque neste caso se há crime, culpados seriam, tanto o côncavo por permissividade promiscua, quanto o convexo por veleidade viciosa; uma apreciação à luz da fidelidade, da pureza, do respeito e da consideração, se não fosse tudo isso desprezado e esquecido em nome do exercício da volúpia, que jamais deve ser contida ou limitada.

 

Mas, repito, o noticiário não falou dos machos, nem os denunciou, querendo-lhes a capação ou falostomia. Aos homens tais pecados são cobertos de uma venialidade safada e sua propaganda enaltece o agir rufião.  “Deve ser ‘um bom de cama’, alguém que sobe fácil e resiste a descer”, dirá o gaiato que somos todos nesta seara. Afinal o homem não sorri até quando borrifa sêmen ao léu e ao nada, desde que seu corpo se desabrase?

 

E a pobre Ashtiani na prisão aguarda a sua execução, condenada a morte por apedrejamento.

 

Pois é! Em pleno século XXI, existe apedrejamento para mulheres adulterinas. Algo que o Cristo colocou como símbolo de perdão. “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”. (Jo 8,7)

 

E mais! Para mulheres adúlteras em viuvez! Aquilo que os gaiatos da criação de Nelson Rodrigues taxavam como o pior adultério; o cometido em viuvez, afinal atentava-se contra a memória de um morto.

 

Mas, se Nelson suscitava o riso, o escárnio, a gozação da vida como ela era no seu tempo, hoje menos virtuosa e mais lodosa, vale o seu aforismo sem veleidade: “O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor.”

 

Frase desimportante, afinal o turbilhonar permissivo da vida aceitava sua constatação: “As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado”. E este macho mal acabado é o descabrestado rufião, restando a desolação Rodrigueana: como Flor de Obsessão: “Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.”

 

Vem, porém, do Irã a notícia da lapidação da viúva Ashtiani por traição ao seu finado marido. E o Presidente Lula, talvez imitando o cancioneiro popular, pede ao governo do Irã que seja dada à ré o benefício de emigrar para o Brasil como asilo político.

 

Em pleno comício em Curitiba, Lula fez um “apelo” ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que “permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher”. Um pedido mais que humanitário, afinal tal crime pode levar a morte por enforcamento ou apedrejamento.

 

É ai que o apedrejamento se inverte. O governo iraniano ironiza dizendo: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma ‘personalidade emotiva e humana’”, e ao realizar seu pedido de concessão de asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani  o faz sem “informação suficiente” sobre o caso. Foi assim o dito nesta terça-feira pelo porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast.

 

Endosso semelhante ao dito por Hillary Clinton quando do acordo Brasil-Irã-Turquia sobre o enriquecimento de Urânio-235.

 

E Lula está sendo bombardeado por todos os lados.

 

De um lado, aqueles que advogam a não intervenção nos assuntos internos dos países. De outro os que sempre cobram uma manifestação a favor dos perseguidos, sobretudo em Cuba.

 

Os inconformado com o asilo de Cesare Battisti gritam: “Deve o Brasil se tornar valhacouto de perdidas e de bandidos internacionais?!

 

Há os que reafirmam a pouca instrução e a hemiplegia mental de Lula, sem falar do movimento feminista que despreza o pedido de concessão de asilo porque é preciso fazer mais para pressionar o Irã a banir esse tipo de sentença. Para estes o Brasil deve mandar tropas para liberar o livre exercício sexual, enforcando os aiatolás e outros machistas radicais

 

Já outros inflamados fundamentalistas como Mehmanparast e a Guarda Revolucionária do Iran reafirmam que Ashtiani “cometeu um crime” segundo a lei persa, e que o governo iraniano pode passar mais informações ao presidente Lula “para que ele entenda o caso”, o aceite ou com ele se entupa, sem interferir nas questões internas do país.

 

De concreto resta o drama que persistirá com ou sem recriminações. O funesto e o sardônico se nutrem muito bem nas relações adulterinas. Há sempre uma piada ou um crime plantado no leito dos amantes proibidos. E é tão fácil não fraudar, não transigir e não enganar, sem vezos de santidade, nem comportamentos de ingenuidade. Que sejam louvados homens e mulheres que assim procedem, sem que lhes ameacem apedrejamentos e mutilações.

 

Há muitos homens e mulheres que não se degradam nestes caminhos de infelicidade. Porque a felicidade não acontece no gozo fugaz em fuga voraz, em desembesto e tropelia.

 

Com pedra e sem pedrada, que não se atire também a primeira pedra ao que errou. Mas, que não erremos tanto, Senhor!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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