Jabá com abóbora

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Era uma tradição que acontecia em Aracaju, entre o Natal e Ano Novo, cuja maior movimentação ocorria nos anos pré-eleitorais, como esse de agora. A jabá com abóbora é um prato típico que o deputado federal Jackson Barreto (PTB) faz com esmero. O ex-vereador Rosalvo Alexandre foi quem iniciou a brincadeira e abriu sua casa para oferecer “a jabá dos jornalistas”, convidando políticos e pessoas do meio para saborear o prato, antecedido de cervejinha bem gelada. Uma farra de grandes papos. Lá se elegiam prefeitos e governadores, formavam-se composições e praticamente se iniciavam as discussões eleitorais do ano seguinte. No jargão da imprensa, “jabá” é uma gratificação que suborna jornalista corrupto para por ou evitar publicar certas matérias. A festa era fruto da irreverência de Rosalvo, que levava membros das rádios, jornais e televisão sergipanas para, literalmente, receberem o seu “jabá com abóbora” de final de ano.

 

A última festa de confraternização da jabá com abóbora deve ter ocorrido em 1990, quando ainda estava no governo o atual senador Antônio Carlos Valadares (PSB), que aprontava a festa para posse do novo governador João Alves Filho, que assumia pela segunda vez, depois do chamado acordão que voltou a colocar no grupo o então senador Albano Franco, o nome da vez para suceder Valadares, mas que se dispôs a continuar no Senado para ser eleito em 1994, tendo como suplente José Alves Neto. A jabá com abóbora misturava contraditórios, mas sempre teve maior freqüência de grupos oposicionistas, que discutiam o próximo passo para a eleição seguinte. Em 1990 surgiram os primeiros nomes para disputar a Prefeitura de Aracaju, recaindo no peemedebista Wellington Paixão, indicado pelo então ex-prefeito Jackson Barreto, brigado na época com os integrantes do tal acordão. Jackson estava adversário do deputado eleito Marcelo Déda, que já apoiava o ex-petista Ismael Silva à Prefeitura, enquanto João Alves Filho estava lançando o então deputado estadual Reinaldo Moura. Em outras palavras: na jabá de 1990, já se discutia as eleições de 1992.

 

Essa história se desdobraria em muitos fatos importantes que aconteceram na política sergipana, inclusive entendimentos antes impossíveis, que foram desfeitos e hoje estão distantes e se odeiam. Tudo, entretanto, passou pela chamada “Jabá dos Jornalistas”, onde acontecia de tudo um pouco, nesse tumultuado mundo da política.

 

Amanhã é dia de jabá com abóbora. O ex-vereador Rosalvo Alexandre resolveu reativar essa confraternização que sempre uniu gente de várias tribos, mesmo que não dançassem ao som do mesmo atabaque. Todos os políticos foram convidados, dentro do ecumenismo que sempre se deu diante de um taxo imenso de carne seca e abóbora, que todos comem com colheradas de arroz. Comida, bebida e muita conversa. Fala-se de tudo, mas a política predomina com amenidade. São fatos de agora e reminiscências. Tudo posto em cada mesa, nos pequenos blocos que se formam, sem preconceitos partidários e ideológicos. É uma jabá democrática, onde o cidadão pode defender, argumentar, repudiar e amar ídolos e heróis. Nada se impõe, tudo é liberado, até falar do dono da casa, num clima de total liberdade de expressão, o que faz os jornalistas se sentirem à vontade para concordar ou contestar. Queiram ou não, o retorno do “jabá” dos jornalistas é bom para ouriçar esse período de escassez de notícia e fortalecer deduções das próximas eleições.

 

Seria muito bom se todos aceitassem o convite e comparecessem a um evento que, até pela simplicidade, é importante para mensurar o que poderá acontecer nos próximos dez meses da política sergipana. É uma avaliação sem profundidade, claro, mas dá para se ver o rumo que muita gente vai tomar nas eleições de 2006, que serão as mais disputadas dos últimos 20 anos, em razão da postura e definição de grupos.

Que a “Jabá com abóbora” se mantenha por mais alguns anos, porque sempre foi ponto de encontro daqueles que debatem a política sergipana.

BNDES
Já foi aprovado o empréstimo de R$ 85.048.000,00 do BNDES para a construção da ponte que liga Aracaju à Barra dos Coqueiros.

Saiu exatamente na quarta-feira (21) como o presidente do banco, Guido Mantega, havia prometido ao líder do PFL no Senado, José Agripino.

 

LULA

A liberação do empréstimo só foi feita depois que o presidente Lula deu ordem de liberação a Mantega, como ele mesmo revelou por telefone ao presidente do Congresso, Renan Calheiros.

Até o momento não foi explicada a razão do Planalto ter bloqueado o empréstimo. A impressão é que a questão foi política.

 

PEDIDO

Uma fonte influente da oposição disse que realmente o pessoal trabalhou para impedir a liberação desse empréstimo: “era uma questão que favorecia o adversário”, disse.

A fonte fez uma pergunta: “se o empréstimo favorecesse a Déda, com certeza João Alves Filho agiria do mesmo jeito, se tivesse influência junto ao presidente”.

TRABALHO
A fonte admitiu, entretanto, que o governador João Alves Filho teve competência para liberar o empréstimo, usando a liderança do PFL no Congresso.

Lembrou que o empréstimo só saiu pela pressão em relação ao orçamento, tanto que o presidente do BNDES só liberou depois de autorizado pelo presidente Lula.

 

ALMEIDA

Almeida Lima (PMDB) que na realidade está construindo sua candidatura ao governo do estado junto ao povo e ao partido, como falou ontem o presidente do PMDB, Benedito Figueiredo.
“No meu caso, nem para receber apoio o prefeito Marcelo Déda serve”, disse e continuou: “é que somos muito diferentes”.

 

DESEJO

Almeida Lima diz que deseja chegar ao governo do estado sim, “mas não é por qualquer preço que conquistarei essa posição”.

“Se tiver de sentar com Albano Franco, com Marcelo Déda e com Jackson Barreto podem ficar certo que não irei. Imponho um limite, para mim na política nem tudo é possível”, disse.

 

GANHO

O deputado federal Heleno Silva (PL) disse que a “vinda do PMDB seria um ganho muito grande para a oposição, que teria de abrir condições para ele”.

Acrescentou que quem “pretende ganhar governo não pode colocar à frente das conquistas, os problemas meramente pessoais”.

 

SOBRE VICE

Heleno Silva concorda com o senador Valadares (PSB) quando ele diz que o seu partido não aceita veto: “mas também não pode vetar”, disse.

Quanto à indicação do vice na chapa de Marcelo Déda, Heleno acha que devem ser colocados nomes para escolha de todos os partidos, ou ceder o lugar para um partido que esteja compondo.

PSOL
O programa do Psol, que terá à frente a senadora Heloisa Helena, vai ao ar hoje, em rede nacional, por dois minutos. A produção é de Jorge Oliveira, que atua em Sergipe.

A senadora mostra sua revolta pela expulsão do PT, a traição do partido e de Lula ao povo e a corrupção no Congresso. Termina pedindo punição para os “delinqüentes de luxo”.

REUNIÃO

Um prefeito que participou, ontem, da reunião com o governador João Alves Filho disse que ele vem cometendo o erro pela falta de investimento no sertão.

Acha que em 2006 ele poderá corrigir isso e se voltar com força para o interior, fazendo alguns investimentos necessários: “com isso a coisa muda e a disputa fica difícil para a oposição”.

 

PRÓ-BINGO

O Movimento Pró-Bingo, que funciona em Brasília, tem mandado sugestivo cartão de ano novo a várias pessoas em todo o país, inclusive Sergipe.

“Vai começar uma nova rodada. E estes são os números! 2006. Que eles tragam muito mais do que sorte. Que tragam amor, paz, saúde, alegria, sucesso, felicidade e, principalmente, a regulamentação definitiva da nossa atividade”.

 

INFORMATIVO

O informativo “Aracaju Notícias”, usado pela Prefeitura para informação interna a seus servidores, foi distribuídos com críticas pesadas ao prefeito Marcelo Déda.

A assessoria do prefeito acha que se trata de uma ação política de baixo nível e já tem as placas dos veículos que faziam a distribuição. Pertencem a locadoras…

 

DECISÃO 

Está praticamente decidida a candidatura de Ricardo Franco ao governo do estado pelo PSDB. Os tucanos chegaram à conclusão que não haverá acordo com o PFL.

Apesar do tempo que falta para conversa, o estilo de Ricardo não é de esperar, mas de adotar uma posição. Há uma certa animação com a candidatura.


Notas

 

FIDELIDADE-1

O resultado proclamado pelo TSE para as eleições de deputados federais em outubro de 2006 será utilizado em toda a próxima legislatura para efeito da distribuição dos cargos da Mesa Diretora e das comissões permanentes. A mudança de critério, aprovada pela Câmara, é uma das medidas para estimular a fidelidade partidária.

Antes da resolução, as trocas de partido durante a legislatura afetavam a distribuição de cargos. Com a nova regra a representação partidária nos cargos de direção da Câmara guardará sempre coerência com o resultado das urnas.

 

FIDELIDADE-2

Aprovado por consenso de todos os lideres partidários, o dispositivo disciplina a distribuição proporcional aos partidos e blocos partidários das vagas nas comissões técnicas e na Mesa Diretora da Casa, prevista na Constituição. A resolução introduz mudança relevante no funcionamento parlamentar dos partidos.

Em caso de mudança de partido, o integrante da Mesa Diretora, presidente ou vice-presidente das comissões permanentes perde automaticamente o cargo. A escolha dos integrantes, entretanto, continuará a ser feita por eleição.


REGRA ANTIGA
No início da sessão legislativa de 2006, porém, a distribuição dos cargos nas comissões permanentes da Câmara ainda seguirá a regra antiga. Será feita uma recontagem das bancadas de cada partido ou bloco partidário para a verificação do número de vagas a que têm direito nas comissões técnicas.

Dividindo-se o número de deputados de uma bancada pelo quociente eleitoral para as comissões, que é 25,65 (para se chegar ao número divide-se o total de deputados – 513, pelo de comissões – 20), chega-se às vagas que o partido tem direito.

 

 

É fogo

 

O senador Almeida Lima, pré-candidato a governador pelo PMDB, almoça hoje com jornalistas, em confraternização.

 

O almoço com Almeida Lima será descontraído, sem discursos, mas com muita conversa: “É apenas para um papo”, disse.

 

O prefeito Marcelo Déda (PT) retorna sábado de seu repouso em uma praia próxima de Aracaju, para participar do reveillon.

 

O governador João Alves Filho deve viajar à Espanha na terça-feira, onde descansa por alguns dias. Vai com a família.

 

O deputado Heleno Silva não deixou o sertão neste período de festas de final de ano. Faz política o dia inteiro.

 

Apenas uma sugestão: as arquibancadas do Pré-Caju deveriam ficar antes dos camarotes. No local que colocaram os blocos não passam.

 

Francisco Rollemberg (PFL) está em campanha para deputado estadual. Como sempre trabalhando em silêncio.

 

O deputado estadual Luiz Mittidieri (PSDB) ainda não tem gabinete. O que deveria ocupar está passando por uma reforma.

 

O secretário de Finanças de Aracaju, Nilson Lima, já tem um grupo de amigos com adesivos nos veículos, divulgando sua candidatura a deputado federal.

 

Já está tudo praticamente preparado para o reveillon da praia de Atalaia, neste sábado. Terá a presença da cantora Simone.

 

A expansão do crédito para as pessoas físicas, o aumento no número de postos de trabalho formal e o crescimento salarial embalaram as vendas do Natal deste ano.

 

Os juros do cheque especial tiveram uma alteração de 0,23 ponto percentual do ano passado para este, partindo de 8,02% para 8,25% ao mês.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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