João continua aperreado

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O governador João Alves Filho (PFL) está dando demonstrações de que pretende transformar o segundo turno eleitoral para a presidência da República numa extensão da eleição estadual. A última medida arbitrária dele e acatada por Albano Franco, foi dar férias a toda equipe do programa Jogo Aberto, da FM Sergipe, que tem como apresentador o radialista Gilmar Carvalho. João Alves disse a Alckmin (ou desculpe, Geraldo), que o programa atrapalhava a vitória dele em Sergipe e era realizado pela emissora do aliado Albano Franco. Já viu no que deu né?

O governador bem que poderia ter esperado um pouco, comportando-se de forma menos beligerante, dedicar um pouco de tempo para entender o recado duro que as urnas lhe deram. Em vez disso, precipitou-se ao se apresentar como coordenador da campanha de Alckmin em Sergipe, quando esse papel poderia ser desempenhado por Albano Franco, com a sua ajuda, claro. Isso porque a sua pressa em apresentar-se e de atropelar o próprio Albano nesse processo, poderá ser vista pela oposição como um indicativo de que o governador pretende continuar usando a máquina pública em campanha. É natural que João Alves arregace as mangas para eleger Alckmin, porém ele não pode é utilizar a máquina pública. É preciso lembrar que a Lei de Responsabilidade Fiscal é bastante rigorosa e será a primeira  vez que João terá que deixar o governo sob a vigilância da mesma.

  Alguns exemplos do uso da máquina: advogados da coligação visitando a diretoria do Banese (será que foram assistir as famosas fitas?); suspensão de pagamento de alguns convênios;  engenheiros proibidos de fiscalizar obras; concurso público para a Secretaria de Administração, quando não se sabe qual a estrutura que Deda vai manter e a continuidade de pagamento de altos contratos com diversos veículos de comunicação. Será que o MP, o TC e a própria Procuradoria Federal podem dormir tranqüilos com a campanha de Alckmin em Sergipe? Afinal, pesam contra João vários processos, inclusive aqueles subscritos pela Procuradoria Geral da República. Questões sobre as quais ele pouco explicou, como o uso do Samu Estadual, a invenção da refinaria, os empréstimos da Deso, a utilização do Banese, pressão sobre os servidores. Essa coluna registrou vários casos.

 No caso dos veículos de comunicação um bom exemplo é o jornal da família do governador, o Correio de Sergipe. Este não desceu do palanque mesmo por orientação do governador. Na sexta-feira o editorial volta a criticar Lula e Deda pela falta de recursos federais em Sergipe e faz apologia a Alckmin. No sábado o editorial é “O PT está aperreado” e a manchete principal também é contra o Partido dos Trabalhadores.

    Um líder e administrador que ficará na história de Sergipe como João Alves Filho poderia ter outra postura. Essa história de que a transição será pacifica é balela. Quando a equipe solicitar os documentos da Deso e do Banese a “cobra vai fumar”. Aliás, por coincidências as duas empresas mais fortes do governo, Deso e Banese, não serão as mesmas depois deste ano. Pode anotar caro leitor e cobrar a este jornalista.

   João Alves Filho sempre passou o governo para sucessores eleitos por ele. Foi assim com Valadares, eleito em 1986, e Albano Franco, eleito em 1994. Pela primeira vez tem que entregar a máquina administrativa para um adversário político. A pressa de João em anunciar que será coordenador da campanha de Alckmin mostra que ele não quis descer do palanque. E do jeito que a máquina foi usada escancaradamente nas eleições estaduais deste ano pode ter certeza: João Alves continua aperreado, e como.

 

 

Albano muda estilo por conta de João

O episódio das férias coletivas dos profissionais que trabalham no programa Jogo Aberto, da FM Sergipe, mostra que Albano Franco mudou o estilo por conta de João Alves. Quando governador, Albano teve um relacionamento aberto com a imprensa sem perseguições. Agora teve que cortar na própria carne, porque João Alves foi reclamar com Alckmin. Quem tem um aliado como este não precisa de inimigo…

 

103 FM foi exemplo para radialistas

Enquanto algumas emissoras de rádios deram um exemplo de como não se comportar no período eleitoral, outras mostraram que estão acima dos interesses políticos e das verbas publicitárias governamentais. Um bom exemplo foi a 103 FM e toda equipe de jornalismo. A rádio é do empresário José Carlos Silva. Parabéns a todos.

 

Idade não permite João no TC

Esta coluna publicou na semana passada a idéia de alguns assessores do governador para que ele fosse para o Tribunal de Contas. A coluna errou esquecendo de analisar a Constituição Estadual, no artigo 71 que limita a idade de 65 anos para os integrantes do órgão. João já passou quatro meses. A não ser que mudem a Constituição, o que não é difícil em Sergipe.

 

Tem gente desesperada na imprensa

Sergipe tem muitos profissionais de comunicação capazes de trabalhar em qualquer lugar do Brasil. Tem também alguns poucos acostumados a viver eternamente dependendo das verbas publicitárias do governo. Estes estão desesperados e começam a chiar por todos os cantos. É olhe que Marcelo Deda ainda nem assumiu o Governo do Estado, imagine depois…

 

Europeu ou chinês?

O governador João Alves continua devendo explicações à sociedade sobre os investidores da refinaria Atlântico Sul S.A. Na primeira coletiva ele disse que os investidores seriam de um grupo europeu e não apresentou nenhum nome concreto. Na coletiva da última quinta-feira, João Alves disse que o investidor é um grupo chinês. Para acabar com a polemica e com as dúvidas o governador devia anunciar o nome do grupo empresarial. Seria bom, principalmente para ele.

 

Da humildade de Marcelo Deda

De um petista mais radical ao escutar o discurso sereno de Deda na última sexta-feira no Iate Clube pedindo que vistam a camisa para eleger Lula: “Será que se Lula tivesse sido eleito no primeiro turno e com a vitória dele (Deda) também no primeiro turno o futuro governador estaria aqui tão humilde pedindo nossa ajuda?”

 

Sobre a saída de Jorge Araújo do PSDB

Assim escreveu Beaumont e Fletcher no Epílogo Fortuna do Homem Honesto “O homem é sua própria estrela; e a alma que pode fazer um homem honesto e perfeito, comanda toda luz, toda influência, todo destino; nada lhe advém cedo ou tarde demais. Nossos atos são nossos anjos, bons ou maus, nossas sombras fatais que andam ao nosso lado, silentes”. É certo que nesta vida ninguém nunca ganhou tudo que queria, como também nunca perdeu. Deus oferece a toda mente uma escolha entre a verdade e o repouso.Tomamos aquilo que desejamos – jamais possuiremos ambos, pois todo ato compensa-se a si mesmo. A atitude corajosa, coerente e digna assumida pelo Deputado Jorge Araújo enche de orgulho os seus amigos e eleitores”. Do leitor Ailton Rocha.

 

Tobias Barreto continua sem representante

Um município com cerca de 27 mil eleitores não elege há muito tempo um deputado por conta da divisão dos grupos políticos. É Tobias Barreto que transfere para candidatos de fora uma média de 14 mil votos. Três candidatos da terras conseguiram juntos 12 mil votos. O único candidato da terra a deputado federal, o desconhecido Pinheiro na Moral conseguiu 12 mil votos, contra força de Amorim, Albano, Jerônimo e outros. Ou seja, o povo quer eleger alguém da terra, basta união.

 

Análise comparativa das últimas eleições

Abaixo uma pequena análise sobre os principais números da eleição de 01/10/06, com algumas comparações entre os cargos majoritários e entre os resultados da eleição de 2002 para Governador de Sergipe e de 2004 para Prefeito de Aracaju. A análise foi enviada por um leitor. Primeiro a tabela com as comparações logo após.

 

 

1. Comparação da votação entre João Alves, Maria do Carmo e Geraldo Alckmin

a) No Estado: João – 450.405; Maria – 468.546; Alckmin – 446.454.

 b) Em Aracaju: João – 114.655; Maria – 113.454; Alckmin – 125.987.

Conclusão: Votação “casada” entre João, Maria e Alckmin no Estado, Capital e Interior.

 

2. Comparação da votação entre Déda, Zé Eduardo e Lula

a) No Estado: Déda – 524.826; Zé Eduardo – 442.155; Lula – 476.399.

 b) Em Aracaju: Déda – 151.875; Zé Eduardo – 134.252; Lula – 112.844.

 c) No Interior: Déda – 372.951; Zé Eduardo – 307.903; Lula – 363.555.

Conclusões: Votação “semelhante” entre Déda e Zé Eduardo em Aracaju e Déda e Lula no Interior.

Diferença de 82.671 votos entre Déda e Zé Eduardo no Estado, sendo 65.048 no Interior.

Diferença de 48.427 votos entre Déda e Lula no Estado, sendo 39.031 em Aracaju.

 

3. Comparação da REJEIÇÃO (votos brancos e nulos) de Governador, Senador e Presidente

a) No Estado: Governador – 111.189; Senador – 176.023; Presidente – 105.093.

b) Em Aracaju: Governador – 23.986; Senador – 40.677; Presidente – 20.012.

c) No Interior: Governador – 87.203; Senador – 135.346; Presidente – 85.081.

Conclusões: Rejeição “semelhante” entre Governador e Presidente no Estado, em Aracaju e no Interior.

Rejeição de Senador bem superior a de Governador, no Estado, em Aracaju e no Interior, sendo 58,3%

no Estado, 69,6% em Aracaju e 55,2% no Interior.

 

4. Comparação entre a eleição de 2002, 2004 e 2006

a) João Alves reduziu a participação percentual dos votos válidos entre 2002 e 2006, sendo:

de 55,0% para 45,0% no Estado e de 59,4% para 46,4% no Interior, ficando semelhante em Aracaju.

b) Zé Eduardo teve um pequeno aumento na participação percentual dos votos válidos no Estado.

(de 45,0% para 47,3%) e no Interior (de 40,6% para 45,6%) e uma pequena queda em Aracaju.

(de 56,1% para 51,6%) – Comparação entre os cargos de governador 2002 e senador 2006.

c) Aumento de 1/3 no percentual de rejeição para governador entre 2002 e 2006.

d) A eleição para Prefeito de Aracaju, em 2004, teve 261.272 votos válidos. Déda teve 186.507 votos.

e) houve uma rejeição de 22.919 votos (brancos e nulos) – Déda caiu de 71,4% dos votos válidos em 2004

para 54,8% em 2006, equivalente a 34,6 mil votos. A rejeição ficou semelhante.

 

 

Frase do Dia

“Um homem que não seja capaz de morrer por uma causa não é digno de viver”. Luther King.

 

 

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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