João demorou para reagir

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  Faltando apenas 19 dias para as eleições de primeiro de outubro, o quadro atual da campanha eleitoral em Sergipe está ficando bastante claro que, por exemplo, já é quase unanimidade que não haverá 2º turno, como alguns apostavam no início da campanha. O 2º turno se tornou distante porque o candidato que podia surpreender, João Fontes (PDT), acabou apresentando uma campanha insossa, sem propostas reais e desprovida de estratégia de um marketing eleitoral que acabou desacreditada entre os próprios aliados.

  Está claro também que o candidato à reeleição, governador João Alves Filho (PFL), tem dificuldades para reverter nesta reta final a vantagem que Deda tem desde antes do início do processo eleitoral. O mais interessante – se analisado sem “paixões” de um lado ou de outro – é que alguns aliados de João Alves discutem há algum tempo o retardamento da reação que era esperada no mês passado. João e Deda monitoram seus programas eleitorais e suas campanhas através de pesquisas internas e principalmente o pefelista, sabe que o quadro está difícil por conta do índice de rejeição que gira em torno de 30% e porque durante todo este período em nenhum momento chegou a ultrapassar o petista ou colocou em risco esta liderança.

  Por outro lado muitos aliados do governador apostavam que ele estava empurrando com a “barriga” para reverter o quadro no último mês. Essa história de vencer campanha 72 horas antes valia há 10 anos, hoje, com exceção de alguns municípios pequenos essa virada não acontece. Um detalhe da entrevista de João Alves ontem no Cinform merece um comentário, inclusive foi objeto da atenção de alguns leitores desta coluna. Neste trecho, João diz que “organizou muito bem a campanha na capital, porque sabia que esse era um ponto forte do adversário. Mas, ao fazer isso cometi dois equívocos: avançamos na capital, mas não fomos ao interior como deveria ter ido. E eles foram. Mas é preciso entender a filosofia do interior, ele (Deda) não tem domínio nessa área. O voto da capital é um voto difícil de mudar. Eu estaria temeroso da vitória se ele estivesse com uma frente grande na capital e nós tivéssemos uma vitória modesta no interior. Na capital não existe chefe político para o povo, que vai no sentimento popular. Mas no interior isso é um fato incontestável, não como era no passado mas ainda tem”. Sem querer, o governador disse que no interior o eleitor ainda é “controlado” pelo chefe político, através dos “favores” oferecidos. Segundo as pesquisas e a própria campanha municipal de 2004 demonstrou isso, essa fase mudou. Se o único trunfo do governador for esse, ele está subestimando a consciência do sergipano que mora no interior.

 Ou seja, está claro que o quadro para o governo do Estado está bem delineado conforme mostram as pesquisas, a maioria delas para consumo interno. Se Marcelo Deda não retirar um segundo sequer o seu bloco da rua e o candidato João Alves Filho não apresentar a grande “mágica” que todos aliados esperavam ainda, os percentuais não terão alterações. Com a chegada de Lula a Sergipe neste final de semana, Deda deve ganhar mais alguns percentuais, principalmente no interior do Estado.

 Já para o Senado Federal o quadro que estava tranqüilo em direção à reeleição da senadora Maria do Carmo, que inclusive foi um fator determinante no acordo com o ex-governador Albano Franco, o alto índice de aprovação da pefelista vem tomando outros rumos. Tudo isso por conta da consolidação da ascensão de Lula e Deda e a estagnada da candidatura de João Alves que vem favorecendo a candidatura de José Eduardo Dutra para o Senado Federal.

 Esse crescimento da candidatura de Dutra está claro não só nas pesquisas internas, mas na reação dura no programa eleitoral do PFL. Resta saber se faltando 19 dias para a eleição se este crescimento de Dutra será apenas um susto na campanha da pefelista ou terá fôlego suficiente para chegar na reta final da campanha.

 

 

Análise pesquisa governador

Um leitor chamou a atenção para alguns dados da pesquisa do Dataform divulgada ontem, com Deda na frente de João apenas 5,2%. Na tabela enviada pelo leitor, ele mostra que na pesquisa, os percentuais de participação do eleitorado dos municípios pesquisados são diferentes do real. Em Aracaju, o percentual pesquisado foi menos da metade do real. Nos demais municípios o percentual foi aumentado. Corrigindo-se pelos percentuais reais, segundo o leitor, mostra-se que a diferença passa para 12,1% representando mais de 90 mil votos, nos municípios pesquisados para governador. Extrapolando para o Estado a diferença é superior a 150 mil votos. Já em termos de votos válidos, segundo o leitor, a diferença é de 15,6%, representando mais de 200 mil votos.

 

Análise pesquisa senador

Já para senador, o leitor analisa que o percentual pesquisado em Aracaju foi menos da metade do real e nos demais municípios o percentual foi aumentado. Corrigindo-se pelos percentuais reais, a diferença cai de 16,6% para 14,2% de Maria para Dutra, representando quase 110 mil votos nos municípios pesquisados. Extrapolando para o Estado a diferença é superior a 180 mil votos. Em termos de votos válidos a diferença é de 21,2%, representando mais de 270 mil votos. Essa é uma análise feita pelo leitor que tem conhecimento de metodologias usadas em várias pesquisas e no caso do Dataform o departamento deve ter escolhido usar o calculo do percentual de acordo com o entendimento dos seus técnicos.

 

Diferença grande nos indecisos

As pesquisas que foram divulgadas mais recentemente chamam a atenção para o percentual dos indecisos. Em duas pesquisas o Ibope divulgou o percentual de 8% de indecisos. O Instituto Padrão publicou apenas 4%. Ontem o Dataform publicou 17,8%. Em alguns municípios pesquisados, a exemplo de Simão Dias, o percentual de indecisos chegou a 28,7%.

 

Parece espontâneo, mas não é…

Já reparou como os nanicos resolveram cair de pau em cima de Marcelo Déda? Parece espontâneo, mas não é. É fruto de uma estratégia. Isso já foi feito com eficiência no Espírito Santo, na eleição do Paulo Hartung, em 2002. E  mais: essa tática não saiu das “hostes oficiais” da comunicação do governo de Sergipe. Nem José Nivaldo, nem César Gama, ninguém do marketing. Nos bastidores o comentário é que o governo  mantém um estrategista como uma espécie de reserva. Esse tiro teria saído dali. Tem gente acreditando que o estrategista está em outra campanha. Entendeu? Nem eu, nem ele, nenhum, nem outro…

 

Jeitinho brasileiro

E o candidato ao governo, Adelson Alves precisa ensinar aos outros candidatos como chega até hoje na campanha eleitoral sem gastar um centavo. Pelo menos foi isso que ele declarou a Justiça Eleitoral. Só por curiosidade, como ele está pagando a equipe e a produtora do programa eleitoral? Ah! Deixe este jornalista adivinhar. Ele ganhou de presente de alguns amigos. Oxente, você não acredita não é homem!

 

Uso da máquina: Pelella neles!!

Um médico candidato a estadual está com um comitê montado num hospital público. Consultas:segundas e terças a partir das 7 hs; Marcação de cirurgias:  sexta-feira; Cirurgias aos sábados (+ de 10 toda semana). O mais grave: segundo informações da própria diretoria do hospital, o pagamento será feito através de uma secretaria estadual, por ordem de uma política com mandato.

É um caso de duplo uso da máquina. Um prédio público e uma secretaria. Dr. Pelela, neles!!!  A denúncia, com todos os dados e o nome do hospital foi enviada ontem para o procurador regional eleitoral.

 

Erro ou boicote a Passos?

No programa eleitoral ontem à noite o deputado estadual e presidente da AL, Antônio Passos voltou a mostrar algumas das ações realizadas por ele como parlamentar. Nada demais se ao pedir o voto para ele (25110) na legenda aparecesse outro número, 25111. Foi erro ou boicote dentro do partido, já que Antônio Passos deve ser um dos mais votados da coligação? 

 

Imprensa precisa ser desnudada

Este jornalista agradece aos colegas de imprensa e leitores que ligaram e enviaram e-mails parabenizando pelo artigo de ontem com o título “Imprensa precisa ser desnudada”. Este tema precisa ser debatido profundamente, principalmente após as eleições deste ano. Esta coluna fará isso para mostrar que a “lavagem” deve começar em casa, neste caso na própria categoria. Além da divulgação dos valores recebidos por alguns órgãos de comunicação e jornalistas (via empresas) será comparada também a linha editorial antes e depois da eleição. É para desnudar mesmo. Podem começar a tomar lexotan!

 

Mudança editorial

Alguns meios de comunicação começaram a mudar sua linha editorial. Esta coluna previu para depois da eleição, mas já estão se adiantado. Começam chamando Deda de senhor, depois de doutor, vira Vossa Santidade e por último será Deus no céu e Deda em Sergipe. Para quem pensa que é mera brincadeira, é só aguardar. Isso sem falar em alguns “colegas” …

 

Delegada dá exemplo para SSP

Na semana passada a delegada Katarina Feitosa prometeu prender os bandidos que invadiram a 1ª Delegacia para soltar um preso e cumpriu. Ontem o preso foi apresentado a imprensa. A 1ª Delegacia é a mesma onde Floro Calheiros foi libertado há dois anos. Se naquele ano, a delegada fosse a de hoje ele certamente estaria encrencado. Por falar neste caso, o que aconteceu mesmo com a delegada e os policiais responsáveis pela delegacia naquele episódio?

 

Timbalada nos Jogos da Primavera

Na próxima quinta-feira, às 19 horas, serão abertos oficialmente os Jogos da Primavera 2006, que retornam  com a participação de um número recorde de escolas. A abertura solene será no Ginásio Constâncio Vieira. Um show da banda baiana Timbalada vai animar os jovens após a solenidade.

 

Advinha quem é?

Na fila do banco ontem, um morador do 18 do Forte comentava com outro sobre uma “reunião” que aconteceu numa casa daquele bairro no sábado, onde um sindicalista muito conhecido pedia votos para seu candidato a governador e em troca oferecia R$ 150,00 para plotagem do veículo e mais R$ 75,00 de combustível por semana.

 

Candidato tinha gratificação no governo

E tem um candidato majoritário que pousa hoje de independente que até pouco tempo antes da eleição e do prazo de desincompatibilização recebia uma gratificação do Governo do Estado no salário que recebe como servidor público. Também que jornalista chato, descobre cada coisa…

 

Frase do Dia

“O governo do Estado, patrocinador destas maracutaias, esquece de mencionar que, para construir a ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros, aquela que une o nada a zorra nenhuma, foram precisos destruir dois quarteirões no bairro Industrial, além do Terminal de Ônibus daquela localidade. A Prefeitura permitiu que a obra fosse feita, sem exigir nada em troca. Essas brigas menores agridem a inteligência dos leitores…” Do jornalista Ivan Valença em matéria publicada aqui, na Infonet, na última sexta-feira.

 

 

 

 

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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