Johnny Vai à Guerra

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Guilherme Sousa Borges
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Bolsista do Programa de Educação Tutorial/História (PET/UFS/MEC)
Integrante do Laboratório de Estudos de Conflito e Paz (LABECON)
Email: guiga.borges94@yahoo.com.br
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Tereza Cristina Nascimento França

Publicado em 1939 – dez dias depois da assinatura do pacto de não agressão entre os nazistas e os soviéticos e dois dias depois da investida alemã na Polônia e o inicio da Segunda Guerra Mundial – “Johnny Got His Gun”, traduzido no Brasil como “Johnny vai à guerra”, mas literalmente significando “Johnny pegou sua arma”, é um romance de autoria do estadunidense Dalton Trumbo e é considerada a maior obra pacifista já feita. A obra conta a história de Joe, um soldado americano na Grande Guerra que após um bombardeio em sua trincheira fica completamente debilitado, tendo seus quatro membros mutilados e perdendo sua visão, paladar, audição e fala e fica impossibilitado até de se suicidar.  A partir disso ele começa uma série de reflexões e alucinações sobre sua vida, o porquê de ter ido para a Guerra e o seu desejo de morrer para sair daquele estado.

A principal inspiração do autor foi uma reportagem sobre uma visita que o Príncipe de Gales realizou a um hospital canadense para encontrar um soldado que perdera todos os membros e sentidos durante a Primeira Guerra Mundial. Outra inspiração para a obra, agora em relação ao seu título, é a música “Over There” do músico George M. Cohen. Nessa canção, a frase “Johnny, get his gun” (Johnny, pegue sua arma) é citada, pois era uma música usada para encorajar os jovens a se alistarem, então a obra mostra o que aconteceu com os Johnnys após eles pegarem suas armas.

Datlon Trumbo foi conhecido por ter sido roteirista de diversos filmes de Hollywood, como Exodus e Spartacus, e recebeu dois Oscars de Melhor Roteiro por “The Brave One” e “Roman Holyday”. Além disso, ele próprio dirigiu a adaptação cinematográfica de “Johnny Got His Gun” de 1971. Trumbo fez parte do grupo conhecido como “Hollywood Ten”, um grupo de profissionais do entretenimento, como músicos, atores e cineastas, que foram perseguidos pelo governo americano por terem alguma relação com o Partido Comunista.

Essa produção faz uma crítica à mentalidade de guerra que os Estados Unidos da América têm até hoje. Numa de suas lembranças da infância, Joe se lembra de uma conversa com seu pai na qual ele escuta “Em defesa da democracia, qualquer pai enviaria seu único filho para morrer na guerra”.

O livro fez um sucesso imenso quando publicado, principalmente entre os esquerdistas que eram contra a entrada dos Estados Unidos na guerra. Mesmo com a grande repercussão da obra, tanto que foi premiado como o livro mais original de 1939 no National Book Award, Trumbo não quis lançar uma nova edição após a quebra do pacto de não agressão nazi-soviético e da invasão alemã a União Soviética, lançando uma nova tiragem apenas depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

O legado que Trumbo deixou com Johnny Got His Gun foi imenso. Além do prêmio de Livro mais original de 1939, o filme foi premiado no festival de cinema de Cannes com o Grand Prix Spécial Du Jury e com o troféu do FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema). A obra também recebeu uma adaptação na Rádio NBC em 1940, uma versão teatral em 2008 e é citada em filmes e músicas, em destaque para “One” de 1988, da banda estadunidense de Heavy Metal Metallica.

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