José Barreto Filho, 100 anos de nascimento

José Antonio Barreto
José Barreto Filho, o Barretinho, nasceu em Aracaju no dia 27 de janeiro de 1908, filho de José Barreto dos Santos, que pela linha materna, da família Rosário, tinha parentesco com Tobias Barreto, e de Otília Cardoso Barreto, filha de Arquimínio Nogueira Delvale e de Amélia Cardoso, irmã de Brício Cardoso, da família do professor baiano Joaquim Maurício Cardoso, casado em Estância, Sergipe, com Joana Batista de Azevedo. Menino ainda, colaborou com jornais sergipanos e mudou-se para o Rio de Janeiro. Naquela cidade surpreendeu a crítica literária, publicando, em 1922, pela Livraria Schetino, o livro de poesias CATEDRAL DE OIRO. Tinha, então, 14 anos. O livro, com desenho da cabeça do autor, de autoria do sergipano Jordão de Oliveira, é composto de poemas e sonetos, e tem três dedicatórias: à memória do pai, ao generoso coração de José de Alencar Cardoso e a Sergipe, “os louros que alcançar”. O livro está composto das seguintes partes: Catedral de Oiro, poema de várias estrofes, e de versos longos, seguindo-se Sinos, Torres, Lâmpadas, Símbolo e 4 sonetos; Evangelho da dor, seguido de 15 sonetos; Santa e mais 7 sonetos e mais Rosa Morena; Cântico dos Cânticos (livro proibido) e mais 1 soneto; e, por fim, Apoteoses.

 

Em abril de 1922 o jornal Diário da Manhã publicou, em sua primeira página, parte do poema principal, com o título de Catedral de Oiro (fragmento). Barreto Filho publicou, também, Sob o olhar malicioso dos trópicos (1929), Introdução a Machado de Assis (1947), firmando nome de romancista e de crítico, ao lado do renome alcançado como poeta.  Integrou o Grupo FESTA, de tendência espiritualista, contraponto ao Modernismo de 1922, e particpou da edição da Revista Festa, ao lado de Andrade Murici, Tasso da Silveira, Murilo Araújo e Cecília Meireles, dentre outros. Dedicou-se ao magistério, como mestre de Psicologia Educacional, na Universidade Católica do Rio de Janeiro e exerceu, com brilho, a advocacia, nos auditórios do Rio de Janeiro. Mantendo, sempre, seus contatos com Sergipe, José Barreto Filho fez parte da Hora Literária e participou, em 1929, da fundação da Academia Sergipana de Letras, na condição de sócio correspondente.

 

José Barreto Filho fez política, filiou-se a União Republicana, liderada por Augusto Leite, candidatando-se, inicialmente, a Deputado à Assembléia Estadual Constituinte, na eleição de 1934, saindo vitorioso. Reunida a partir de 31 de março de 1935, a Assembléia contou com a vibrante participação de Barreto Filho, que atuou como Relator do Projeto de Regimento Interno da Assembléia (10 de abril) e como membro da Comissão de Redação do Projeto de Constituição, também como Relator. O Ante Projeto foi apresentado em 29 de abril, discutido e já em 10 de maio o Relator apresentou a consolidação das emendas e logo submeteu, para outra discussão, o Projeto de Constituição para o Estado de Sergipe, que foi aprovada, depois de debate e emendas. A nova Constituição republicana do Estado de Sergipe foi promulgada em 16 de julho de 1935. Após os trabalhos da Assembléia Constituinte, José Barreto Filho foi eleito Deputado Federal, na eleição complementar.

 

Enquanto participava dos trabalhos constituintes, José Barreto Filho foi o orador oficial, na saudação ao governador constitucional eleito, indiretamente, Eronídes Ferreira de Carvalho (Eronídes Carvalho obteve 16 votos dos deputados, vencendo  Augusto Maynard, que obteve 14 votos). Com a decretação do Estado Novo retornou ao Rio de Janeiro e afastou-se da vida pública, dedicando-se às atividades intelectuais, como professor e como crítico.

 

Ligado ao círculo de amigos e de intelectuais vinculados ao pensamento de Jackson de Figueiredo, José Barreto Filho, que morreu em 17 de dezembro de 1983, deixou família numerosa, alguns dos filhos com renome intelectual, dentre eles o professor e filósofo Vicente Barreto e a Promotora de Justiça Maria Amélia Barreto Peixoto.

 

Sergipe tem um débito antigo e grande com José Barreto Filho, que precisa quitar, neste ano do seu Centenário de Nascimento.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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