Laranjeiras e o resgate da sergipanidade

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Todo primeiro final de semana de janeiro, desde 2006, me desperta um saudosismo dos tempos de trabalho, pesquisa e diversão no Encontro Cultural de Laranjeiras.  Esse grande encontro, em toda a sua dimensão e importância para a história de Sergipe, surgiu há aproximadamente 45 anos a partir da ideia de a população realizar uma quermesse para angariar fundos com a intenção de ajudar a população mais necessitada da cidade. Nesta quermesse, ocorria a exposição e venda de artesanato, apresentação de grupos folclóricos e venda de comidas típicas e lanches do município sergipano de Laranjeiras.

O evento era, inicialmente, realizado no mês de maio, porém, devido à tradicional realização da coroação da rainha das Taieiras, grupo de cultura popular do município que realiza a coroação de sua rainha dentro da Igreja de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, no domingo de Reis. Por ser uma data e um evento importante para o município, por causa do sincretismo religioso que representa esta coroação, formalizou-se, no mês de janeiro, o Encontro Cultural de Laranjeiras, evento que reúne estudiosos, pesquisadores e brincantes populares de todo o país.

Desde o seu surgimento, gestores do município preparam-se ao longo do ano para realizar o evento que é conhecido no país inteiro como um dos mais importantes de cultura popular, pois durante a semana do Encontro Cultural, diversas atividades envolvendo toda a população do município e seu entorno são realizadas para o público que vai prestigiá-lo. Ao longo desses anos de Encontro, mais de cem grupos folclóricos se apresentaram nas ruas da cidade, além de apresentações artísticas, exposições, venda de artesanato e simpósios sobre temas relevantes na área da cultura que são realizados abertamente para a população presente.

Este evento, pelo seu grande porte e pela sua tradicional trajetória, representa para a população de Laranjeiras uma forma de reconhecimento e divulgação da grandeza e riqueza cultural que existe neste, que é um dos municípios mais antigos do país.  A partir dessa ideia de reconhecimento e sentimento de pertencimento criou-se uma identidade sergipana, denominada como sergipanidade, ou seja, em 1839 foi decretado, pelo Governo da Província de Sergipe, o feriado do dia 24 de Outubro, reconhecendo a data como o Dia de Sergipe, ou da sua Emancipação política. Desde então, o dia 24 de outubro é comemorado em Sergipe como o dia em que todos os sergipanos devem comemorar não só a emancipação política do Estado como também devem comemorar o fato de pertencerem a Sergipe. Com isso, apesar de não haver registros de quando e como surgiu o termo sergipanidade, o termo vem sendo utilizado há alguns anos como forma de incentivar a população sergipana a se reconhecer em seus diversos patrimônios, eventos e conquistas.

Mas, por que essa conversa agora? Quero dizer que resgatar a ideia e o sentimento do pertencer à Sergipe em ocasiões significativas, como no próprio dia de Sergipe, 24 de outubro, denominado como dia da sergipanidade, e também no Encontro Cultural de Laranjeiras, que está sendo realizado neste momento, reforça a ideia de reconhecer e valorizar as múltiplas identidades sergipanas em busca de um mesmo interesse, o do pertencimento e inclusão em uma sociedade, que apesar de sua pluralidade, segue sendo excludente, sobretudo em se tratando de cultura popular. Se a frase do momento diz que o futuro é ancestral, que a gente passe a conhecer, reconhecer e frequentar cidades e Encontros como o de Laranjeiras para compreender, respeitar e reverenciar uma parte fundamental da história de Sergipe, da nossa história.

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