Leveza

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Quando comecei a seguir o que eu queria, adquiri mais leveza, menos mentiras e mais verdades.

Eu sei, sou quase ríspida com minha honestidade, me expresso apenas com a verdade, sem tentar florear com palavras só para agradar. Isso me faz não ser tão popular e raramente faço parte da maioria mas, sou fiel a minha própria consciência, pois qualquer coisa que fizermos sempre incorrerá em algumas desaprovações. Então, desde cedo, muito cedo aprendi a ficar do meu lado.

Mas por quê estou dizendo tudo isto? Talvez o fato de estar sempre centrada no meu sentimento interior, me faz ter uma atitude diferente em relação a tudo na vida.  Nunca aceitei as respostas do mundo sem pensar muito a respeito.

A partir desse questionamento deixei de ter uma vida superficial, onde meus verdadeiros desejos e expectativas eram sufocados.  E cada vez mais me imponho menos deveres, e tenho menos preocupação em acertar. O meu perfeccionismo de antes, deu lugar ao viver. E viver é experimentar, sentir, assimilar, mudar de ideia, voltar atrás, seguir… Ao menos para mim.

A maioria das pessoas (eu inclusive há algum tempo atrás)  está preocupada demais em ser e se parecerem felizes. Você já notou?

Outro dia, num jantarzinho para amigos aqui em casa, discutíamos exatamente  sobre isso.  Por quê esse empenho em passar pela vida sem nenhum tropeço, sem nenhuma queda, sem poder falhar?

Foto: Cláudia Regina

Sempre tirando uma nota 10. Ah, essa busca infeliz pela felicidade, como já dizia um professor meu.

O excesso por ser aceito, por estar na frente de tudo, por ser bem informado e articulado, pode ser fatal. E assim com tantas metas a cumprir e tantos modelos a seguir, a gente acaba negligenciando um monte de coisas, entre elas o sentido de viver.

A vida assim, vai ficando politicamente correta e existencialmente sem graça.

Porém, longe de mim, querer criar polêmica. Sou apenas uma mulher intrépida, que não concorda com o estado de certas coisas e não deixo de omitir minha opinião, às vezes com certa acidez. Todavia não duvide, tenho uma alma doce e sou muito emocional com os meus verdadeiros afetos.

E como não aspiro a nenhuma santidade, e sei que estou aqui só de passagem, me permito ser ridícula, inadequada , incoerente e não estou nem aí, para o que dizem e pensam ao meu respeito. Os meus 46 anos foram repletos de situações reviradas, tristezas lavadas e bobagens ultrapassadas. E vida, muita vida.

Enquanto termino esse artigo, tenho ao meu lado o Bruce ( meu cachorro) inquieto , me esperando ansioso para fazermos uma caminhada.  Dos meus cinco “filhos” de quatro patas, nunca escondi a predileção que sinto por ele. Há entre nós um grau de entendimento, muito especial, muito terno, muito difícil de se repetir.

Agora vou sair com ele e fazer a nossa caminhada, sem qualquer destino em particular, só para caminhar, sem rumo, sem finalidade, podendo a qualquer instante dar meia- volta.  Depois chegar em casa, tomar um banho gostoso, colocar uma roupa velha, me jogar na cama e me sentir muito bem.

A vida se compõe de pequenas coisas.  Aprendi!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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