LIÇÕES: COMO A NATUREZA PODERÁ AJUDAR A EMPRESA A PENSAR NO LUCRO SUSTENTÁVEL

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“Na floresta tropical, a natureza usa o feedback para “fechar o ciclo”. Em face dos limites, o feedback desencadeia adaptações que diminuem ou contornam as restrições físicas. Na empresa, firmas como a Coors usam o feedback para “fechar o ciclo”, desencadeando inovações que levam a produtos, processos, negócios e novos lucros”.
Tachi Kiuchi e Bill Shireman


Na floresta tropical, o crescimento e a evolução de cada espécie é regido por três componentes essenciais: feedback, adaptação e aprendizado. Assim sendo, todas as espécies que nela habitam estão sendo orientadas em resposta aos limites extremos, que é na verdade a sua realidade. Assim sendo, esses limites extremos estão levando as espécies que habitam a floresta tropical em direção a um chamado “ponto zero” ou seja, ponto que ao ser atingido indica que não existem mais recursos disponíveis, portanto uma chegada ao “fim da linha”.

Todavia, as espécies da floresta tropical já aprenderam também que, através de um contínuo feedback e adaptação, elas poderão ir desenvolvendo novos sistemas os quais, por sua vez, irão abastece-las com novos recursos continuadamente. Isto é, essencialmente, a estratégia básica que irá permitir a perpetuação de cada espécie.

Embora os seres que habitam a floresta tropical em sua maioria não tenham a capacidade para pensar, eles encontraram com sua sapiência silenciosa um mecanismo que permite que estabeleçam uma série contínua de ciclos de feedback que irá garantir a sua sobrevida. E como a natureza atinge essa proeza? Basicamente, fazendo com que todas as espécies se unam em redes alimentares, de modo que a energia que teoricamente poderia ser desperdiçada em um processo é imediatamente aproveitada por outro, e assim sendo, o desperdício é mínimo. Infelizmente, esse exemplo é muito pouco praticado ou seguido pelo homem, que tem por costume e hábito destruir rapidamente tudo que o cerca.

Um exemplo interessante desse procedimento vem sendo divulgado pelas indústrias Coors Brewing (USA). Nessas empresas as matérias primas são extraídas ou cultivadas pelos produtores, processadas por uma sucessão de fornecedores e, então, compradas, reprocessadas e embaladas pela Coors, a fim de criar e fornecer o produto final: cerveja em embalagens rapidamente usadas e descartadas.

O calcanhar de aquiles da economia industrial está nos sistemas lineares, ou seja, as empresas tiram a matéria prima da natureza, colocam em circulação na economia, como produtos, e depois se livram delas na forma de lixo. A Coors denomina esse procedimento de um sistema de ciclo aberto, ou seja, a cadeia alimentar linear que explora os recursos da natureza e deixa como resultado lixo nas duas extremidades.  Os sistemas de ciclo aberto, quando estudados observa-se que dão lucro à curto prazo, os estudos demonstram que nenhuma economia pode durar eternamente se esgotar sistematicamente as suas fontes de abastecimento.

Na economia de ciclo aberto: retiram-se os recursos da Terra, extraem-se os lucros no meio do processo e devolvem-se os custos na forma de poluição e desperdícios novamente à Terra. Todavia, a utilização do sistema de ciclo fechado, poderia ser na prática a solução desejada para muitos problemas atualmente enfrentados pela humanidade, já que nesse tipo de sistema toda a série de custos é assimilada no interior do próprio sistema, de maneira rápida e suave. Nesse tipo de sistema todos os “outputs” da empresa, inclusive os desperdícios, voltam para a própria empresa, fazendo com que ela se adapte e aprenda a reduzi-los e a elimina-los.

Pode parecer ainda esquisito se falar em sistemas fechados, quando a tendência é cada um produzir, jogar o lixo e deixar os problemas para outros resolverem ou pensarem. Todavia, cada vez mais, a conscientização de pessoas na sociedade e nas organizações está fazendo com que as empresas invistam efetivamente em melhorias de processos que possam ao final, reduzir custos, aperfeiçoar processos e procedimentos, inovar e, principalmente, não agredir a natureza.

(*) Fernando Viana – diretor presidente da Fundação Brasil Criativo
presidente@fbcriativo.org.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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