Líder em liquidação

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dentro de suas totais limitações administrativas, não deve estar dormindo em paz. Não tem a consciência tranqüila e não encontra uma saída para o caos a que chegou o seu governo. É um momento de crise profunda, onde o fantasma do impeachment ronda o Palácio do Planalto, a Granja do Torto e assusta o presidente nas noites escuras. Lula é um líder em liquidação. Talvez, por ainda expor uma certa ingenuidade, não mereça isso. O seu passado de luta sindical ainda o salva, mas não resta dúvida que Lula precisa se reencontrar com a sua biografia, maculada desde o momento em que iniciou um programa de governo neoliberal já superado e se apegou aos banqueiros, associando-se à elite empresarial brasileira.

 

O poder, além de erotizar, corrompe e aniquila os que jamais imaginaram chegar lá. Em busca de consolidar o seu projeto de poder – orquestrado pelo dileto ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, hoje um simples deputado jogado às traças – o presidente Lula da Silva fez acordos políticos com um segmento podre e viciado da política brasileira, através de hábitos que, se antes lhe pareciam deprimentes e criminosos, passaram a ser uma prática natural e bem vista junto ao seu grupo de apoio, tanto para conseguir eleger-se, buscando formas desonestas de arrecadar fundos de campanha, quanto para manter a base de apoio, através da “grana que destrói coisas belas”, e de cargos que promoviam um verdadeiro saque aos cofres públicos.

 

Sem querer declara a mea culpa e tentando ser fiel aos companheiros que o traíram vergonhosamente, o presidente Lula da Silva termina sendo conivente com todo esse lamaçal que envergonha o país. Em algumas entrevistas que concedeu, o presidente Lula tentou ridicularizar o processo de investigações que se faz na CPI e insiste em manter a versão de que não sabia de nada, mesmo com o aprofundamento da crise e a insustentabilidade do ministro Antônio Palocci, da Fazenda, que não tem mais condições de permanecer no cargo e deve pedir demissão nas próximas horas. Lula é o homem chave, que sabe de tudo desde o começo. Nada foi feito sem o seu aval. Desde as denuncias formalizadas pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), que o presidente Lula deveria ter tomado as rédeas da situação e atuado firme, com o peso de profunda indignação. Fez o contrário: defendeu os acusados, colocou a mão no fogo por eles e, não teve jeito, queimou o restante dos dedos e mergulhou na lama.

 

O presidente Lula faltou com a verdade – para ser elegante e não dizer que mentiu – ao declarar, no programa Roda Viva, da TV-Cultura, que jamais impediu a formação de CPIs para apurar desmandos no seu governo. Parece brincadeira, mas Inácio esqueceu-se do movimento que fez, dos recursos que gastou, para impedir a abertura da CPI dos Bingos, hoje em funcionamento graças à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A semana passada, até o final da noite de quinta-feira, o próprio presidente usou o telefone para pedir – implorar até – que alguns deputados retirassem assinatura da CPI dos Correios, com o objetivo de impedir a prorrogação do prazo. Até parlamentares da oposição retiraram suas assinaturas. Certamente não o fizeram pela barba e cabelos bem cortados de um Lula posto a nu.  

 

Lula deve ter caído das nuvens – que é melhor do que cair do terceiro andar – quando desqualificou a reportagem da Veja sobre os dólares de Cuba, durante a entrevista no programa e, uma semana depois, ouvir a gravação em que o ex-assessor de Palocci, economista Vladimir Poleto, confirmou ter levado de avião, para Campinas, 1.4 milhão de dólares em caixas de bebidas. É o governo se desmoronando em mentiras e farsas, que colocam em risco a posição do próprio PT nas eleições de 2006. O presidente Lula não está bem e já não suporta o amontoado de derrotas. Se não renunciar, como já ameaçou num momento de transe etílica, inevitavelmente terá que enfrentar um impeachment que está em andamento dentro do Congresso, com a força da OAB e a vontade da sociedade.

 

 

MOÇÃO

Por sugestão da ala Democracia Socialista, o Diretório Regional do PT em Sergipe aprovou moção ao governo Lula, mas exige uma mudança na política econômica.

Com o consenso fechado com a adesão da Articulação de Esquerda, o PT em Sergipe se somou à posição da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff.

 

DUTRA

O secretário municipal de Articulação Política, José Eduardo Dutra, ficou preocupado com o que a imprensa iria falar dessa moção.

Foi voto vencido e a moção consensuada, reafirmando o desejo de promover mudanças na política econômica adotada pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

 

JESUS

Deu no blog de Josias de Souza, na Folha: O vereador de Ribeirópolis, Pedro Carmo de Jesus (PFL) foi cadastrado como pobre no do Bolsa Família.

Na Justiça Eleitoral ele declarou um patrimônio de R$ 302 mil, mas figurava nos cadastros do governo até maio passado como beneficiário do Bolsa Família.

 

DEIJAMIRO

Cadastrado como pobre, o Jesus recebeu cinco meses o vale gás (R$ 15). Em seguida, passou a amealhar mensalmente R$ 45. Recebeu do Bolsa Família por mais de um ano.

O promotor de justiça Deijaniro Jonas Filho foi quem denunciou o vereador ao Ministério do Desenvolvimento Social e o caso foi bater no Tribunal de Contas da União (TCU).

 

TURISMO

Em Pirambu, sábado, o publicitário Antônio Leite foi apresentado ao deputado federal José Carlos Machado (PFL), como secretário de Turismo.

Machado foi rápido: “de Pirambu! Porque se fosse de Sergipe não estaria aqui. Com certeza estaria na Europa”. Risos…

 

JACKSON

O deputado federal Jackson Barreto (PTB) vai votar contra a cassação do seu colega José Dirceu (PT), levando em consideração o seu passado de luta.

Atende também a pedido do ex-prefeito João Augusto Gama (PTB), que é amigo pessoal de Dirceu. A sugestão aconteceu durante almoço.

 

MARÍLIA

A governadora em exercício Marília Mandarino declarou que não tem nenhum problema com a adesão da prefeita Gracinha Garcez (PSDB) ao governador João Alves Filho (PFL).

Ela diz que o importante é a união de todos para o fortalecimento da reeleição de João Alves em 2006

 

LISTA

Os deputados que foram eleitos em primeiro e segundo lugares nas eleições de 2002 para a Assembléia e Câmara torcem pela aprovação das listas fechadas.

O deputado José Carlos Machado, que seria contemplado com a lista, acha que as eleições devem ser mistas – Listas fechadas e distrital.

 

ASSINATURA

Ao retirar sua assinatura da CPI dos Correios, o deputado federal Jorge Alberto demonstra que está vinculado à banda governista do PMDB.

Ele atendeu a pedido do Planalto. Em Sergipe, Jorge defende apoio ao governador João Alves Filho na disputa pela reeleição. O grupo que se opõe a Lula, não gostou.

 

DIREÇÃO

A presidência regional do PTN será exercida pelo funcionário do Deso, Eduardo Barbosa de Oliveira, e o vice será o representante comercial Hélio de Jesus Passos, ambos residentes no conjunto Marcos Freire, em Socorro.

Os dois se tornam dirigentes do PTN por imposição de um deputado federal de Sergipe, que ainda não se sabe quem.

 

COMPLICA

Esse quadro complica para os filiados do PTN que pretendem se candidatar, pois o prazo de filiação partidária já esgotou e não se sabe quem está por traz dessa manobra política.

Ao saber desta notícia, um político experiente disse que “jaboti não sobre em árvore e se ele está lá é porque alguém o colocou”.

 

RENOVAÇÃO

O deputado federal João Fontes (PDT) está preparando um PEC para uma profunda reforma política no país, com o objetivo de acabar com um Congresso conservador e com a quase eternização de mandatos.

Trata-se de um PEC que vai levantar polêmica, mas será muito importante para o fim do conservadorismo político.

 

ROTATIVIDADE

João Fontes pretende que prefeito, governador e presidente tenham mandato de cinco anos, sem direito à reeleição. Vereadores, deputados estaduais e federais terão direito à reeleição apenas duas vezes.

Para retornar à atividade parlamentar o político terá que ficar pelo menos uma eleição fora. “Só assim o Congresso se renova”, diz Fontes.

 

NEPOTISMO

Os presidentes de Tribunais de Justiça de todo o Brasil declararam, sábado, apoio ao fim do nepotismo no Judiciário e manifestaram restrições à atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Essas posições foram fruto do 70º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça, iniciado no dia 10 de novembro em São Luís-MA.

 

 

Notas

 

PROGRAMA

O PMDB apresentou seu programa na televisão ontem. O senador Almeida Lima, pré-candidato ao governo do estado esteve bem presente. Mostrou que fará oposição ao prefeito Marcelo Déda (PT) na mesma proporção que ao governador João Alves (PFL). Os dois serão adversários no pleito de 2006.

Almeida informou ontem que foi um dos poucos senadores do PMDB que não participou do jantar em casa do seu colega paraibano Nei Suassuna (PMDB), oferecido à ministra da Casa Civil, Dilma Rouseff.

 

PARTICIPAÇÃO

Um bem entrosado parlamentar da área federal admitiu, ontem, que alguns deputados e senadores assinam as Comissões de Inquéritos com o objetivo de obter alguma vantagem do governo em determinados momentos. Parte desse pessoal não põe sua assinatura com a convicção de apurar irregularidades.

Lembrou que a ação do Planalto para impedir a prorrogação da CPI dos Correios foi um desses momentos esperados para que, parlamentares que fazem qualquer negócio, tirasse vantagem ao retirar assinatura.

 

VERTICALIZAÇÃO

O fim da verticalização é destaque do plenário, amanhã, com a análise da PEC do Senado. Ela torna explícito na Constituição que os partidos terão autonomia para critérios de escolha e o regime de suas coligações, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em nível nacional, estadual ou distrital.

A verticalização surgiu a partir de interpretação do TSE, em fevereiro de 2002, sobre a Lei 9504/97, que disciplina as eleições. Antes de analisar esse item, porém, os deputados terão de votar duas medidas provisórias.

 

É fogo

 

Será votada a PEC do ex-deputado Leur Lomanto, que altera as condições de elegibilidade de parentes de chefes dos poderes executivos.

 

Atualmente, a Constituição Federal permite a reeleição somente de parentes que já tenham mandato eletivo, impedindo novos candidatos.

 

A nova redação d PEC permitiria, que um deputado federal, parente de um governador, possa se candidatar ao governo do estado e não somente a um novo mandato na Câmara.

 

O Pirambrega, realizado este final de semana em Pirambu, reuniu muitos políticos, entre deputados, prefeitos e vereadores.

 

Políticos estão contabilizando uma renovação de aproximadamente 50% na Câmara Federal, com as eleições do próximo ano.

 

O secretário municipal de Comunicação, Milton Alves, diz que não há atraso de dois anos no pagamento do programa Bolsa Família.

 

A deputada Susana Azevedo (PPS) já viajou à Europa para se somar à comitiva do governador João Alves Filho (PFL).

 

A maioria dos políticos dedicou o dia de ontem a participar de solenidades que contavam com a presença do ministro do Supremo, Nelson Jobim.

 

Por ordem judicial, o ex-prefeito de Canindé do São Francisco, Jorge Carvalho, foi preso neste final de semana.

 

Carvalho cumprirá sete anos de prisão por crime de peculato. Ele ainda pode recorrer. O ex-prefeito está detido na Delegacia de Turismo, orla da Atalaia. 

 

Outro ex-prefeito de Canindé, Genivaldo Galindo, que já está preso, vai depor dia 29 sobre o crime do agiota Motinha.

 

Para se alinhar a padrão internacional, o Banco Central (BC) alterou seu conceito de inadimplência, que passa a ser medido com base em operações de crédito com atraso superior a 90 dias.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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