Lula e as pesquisas

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   No último final de semana aconteceu a Convenção Nacional do PT e  o lançamento da candidatura de Lula à reeleição. Há um ano, nenhum analista político se atreveria a publicar que Lula seria candidato à reeleição.    Estava no auge o escândalo de corrupção que afetou muitos políticos e assessores ligados ao presidente da República. As denúncias e escândalos se sucederam até recentemente, mas para surpresa de todos não afetaram a popularidade do presidente, pelo contrário, se a eleição fosse hoje Lula ganharia no 1° turno.

   Um analise fria e racional deste fenômeno, foi feito pelo professor da PUC-RJ, José Márcio Camargo, de renome nacional, numa publicação da Câmara Americana de Comércio de São Paulo. Para quem não conhece, a entidade é conhecida como a Meca do liberalismo no Brasil, recheada de tucanos de todos os tipos.

   Na análise feita por José Márcio ele deixa claro que a popularidade do presidente entre os mais pobres decorre, fundamentalmente, da forte expansão da renda real e do padrão de consumo desses grupos sociais. E, de forma inversa ao que tem sido apregoado, isso não depende apenas dos programas de transferência de renda, mas também do aumento do emprego e salários reais. Explica o professor, que o percentual de Gini – índice que mede o grau de concentração de renda em um país – caiu de 0,590 para 0,574 no Brasil, ou seja, 2,7%. Parece pouco, mas não é. Entre 1995 e 2002, este coeficiente passou de 0,601 para  0,574, com queda de 0,6% em seis anos.

    Para o professor, apesar dos programas de transferência de renda do governo federal terem importância neste processo desde 2003, outros fatores como a melhoria do nível educacional médio desses grupos e o aumento dos salários reais e do emprego também foram importantes. Dos quase 12% de elevação de renda real dos mais pobres, 22% são explicados por programas de transferência de renda, 8% pelo reajuste do salário mínimo real e o restante por outros fatores. Portanto, se os programas de transferência de renda não existissem, ainda assim a renda dos mais pobres teria crescido mais de 9% entre 2003 e 2004.

  Outro fator relevante – citado pelo professor da PUC – para explicar a popularidade do presidente entre os mais pobres é a queda dos preços dos alimentos, que fez com que os salários reais, quando medidos em termos de preços desses produtos, apresentassem um incremento de 7,5% em 2005. Como esse bens são uma parte muito mais importante da cesta de consumo dos mais pobres que dos mais ricos, o ganho de renda real dos grupos mais desfavorecidos da população foi ainda maior do que o apresentado acima.

  O professor entende também que o acesso ao crédito foi outro fator relevante. A introdução do empréstimo consignado em 2004, ainda que não favoreça realmente os pobres, na medida em que estes não têm empregos formais, favorece aos grupos de renda média baixa. Essa inovação institucional facilitou o acesso ao crédito a este grupo da população e, como resultado, melhorou seu padrão de consumo.

   A análise do professor mostra que o aumento do bem-estar entre as camadas de menor renda tem reflexo direto na ampliação das vendas regionais do comércio. No Nordeste, elas cresceram 20% em 2005; ao passo que, no Norte, a taxa atingiu 17%. No Centro-Oeste, o aumento foi de 10%; no Sudeste, 5%; e ficou próximo do zero no Sul. Ou seja, quanto mais pobre a região, maior a elevação no consumo.

   Ele entende que a correlação destes indicadores com as intenções de voto do presidente, tanto no que se refere aos níveis de renda quanto à região do Brasil, não parece ser mera coincidência, desinformação ou ignorância. O professor alerta ainda aos adversários de Lula, que para serem competitivos o foco não pode ser a “política econômica neo-liberal” nem os possíveis desmandos éticos do atual governo, mas, sim, propostas capazes de convencer os eleitores, principalmente os indecisos, de que, apesar dos ganhos obtidos nos últimos anos, as propostas por eles apresentadas serão capazes de permitir ganhos ainda maiores de bem-estar no futuro. Taí, caro leitor, uma análise técnica e real do fenômeno Lula.

 

 

Coletiva I                                                                                                                   

Belivaldo Chagas é o preferido das lideranças da oposição para ser o candidato a vice-governador de Marcelo Deda.

A assessoria do ex-prefeito Marcelo Deda (PT) chegou a enviar um comunicado à imprensa no último sábado anunciado que seria realizada uma coletiva com as lideranças dos partidos que dão sustentação à candidatura petista, às 8h, desta segunda-feira, no Sindicato dos Bancários, para apresentar o lançamento da chapa majoritária. Ontem, a coletiva foi adiada.

 

Coletiva II

O adiamento foi porque ainda existe uma esperança que o PMDB possa apoiar a candidatura Deda. Por isso, no Encontro do PT realizado ontem foi aprovado também que não existe nenhum empecilho para que o PMDB integre o bloco da oposição. O certo é que o deputado estadual Belivaldo Chagas, do PSB, tem o apoio de todos os partidos de oposição para ser o candidato a vice-governador. Porém, para não fechar as negociações com o PMDB foi adiado o anúncio oficial. O PT deve anunciar toda chapa majoritária na sexta-feira (30) quando será realizada a convenção.

 

Coletiva III

Embora não se digam publicamente as duas maiores lideranças do PMDB em Sergipe: o deputado Jorge Alberto e o presidente estadual, Benedito Figueiredo têm a preferência pela composição com o PT. Porém, o PFL já sinalizou com a candidatura a vice. Outro detalhe: a grande maioria dos peemedebistas do interior vota em João Alves, mas a presença do PMDB na coligação do PT ajudaria no tempo de televisão e seria uma referência partidária importante. Não se engane, o quadro em Brasília será fundamental para a decisão do PMDB local.

 

PFL

O PFL, através do governador João Alves Filho, comunicou que na próxima quarta-feira fará um anúncio político muito importante no caminho para a reeleição. Por coincidência, a quarta-feira também é o dia estabelecido pelos peemedebistas para anunciarem a decisão do partido em Sergipe.

 

PT I

O Encontro Estadual do PT realizado ontem não teve maiores problemas. Depois de alguns problemas nas últimas semanas os petistas saíram unidos. “Foi um encontro vitorioso onde todos os petistas mostraram a importância da unidade para a vitória deste ano”, disse o presidente estadual, Márcio Macedo. No encontro, os petistas definiram as candidatura de Deda ao governo, Dutra ao Senado e as coligações majoritária e  proporcional com os partidos que integral o bloco de oposição. Foi aprovado também o diálogo com o PMDB.

 

PT II

O PT terá seis candidatos a deputado federal este ano. São eles: vereador Iran Barbosa (Aracaju), vereador Josivaldo Silva (Frei Paulo), vereadora Débora Almeida (Campo do Brito), o ex-presidente Severino Bispo, o economista Nilson Lima e o vereador Artur (Estância).

 

PT III

Para a Assembléia Legislativa são 12 nomes: Os atuais deputados Ana Lúcia e Gualberto, a vereadora Conceição Vieira, Gilson Nascimento, Fábio Teles, Otacílio Cerqueira, Wellington Santos, Gilton Freire, Gilton Morais, Marcos Bispo, Arlindo Sena e o ex-secretário Rogério Carvalho.

 

Visgo de Jaca

Deu na coluna Painel do jornal Folha de São Paulo de ontem. “Cola. Marcelo Déda, ex-prefeito de Aracaju e candidato ao governo de Sergipe, dançava ao som do novo jingle de Lula, elogiando o refrão que diz “deixa o homem trabalhar”: “Isso, no Nordeste, vai grudar que nem visgo de jaca”. A declaração foi durante a convenção nacional do PT.

 

Coronelismo

Já a revista Caros Amigos deste mês, publicou na coluna “Entrelinhas” a seguinte nota: Coronelismo Sergipano – Exatamente no Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, 3 de maio, o jornalista Cristian Góes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, recebeu notificação da Justiça de uma ação movida contra ele por ter escrito um artigo lembrando o assassinato de Vladimir Herzog e a luta contra censura. Na representação, o sindicato local dos empresários de comunicação alega que o artigo foi ofensivo a todos os veículos do Estado. O Brasil arcaico continua em ação.

 

Jornaleiros I

Jornaleiros de Sergipe prometem uma grande campanha junto aos leitores de jornais e revistas contra uma atitude que eles consideram descabida da Secretaria de Estado da Fazenda. Tudo porque a Sefaz resolveu cobrar das editoras de revistas os brindes que são encartados em várias delas como cd´s e outros itens. Segundo um jornaleiro, a medida é única no país e está prejudicando não só os jornaleiros, mas as editoras que receberam altas multas.

 

Jornaleiros II

Duas destas editoras receberam multas de R$ 18 mil e R$ 12 mil. Agora as revistas estão chegando em Sergipe sem os brindes que afasta a o leitor. As vendas despencaram. Uma pergunta: se é brinde como a Secretaria da Fazenda cobra imposto? E mais, num Estado onde o número de leitores é infelizmente pequeno, o governo estadual ao invés de estimular a venda de jornais e revistas faz o caminho contrário. O governador João Alves, candidato à reeleição, conseguiu a unanimidade dos jornaleiros contra a medida. Isso dá muito voto…

 

Frase do Dia

“Ninguém além de nós mesmos pode libertar as nossas mentes” Bob Marley.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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