Malafaia, Feliciano e a resposta popular

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A prepotência de Marco Feliciano e daqueles que o defendem parece mesmo não ter limites. No último sábado, o pastor Silas Malafaia profetizou: “se Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”.

Malafaia, que é líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, acredita que todas as manifestações pela renúncia de Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados são um tiro no pé e servirão, na verdade, para dobrar a quantidade de eleitores do pastor paulista, que na última eleição obteve 212 mil votos.

E Malafaia não está só nas suas crenças. O presidente do PSC na Bahia, Eliel Santana, disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que toda a mobilização da sociedade “vai despertar o sentimento do evangélico de ter representantes na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. Vai nos ajudar”.

O perigo é que Malafaia e Eliel Santana podem estar certos. Como escrevi em artigo na semana passada, a bancada evangélica é a que mais cresce no parlamento brasileiro, tendo aumentado em 50% os seus representantes nas últimas eleições para o legislativo federal. E, eleição após eleição, registram-se aumentos do segmento evangélico na política nacional.

Não vejo qualquer problema no crescimento de políticos que professam religiões evangélicas. Afinal, cada um é livre e tem o direito de seguir o que acredita. Eu seria tão arrogante quanto Malafaia se pensasse o contrário.

Porém, o que devemos criticar, repudiar e combater é o favorecimento de segmentos religiosos nas definições políticas do país. O inconcebível é que um racista, machista e homofóbico (independente de ser pastor) ocupe uma função pública que tem como missão primeira a garantia dos direitos humanos. O inadmissível é que segmentos religiosos queiram acabar com o caráter laico do Estado brasileiro, como se pretende por meio da PEC 99. O inaceitável é a ofensiva evangélica à democracia brasileira.

Nas ruas de todo o país, ativistas de direitos humanos, parlamentares, artistas, estudantes e até grupos evangélicos estão dando a resposta a Marco Feliciano. Por isso, diferente de Malafaia, acredito que, em 2014, nas urnas a resposta não será diferente. Será Fora Feliciano!

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